vegetariANO

Já faz alguns anos que venho cuidando muito melhor da minha alimentação, reduzindo dramaticamente o consumo de produtos industrializados e focando em alimentos integrais, naturais e frescos. Recentemente, todavia, venho repensando também a minha relação com a carne. Eu como muita carne. Ainda é muito menos do que um brasileiro médio come, não tenho a menor dúvida disso, mas, mesmo assim, me ocorreu que talvez seja interessante dar uma guinada rasta extrema em 2018 e tentar brincar um ano de comer só planta pra ver o que me acontece.

Sempre fui muito cético em relação a isso, em algumas fases da vida até mesmo já me postei radicalmente contra o vegetarianismo (sobretudo como ideologia).

Mas sei lá.

Ouvi um argumento muito bom outro dia que me fez pensar.

Embora o consumo de carne e de outros alimentos cozidos tenha sido um dos principais responsáveis pelo nosso salto evolutivo, supostamente, seres humanos não são carnívoros – nem sequer onívoros. A evidência estaria no nosso sistema digestivo. Intestinos de animais que consomem carne tendem a ser muito mais curtos do que os que se alimentam de plantas – e o nosso sistema digestivo está muito mais próximo do de um gorila do que de um tigre.

Como sofro há anos com refluxo ácido e alguns outros distúrbios estomacais e intestinais de menor relevância (pra não falar nos níveis elevados de colesterol herdados supostamente dos ancestrais do leste europeu), me pareceu uma aposta interessante me alimentar como um orangotango em 2018 e registrar a experiência de alguma maneira.

Ainda não estou 100% convicto disso e, sendo bem sincero, considero enorme a possibilidade de não fazer nada e seguir comendo carne o ano que vem.

Mas vai que.

Enfim.

Pensando.

rapidinhas da madruga

Outro dia criei uma senha fácil de lembrar, porém difícil de escrever, posto que é uma frase comprida cujas palavras são compostas de letras posicionadas de formas esquisitas, obrigando o vivente a demonstrar uma certa destreza digital na hora de completar o formulário. Agora: que merda se o cara se bobeia por um décimo de segundo e erra uma letra na digitância: tem que apagar tudo e começar de novo.

(…)

Pior vida atualmente: a desse maluco que era pra ser o apresentador do Troca de Passes, no SporTV, mas deu o azar​ de terem colocado o Roger no programa com ele – que aí não tem muito jeito, Roger é muita manha, lábia e carisma, ele rouba a cena 100% das vezes, come o cara com farinha, e quando botam na bancada junto com ele o Ricardo Rocha chega a ser covardia, dá pra ouvir os ossinhos do cara estalando enquanto os dois boleiros mastigam.

(…)

Tive um sonho meio confuso e claustrofóbico de uma festa – como são todos os meus sonhos que se passam em ou contém uma festa – e aí no semifinal (o ato penúltimo) rolava uma bad, as luzes se acendiam e eu perdia meu celular, aquela sensação de merda de quando tu acaba de constatar que perdeu uma coisa, especialmente quando é uma coisa que tava contigo até um segundo atrás, que tu cuida bastante, enfim, que merda, só que aí um segundo antes de acordar eu encontrava o celular debaixo de uma mesa de madeira escura, tinha uma toalha em cima, e portanto quando acordei eu tinha um sentimento de satisfação ou completude me inundando a cuca, diferente da frustração com a qual eu costumo acordar quando me acontece o contrário e eu não consigo encontrar uma pessoa, um lugar, uma coisa que se perde de mim no meio do sonho. Mas ruim mesmo é quando tu acorda sem lembrar do teu sonho e passa o dia inteiro com esse sentimento xarope no fundo, sem saber nem poder contra-atacar. Aí it’s a fuck.

(…)

Fui num vascular essa semana ver se estava mesmo desenvolvendo varizes e não é que as veias resolveram diminuir grotescamente de calibre bem no dia da consulta? A favor do acaso vamos levar em conta que fez frio pra caralho (9 graus com sensação térmica que arranhou o 1), os vasos se contraíram e, quem sabe, andei exagerando.

(…)

Também tem mais uma coisa: no fim das contas funcionou pra caralho aquele lance de meter 10 apoio e 10 abdominais pra cada hora trabalhada. Aconteceu uma coisa maravilhosa: o fato de estabelecer uma janela de tempo determinada de trabalho entre uma sessão de exercício e outra aumentou MUITO o meu foco, fazendo com que minha produtividade simplesmente TRIPLICASSE. Na verdade, em termos de volume ela continua exatamente igual, mas reduzi de 15 para 6 horas diárias meus turnos de trabalho – o que é um resultado bastante significativo tanto em termos mentais quanto físicos: como fico menos tempo sentado, exerço menos pressão nas pernocas do Dideira e posso avaliar com mais segurança se as veias inchadas e a sensação de peso nas pernas foram algo transitório ou uma condição crônica incurável (embora perfeitamente tratável). A ver.

whitest

Fora minha face, corpo e intimidades da cueca, a parte mais branca do meu ser é a minha hipocondria. Hoje pensei nisso e deu um pouco de raiva. Uns seis, oito segundos, mais ou menos. Depois passou. Os sintomas da semana são: a) um fincão na virilha que é um desdobramento desse mesmo fincão na área externa da coxa que já me fez realizar inclusive tomografia – que exame brutal para as costas uma tomografia de uma hora: os primeiros 50 minutos são absolutamente tranquilos; os 10 finais, martírio semi insuportável – sem nenhuma indicação de lesão. Parece muscular, porém também parece frescura mental. Sei lá; b) leve incômodo na área do rim esquerdo, ou ponta da costela, um troço meio plenitude que, todavia, só é perceptível ao contato com superfície com descarga de peso, de apoio nas costas em cadeira a sofazinho da descompressão no final do dia. São coisas que vem e vão há anos que, quando investigados, nunca revelam absolutamente nada. Também não pioram e costumam desaparecer da mesma forma que aparecem: espontaneamente. Frequentemente me questiono se não seriam apenas sintomas da minha cabeça, o que até faria algum sentido posto que tenho a tendência a somatizar desde criança, mas em seguida eu também me questiono: somatizar exatamente o quê? Bem, suponho que aos 7 anos de idade eu tivesse ainda menos pontos de atrito existencial na vida para convertê-los em sintomas físicos. Hm. Parece ser mais uma questão de reprogramação da cuca que remediação do corpo, de facto. Que coisa.

health report

Curiosamente, há algumas semanas o tinnitus está incrivelmente baixo, quase imperceptível, e os espasminhos esquisitos na panturrilha também parecem ter cessado. Posso atribuir a redução de sintomas panturrílhicos à adoção de hábitos bastante simples, como passar menos horas por dia sentado ininterruptamente e o uso de meias até a metade da canela (somado à queda na temperatura), mas não sei explicar a regressão no tinnitus – especialmente levando em conta que passei a última semana gripado, com as vias aéreas fortemente congestionadas, o que, teoricamente, deveria agravar ainda mais este sintoma desgraçado. De todo modo: que bom.

gripes

Que eu me lembre, segunda gripe do ano, aqui. Talvez seja a terceira, mas não tenho certeza. Sempre é ruim, né? Mas dessa vez foi pior. A impressão que eu tenho é que as minhas gripes do passado eram menos intensas, mas, ao mesmo tempo, mais prolongadas. Era aquele clássico: começou a tossir, espirrar e fungar o nariz, daqui a uma semana vai passar. Essas últimas se instauram de maneira mais brutal e se resolvem em menos tempo. Não que esteja totalmente resolvida, diga-se. Ainda estou ruim. Sentindo o corpo quente, a cabeça meio aérea, tossindo muco. Mesmo assim, a impressão que tenho é que amanhã acordarei totalmente normal. A coisa toda começou há dois dias e, no primeiro, foi bem feia. Nunca tinha ficado tão congestionado. Tive dificuldades reais para respirar, mesmo pela boca. Foi bem dramático. Gastei duas caixas de lenço e tive uma noite de sono catastrófica, de talvez uns 15 minutos por hora, no máximo. O segundo dia foi das dores: de cabeça, de garganta, pelo corpo. Gastei um rolo de papel higiênico. Hoje, o terceiro dia, é o mais tranquilo de todos. Estou me sentindo bem o suficiente pra ler e escrever, por exemplo, coisas que na terça eram muito difíceis e, ontem, quase impossíveis. O pior de tudo é que a frente fria que teoricamente jogará as mínimas bem abaixo dos 10 graus aqui em São Paulo deve chegar hoje, nas próximas horas, de modo que amarguei esses dias de febre e prostração com sol e 27 graus lá fora. Só espero não sofrer uma recaída.

resultados

Fiz ontem os exames de sangue e urina que fazem parte do check up anual que realizo desde 2009, ano em que Flavito teve seu ataque cardíaco e eu fiquei sabendo que sofro de hipercolesterolemia familiar – ou seja, meu corpo produz muito colesterol pra caralho, de modo que os meus níveis só baixam tomando remédio de forma permanente, caminho que não pretendo trilhar tão cedo. Sei que um dia não vai dar mais, mas por enquanto vou adiando o máximo que dá.

Na média, os resultados não mudam e são sempre positivos – exceto pelo colesterol. Não me assusto muito porque dos 5 motivos causadores de infartos e acidentes vasculares cerebrais (descontando-se a variável “idade” aí), este é o único requisito que preencho. De resto, não sou obeso, não sou sedentário, não tenho hipertensão e não sou tabagista. Nível de stress também entra na conta, mas como é um parâmetro subjetivo, de difícil mensuração, considero o meu “baixo” só a título de curiosidade mesmo (não tenho dívidas significativas nem grandes responsabilidades, possuo muitos amigos, durmo bem, trabalho por conta própria, consigo equilibrar descanso e atividade profissional de maneira saudável).

Outra coisa que me tranquiliza nesse contexto é um exame chamado eco doppler, que serve para analisar o funcionamento e a estrutura das artérias, apontando possíveis defeitos e entupimentos. Fiz três vezes esse exame, sendo uma delas nas carótidas e outras duas no tique-taque em pessoa: o coração do Dido. Todas trouxeram o mesmo resultado: funcionamento normal, espessura normal, fluxo normal. Não tem placa de gordura depositada nessas veias e nem no meu coração. Pelo menos não AINDA.

Peguei o resultado dos exames na internet essa manhã. Que maravilha é isso, né? Até uns 10 anos atrás, talvez menos, o cara ia lá, coletava o sangue, aí uma semana depois, num horário xis, o cara tinha que voltar lá no laboratório pra buscar os resultados, e ainda sempre com aquele leve temor de que, por algum motivo, eles não estivessem lá (às vezes acontecia). Hoje em dia tu tira o sangue ao meio-dia e às cinco da tarde o hemograma já está pronto. Estudo do colesterol e outras coisas demoram um pouco mais, todavia entrei às nove e meia da manhã do dia seguinte no site do Lavoisier e já tava o exame completinho lá. Que alegria.

Entre os resultados dignos de nota do check up 2017 está uma expressiva redução no meu colesterol total, de 358 para 314 (12%) – sendo que o não HDL despencou de 306 pra 262 (14%).O HDL, por sua vez, se mantém estável, na casa dos 52, e o VLDL (que eu não sei muito bem o que é) também anda na base dos 18. Discreto recuo dos triglicérides, de 95 pra 89 (6%).

Digo que estes resultados são “expressivos” por um motivo muito importante: não fiz nenhum esforço específico para chegar neles. Não fiz dieta, não aumentei minha carga de exercícios, não tomei remédios. Simplesmente segui comendo de forma equilibrada sem grandes exageros (salada na maior parte dos almoços, sanduíches na maior parte das jantas, uma pizza, um burger, uma batata frita eventual a cada semana ou duas, muita água, frutas), continuei me esticando e fortalecendo duas vezes por semana no pilates (três anos completos em abril) e permaneci existindo, de maneira geral.

Enfim, que sucesso saber que rolou este recuo.

Tem que manter isso, viu? (note que digo com ênfase no viu)

Em notas relacionadas, o xarope é que as panturrilhas seguem incomodando. Será que as longas horas de sentagem ao compiuter finalmente cobraram um preço na forma da maldição popular conhecida como VARIZES deste que vos fala? Veremos. Tomara que não. Pelo que eu li parece que meio que não tem conserto. A ver.

boletim/diário

Tinnitus deu uma boa recolhida faz uns dois ou três dias, sem explicações muito claras. Incômodo, peso, espasmos e dores na panturrilha seguem perceptíveis, de forma intermitente. Possíveis consertos: para o tinnitus, sono mais regulado, após duas semanas dormindo às quatro e acordando às sete; para as panturrilhas: atividade física mais constante, períodos mais curtos sentado ininterruptamente.

Essa semana devo fazer exames de sangue e urina como parte integrante do meu check-up de 38 anos, que completo no próximo sábado. Infelizmente ainda estou pior que Zé Roberto aos seus 38 anos, mas ainda tenho dois para chegar ao meu objetivo real, posto que o Projeto Zé Roberto está mirado nos meus quarentinhas. Mesmo assim, ECG não indicou anomalias, meu IMC está abaixo de 22, minha pressão permanece em 12/8 desde que me conheço por gente, e uma eco-doppler do coração revelou que as principais veias de acesso ao órgão estão limpinhas (o que sempre é uma vitória levando em conta minha hipercolesterolemia familiar).

Prossigamos.

hipocondria rise

Que eu me lembre, nunca fui hipocondríaco até os meus 25 anos de idade, época em que encasquetei que uma inesperada sensação de plenitude na barriga era sinal de algum tipo de câncer gástrico. Após anos de exames inconclusivos e tentativas semi-fracassadas de tratar Síndrome do Intestino Irritável, uma endoscopia um pouco antes de eu completar 30 me revelou que o meu problema era, na verdade, uma miserável duma Hérnia de Hiato, que criava o ambiente propício para o surgimento de repetidas esofagites causadas por refluxo – quadro que explicava tudo que eu sentia.

Antes disso lembro de ter sofrido de caganeira crônica (uns dez anos), um mamilo inchado (cerca de um ano), coqueluche (alguns meses), acne pesada (uns cinco anos), excesso de ácido úrico (semanas) e até mesmo um episódio bizarro de cegueira temporária de um dos olhos (que se resolveu depois que adormeci na sala de aula) de forma intermitente durante duas décadas sem jamais me ocorrer que eu corria qualquer risco de vida.

Talvez por conta da ausência da fonte de pesquisa destrambelhada que pode ser a internet, eu associava menos qualquer um desses sintomas – ou vários deles – a algum quadro grave, mesmo quando era justamente esse o caso. Hoje em dia vivo num mundo diametralmente oposto: qualquer dorzinha na garganta = seis dias lendo todos os links em português e inglês que contemplem a descrição do sintoma. Como em 100% dessas pesquisas aparecem os termos “câncer” e “AIDS”, já meio que me convenci que não estou com câncer nem com AIDS – todavia isso abre espaço para estimar condições potencialmente piores, como a esclerose lateral amiotrófica, a fibromialgia, o Mal de Parkinson e outros tipos de disfunções cerebrais. Ao longo da última década já pensei sofrer dos mais variados tipos de carcinomas e demências. Sempre fiz exames pra caralho, nunca era nada.

No fundo, no fundo, estou plenamente ciente de que 85 a 90% dos meus sintomas são de fundo psicológico, e que as suas manifestações físicas são o que chamamos de efeitos psicossomáticos. Tem gente que diz que ter a consciência disso ajuda. Não sei se concordo. Na minha loucurinha particular, o melhor antídoto costuma ser o laudo da ressonância, da ecografia, do raio-x ou do hemograma salpicado da palavra “normal”. Normalmente meus sintomas, por mais severos que sejam, desaparecem por completo em até 24 horas após um médico encaixar em alguma parte de alguma sentença um “não tem nada.”

Até hoje a única exceção honrosa foi essa Hérnia de Hiato.

Isso e essa porra do tinnitus.

Que, por sinal, anda apitando mais alto que o normal já faz um tempinho.

Tomara que em algum momento diminua.

sintominhas do mês

Os espasminhos da panturrilha praticamente desapareceram, mas tenho sentido elas meio estranhas, às vezes, meio pesadas, as veias salientes. Um pouco de dor no alto da coxa, perto do quadril. Diarreia explosiva por seis dias seguidos sem um motivo claro. Volume do tinnitus aumentado. Não tudo ao mesmo tempo, nem por muito tempo.

Aposto largamente em ansiedade generalizada (e/ou alguma manifestação psicológica meio semelhante), mas, pelo sim, pelo não, melhor sempre se preocupar um pouquinho.

panturrilha

O sintoma do ano, pelo menos até aqui, tem sido o seguinte: incômodo na panturrilha. Do meio pro final do dia sinto a batata da perna mais grossa, mais pesada, mais rígida até. Não chega a doer, mas às vezes rola uma série de espasminhos, que eu às vezes estimo serem nervos, às vezes tendões, às vezes veias de variados tamanhos lutando contra compressões ou bloqueios.

Em grande parte pode-se diagnosticar esse quadro sem muito esforço ou mesmo necessidade de exame físico ou visual: eu passo muito tempo sentado. Talvez eu venha passando mais tempo do que o habitual por causa da tradução hercúlea que venho executando nos últimos sete meses. Talvez por causa do calor desse verão eu tenha bebido mais água, e talvez meu organismo esteja com dificuldade de aproveitá-la inteira, causando o acúmulo de líquidos responsável pela sensação.

Não sei.

Sei que estou torcendo pra chegar logo o outono e, junto com ele, temperaturas mais agradáveis, posto que meu escritório é o aposento da casa que mais esquenta (embora o sol bata mais nele durante os meses frios graças à orientação noroeste das janelas). Aí verei se o sintoma persiste, causando preocupação e gerando consulta médica, ou desaparece, me fazendo mergulhar na confortável negação que, não raramente, ajuda a vitimar homens jovens com doenças compridas.

A ver.