SPFW

Passei anos brincando, mas acho que no fundo eu sempre tive a mais absoluta certeza de que eu jamais desfilaria de verdade numa São Paulo Fashion Week, nem em nenhuma outra semana de moda em qualquer outro lugar do mundo, pret-à-porter ou alta costura, entretanto, no fim das contas, foi exatamente isso o que aconteceu, no último dia de agosto desse ano, contrariando todas as previsões e estatísticas, quando marchei de cabelo tingido de azul com giz, tatuagem de ideograma nsibidi na cara, vestindo um camisetão e uma bermuda meio saia da marca ideologica e esteticamente afrocentrada Cem Freio, como parte da potente e apoteótica performance de encerramento do evento, carregada de luzes e sons e discursos extremos, ocupando grande parte da área interna do Pavilhão da Bienal no Ibirapuera numa mistura de voadora com martelada na face.

Procurando informações sobre o nsibidi, o sistema de símbolos oriundo da região que hoje é o sudeste da Nigéria, utilizado nas peças da coleção e na maquiagem do rosto da rapeize, descobri que acabaram escrevendo no meu rosto, de modo totalmente espontâneo e aleatório, os ideogramas que representam os conceitos de “guerra” e “dois homens conversando”.

Não sei vocês, mas eu achei isso: trimmmassa.

maromba lateral

Hoje faz dois meses que aderi à prática de executar uma série de dez apoios (também chamados de flexões de braço) e outra de dez abdominais para cada hora trabalhando sentado. Os resultados permanecem extremos: minha produtividade segue em alta e a musculatura do meu torso, ombros e braços continua o seu processo de tonificação.

Procuro fazer os apoios sempre da mesma forma: lentamente, chegando o mais perto possível do chão, sem tomar impulso pra subir nem soltar o corpo pra descer, prestando o máximo de atenção possível na postura e no movimento. Os abdominais são sempre feitos com as pernas levantadas a 90 graus, mas eu vario a flexão do core. Às vezes meto uns oblíquos, às vezes estico as pernas intercaladamente (bicicleta), às vezes faço uns curtinhos pra arregaçar. Depende do dia.

Tenho trabalhado entre 5 e 6 horas por dia, o que se converte em 50 a 60 repetições de apoios e abdominais diários de segunda a sexta. Nos fins de semana eu costumo relaxar e, a menos que esteja trabalhando sentado, vou fazer no máximo umas três séries, geralmente só de apoio – mas ainda assim vou fazer.

Recentemente as rotinas de exercício entraram também na programação dos meus madrugames, tragos e longas sessões televisivas, mas aí as regras são bem mais frouxas. Hoje, por exemplo, meti uma prancha de mão de um minuto, zero apoios e zero abdominais. Todavia mais cedo teve: uma hora de pilates de solo potencialmente catastrófico para o amador, de modo que: tá valendo.

VEREDITO: RECOMENDO