malucaites devaneions

Hoje fiz o seguinte: um acompanhamento hora a hora da minha performance traduzindo.

Primeira hora: 4,5 mil toques (16h-17h)
Segunda hora: 5 mil toques (17h30-18h30)
Terceira hora: 7 mil toques (19h-20h)
Quarta hora: 4,5 mil toques (20h30-21h15)

Nos intervalos, realizei:

a) 3 séries de 10 apoios muuuuuito lentos, até bem lá embaixo, sem impulso, só na calistenia grossa + 3 pranchas de 30s a partir do final do último apoio;

b) o plantio de uma planta de folha dura e roxa, dessas que parecem de cera, após deixar quase um mês dentro de um pote com água pra ver se criava raiz (criou pra caralho);

c) supermercado, onde comprei três heineken, duas das quais bebi durante a quarta hora de trabalho do dia, motivo pelo qual provavelmente cometi ampla gama de erros de digitação, lógica e português nas últimas várias frases (não vou editar).

dando um upa na bateria

Já faz uns meses que a bateria do meu iPhone 5 vem enchendo o saco.

Não se trata de um aparelho propriamente novo: só comigo já está há 3 longos e intensos anos, e ainda por cima o adquiri na qualidade de usado, com pelo menos um bom ano de uso no lombo. Se tem algo que aprendi na minha curta experiência com aparelhos da Apple é que eles duram muito bem os primeiros dois anos, começam a se apertar entre o terceiro e o quarto e o quinto serve apenas como uma espécie de troféu maluco, posto que não apenas o troço fica lento e sem espaço pra nada como o sistema operacional para de se atualizar e um número crescente de aplicativos vai parando de funcionar.

De modo que estou plenamente consciente de que, não importa o que aconteça, 2018 será o último ano deste aparelho.

Enquanto isso, o troço vem dando uma série de pequenos problemas já faz um tempo, sendo o mais grave de todos: a bateria. Nessa viagem que fiz com minha mãe e meu irmão, com forte uso de GPS e da câmera, senti o tamanho do abraço: alguns dias chegou a morrer em menos de duas horas de uso.

(…)

Outro dia resolvi pesquisar alguma solução possível a curto prazo, enquanto não sobrava um troco esperto pra investir no aparelho que me acompanhará, no mínimo, pelos próximos cinco anos. Descobri que existe uma espécie de mandinga para “resetar” a bateria, fazendo com que sua duração se amplie. Como não era um processo muito complicado e eu não tinha muita coisa a perder, resolvi testar.

Funcionou muito bem.

A coisa funciona da seguinte forma: idealmente quando o seu iPhone atualizar o sistema operacional, use o celular até drenar inteiramente a sua bateria.

Quando o bicho apagar e implorar pra ser ligado na tomada, deixe-o descansar por mais 24h, uma vez que, pelo que li, quando o celular apaga a bateria ainda tem uma micro carguinha ali para uma série de operações elementares, e esse restinho só se esvai após pelo menos 24h de sossego.

Fechada a hibernação, plugue o bichão na tomada. Vai carregar por alguns minutos até ligar. Assim que ligar: desligue-o novamente e deixe carregando com o celular desligado.

Os caras falam em deixar carregando até atingir 100% de bateria (o que deve acontecer entre 3 e 4 horas) e depois MAIS CINCO HORAS, partindo do princípio que o 100% não indica que a bateria está inteiramente carregada, de acordo com a própria Apple. No meu caso, arredondei pra DOZE direto.

Quando finalmente terminar este último ciclo, pode ligar o celular, mas liga segurando o botãozinho de cima e o botãozão de baixo para promover o chamado RESET.

Se todos os passos forem executados do jeito certo, agora a bateria deve durar significativamente mais do que antes.

(…)

Na minha experiência, o ganho foi assoberbante.

Estava conseguindo manter o aparelho com carga por algo como 8h em espera, ou um máximo de 1h de uso e mais 4h ou 5h em standby.

Depois do reset da bateria, cada carga rende de 2h a 3h de uso e quase 12h em repouso, e mais de 20h em standby.

Achei uma BAITA dica.

Pra mim deu muito certo.

vicissitudes da tecnologia contemporânea

Estava há meses com um problema intermitente e razoavelmente incômodo no meu iPhone 5: a câmera não conseguia fazer foco de jeito nenhum.

Normalmente tudo que é preciso fazer para que isso aconteça é tocar na tela após aproximar ou distanciar a câmera do objeto, mas comigo não estava dando certo.

Hoje, pela primeira vez, resolvi jogar a dúvida no Google. Caí num post de 2015 num fórum qualquer. Li o que o reclamante escreveu e era exatamente o problema que eu tinha. Curiosamente não encontrei a resposta, só um monte de respostas à resposta dizendo “não acredito que algo tão simples resolveu o problema.”

Uns vinte posts depois, finalmente encontrei alguém citando a resposta original, que dizia tratar-se de um problema físico de desalinhamento das lentes do aparelho. A solução troglodita: dar um tapão nas costas do celular.

Foi exatamente o que fiz.

WORKED LIKE A CHARM.

Que alegria.

UPDATE: Como sempre me disseram, desde pequeno, alegria de pobre dura pouco, de modo que o truque funcionou apenas DUAS vezes, e agora não importa a pancada que eu dê, segue tudo borrado no visor. Quatro anos com o mesmo celular, tá chegando mesmo na hora de pensar em trocar de modelo.

pausita

Passei 27 dias viajando com a minha mãe e o meu irmão entre Portugal, Itália, França e Holanda entre o final de setembro e a primeira quinzena de outubro deste ano. Regressei nem fez uma semana ainda, estou retomando aos poucos meus ritmos físicos e mentais. Muito bom viajar, né? Mas muito bom regressar também. Estar aqui. Apesar de estar mau lugar, é muito bom lugar, o Brasil. Podia ser tão melhor. Enfim. Pretendo recomeçar a escrever aqui logo mais. Vou só organizar melhor uns pensamentos ali e depois volto pra despejar por aí. Já vai.

japan house

Confesso a seguinte ignorância aos amigos: não tenho a mais remota ideia do que seja a tal Japan House que abriu na Avenida Paulista há questão de alguns meses. Para manter a veracidade deste sentimento fumegando firme neste post, me omiti de visitar o site da instituição atrás de maiores informações. Tudo que eu sabia até então vinha dos depoimentos de amigos afirmando ser um lugar incrível, belíssimo e interessante. Nesta quinta-feira chuvosa e fria, aproveitando a presença de amigos do peito hospedados em meu lar, fomos conhecer o lugar e confirmar as impressões.

Possui, de fato, uma arquitetura e estrutura lindas, típicas de museu europeu. Tudo é muito branco, cheio de aço e madeira. O lugar é limpíssimo e silencioso, beirando o sacro. Instalações artísticas e exposições delicadas e minimalistas espalhadas pelos andares. Um bom restaurante (assinado pelo Jun Sakamoto), um gift shop com produtos japoneses impressionantes a preços impossíveis (entre os quais um braço robótico, garrafas de saquê de 2 mil reais e um conjunto de algo definido como “copo muito fino”, que supostamente causa a impressão de se estar segurando o líquido com as próprias mãos, embora pra mim eles pareçam mais grossos do que qualquer copo de cristal alemão disponível na cristaleira das vós mais tradicionais do sul do país) e um café honesto, ladeado por uma linda estante repleta de volumes japoneses ou sobre o Japão que podem ser consultados à vontade, embora não estejam à venda.

Todavia, o que realmente me deixou FLABBERGASTED, como dizem os bretões, foi o banheiro.

Não é mais preciso viajar até o Japão para ter a experiência complexa de cagar num daqueles vasos tecnológicos que a gente vê os artistas se impressionando nos filmes. Este do qual usufruí oferecia duas opções de jato de água (frontal e traseiro), com controle de intensidade e frequência (pulso ou constante). Já fiquei impressionado de cara com a MIRA do bagulho: me acertou em cheio no cu. Primeira coisa que me veio à cabeça foi o clássico do jungle Super sharp shooter, do DJ Zinc, que ouvi este fim-de-semana, no b2b do Marky e do Andy, perto das oito da manhã, após noite fortíssima envolvendo Dillinja e Bryan Gee.

Dei uma brincada com os controles e obtive imensa alegria anal. Quando julguei que já tinha tido o suficiente, apertei o botão de SECAGEM, o que promoveu uma sensação bastante curiosa nas entrefelfas do Didão. Parecia que o vaso havia sido tomado por uma porção gentil de água morna e turbulenta e, por cerca de um segundo, julguei ter feito alguma coisa errada (ou estar sentado desgraçadamente num vaso com defeito). Ao constatar, todavia, que meu saco não estava molhado, abri um sorriso satisfeito e deixei que o ar quente terminasse seu serviço em paz.

Pode até não ter sido a cagada da minha vida – muito longe disso -, mas que experiência cultural forte foi essa. Recomendo a todos que façam o mesmo.

Em tempo: se quiserem antes disso comer no Junji Sakamoto, que fica no mesmo piso, deixo o conselho de não pedirem o sushi. Não que seja ruim: pelo contrário. A questão é que é muito caro pra caralho. São 129 reais por 12 peças (embora tenha rolado um chorinho com 4 uramakis), e apenas 2 estavam realmente excepcionais. As outras peças (de peixes como beijupirá e olho de boi) estavam ok, na média dos bons restaurantes de sushi da cidade.

Bom mesmo são os pratos quentes. Não provei o tonkatsu karê, mas a merluza estava espetacular (periga ter sido o melhor peixe que já experimentei na vida) e o sukiyaki assoberbante. Embora não sejam exatamente baratos (entre 72-95 reais), compensam muito mais pelo volume e sabor dos alimentos. Se voltar algum dia, certamente optarei por um prato quente.

De todo modo, que boa experiência é a Japan House. Em visita à São Paulo, considere conhecê-la. Além de tudo é grátis.

reinaldo, de salto

Quando me mudei para São Paulo, cinco anos atrás, não aderi instantaneamente a uma linha local de telefone. Minha conta era, então, de R$ 63, e os planos mais suaves equivalentes na capital paulista naquela época me exigiam o dobro. Portanto: posterguei. Só adquiri número de celular com DDD 011 depois da Copa de 2014, se não estou enganado. Fui até procurar e tru dat: só o fiz no final de janeiro de 2015. Enfim.

O número novo tinha um passado, de forma que herdou alguns penduricalhos interessantes, como o fantasminha de uma ex-cliente da Vivo chamada Silvana. Recebo de 3 a 5 spams via SMS destinados a ela toda semana. Eventualmente alguém me liga oferecendo Nextel ou cobrando carnê da Casas Bahia, mas fica nisso.

Todavia o novo número também me trouxe o Seu Reinaldo.

Poucos dias após ativar o telefone, recebi a primeira ligação. Acho que devo ter sido bem seco, quem sabe até meio grosso, quando vi o DDD 012, ouvi o sotaque do interior (o erre de borracha do Nhô) e disse que aquele número não era do fulano (cujo nome agora me escapa). Ele ligou uma segunda vez, na sequência, e eu o frustrei novamente. Na terceira cogitei simplesmente não atender, mas fiz exatamente o contrário. Já tinha ficado muito evidente que era apenas um senhorzinho humilde num cafundó rural deste Brasilzão tentando entrar em contato com alguém. Devia ser alguém importante pra ele, já que estava ligando pela TERCEIRA vez para o número errado, apesar de ter sido informado disso desde a primeira. Resolvi ajudar.

Tivemos uma longa conversa. Tratava-se de um sujeito chamado Reinaldo, que habita a cidade de Salto/SP. Até que não é uma cidade tão pequena (130 mil habitantes). “Fica aqui na região de Itu”, ele sempre reforça. Estava tentando falar com o filho. Que não mora em São Paulo, mas sim em alguma outra cidade do interior paulistano – que eu também não lembro qual é. O lance inesperado é que o número do telefone do seu filho era exatamente igual ao meu – exceto pelo DDD. Que coisa.

Foi legal ter feito isso. Digo, ter tido a chance de fazê-lo. O cara podia simplesmente não ter mais ligado, ou descoberto de alguma outra forma como entrar em contato com o filho (não era nada grave, aliás). Lembro que depois de descobrir que o filho morava em outra cidade, procurar no Google o DDD equivalente a ela e ensinar pra ele como fazer a ligação, Reinaldo ficou transbordando de felicidade. O cara dava gargalhadas de alegria, estava mesmo muito grato que um completo estranho tivesse parado tudo que estava fazendo para ensinar um outro completo estranho a ligar para o seu filho. Ficou me agradecendo uns 2 minutos, me disse que quando eu estivesse pros lados de Salto era só falar com ele que, aquela coisa toda. Nos despedimos, desligamos, beleza.

Só que a história não termina assim.

It LINGERS.

Volta e meia, Reinaldo ainda se atrapalha e liga por engano. E, embora eu ainda não tenha me ligado de acrescentar o nome dele aos meus contatos, quando ele começa a rir depois que eu digo que é o André eu também já sei que é ele quem tá falando. Sempre trocamos uma ideiazinha. Agora ele já sabe o que fazer pra ligar pro filho dele, mas, mesmo assim ainda gasta uns segundinhos de conversa pra perguntar de mim e da minha família, dizer que com ele tá tudo bem, e reforçar o convite pra visitá-lo em Salto algum dia. Um desses anos aí, não sei qual foi, ele chegou a me ligar no Natal ou Ano Novo, também. Última vez que ele ligou faz uns três dias. Depois de falarmos por uns 3 minutos pensei o seguinte: nunca tinha feito um amigo por TELEFONE na vida. Que coisa inesgotável que é.

rapidinhas da madruga

Outro dia criei uma senha fácil de lembrar, porém difícil de escrever, posto que é uma frase comprida cujas palavras são compostas de letras posicionadas de formas esquisitas, obrigando o vivente a demonstrar uma certa destreza digital na hora de completar o formulário. Agora: que merda se o cara se bobeia por um décimo de segundo e erra uma letra na digitância: tem que apagar tudo e começar de novo.

(…)

Pior vida atualmente: a desse maluco que era pra ser o apresentador do Troca de Passes, no SporTV, mas deu o azar​ de terem colocado o Roger no programa com ele – que aí não tem muito jeito, Roger é muita manha, lábia e carisma, ele rouba a cena 100% das vezes, come o cara com farinha, e quando botam na bancada junto com ele o Ricardo Rocha chega a ser covardia, dá pra ouvir os ossinhos do cara estalando enquanto os dois boleiros mastigam.

(…)

Tive um sonho meio confuso e claustrofóbico de uma festa – como são todos os meus sonhos que se passam em ou contém uma festa – e aí no semifinal (o ato penúltimo) rolava uma bad, as luzes se acendiam e eu perdia meu celular, aquela sensação de merda de quando tu acaba de constatar que perdeu uma coisa, especialmente quando é uma coisa que tava contigo até um segundo atrás, que tu cuida bastante, enfim, que merda, só que aí um segundo antes de acordar eu encontrava o celular debaixo de uma mesa de madeira escura, tinha uma toalha em cima, e portanto quando acordei eu tinha um sentimento de satisfação ou completude me inundando a cuca, diferente da frustração com a qual eu costumo acordar quando me acontece o contrário e eu não consigo encontrar uma pessoa, um lugar, uma coisa que se perde de mim no meio do sonho. Mas ruim mesmo é quando tu acorda sem lembrar do teu sonho e passa o dia inteiro com esse sentimento xarope no fundo, sem saber nem poder contra-atacar. Aí it’s a fuck.

(…)

Fui num vascular essa semana ver se estava mesmo desenvolvendo varizes e não é que as veias resolveram diminuir grotescamente de calibre bem no dia da consulta? A favor do acaso vamos levar em conta que fez frio pra caralho (9 graus com sensação térmica que arranhou o 1), os vasos se contraíram e, quem sabe, andei exagerando.

(…)

Também tem mais uma coisa: no fim das contas funcionou pra caralho aquele lance de meter 10 apoio e 10 abdominais pra cada hora trabalhada. Aconteceu uma coisa maravilhosa: o fato de estabelecer uma janela de tempo determinada de trabalho entre uma sessão de exercício e outra aumentou MUITO o meu foco, fazendo com que minha produtividade simplesmente TRIPLICASSE. Na verdade, em termos de volume ela continua exatamente igual, mas reduzi de 15 para 6 horas diárias meus turnos de trabalho – o que é um resultado bastante significativo tanto em termos mentais quanto físicos: como fico menos tempo sentado, exerço menos pressão nas pernocas do Dideira e posso avaliar com mais segurança se as veias inchadas e a sensação de peso nas pernas foram algo transitório ou uma condição crônica incurável (embora perfeitamente tratável). A ver.

física?

Talvez o salto de compreensão mais importante do universo que tive nos últimos anos foi o de perceber, de forma definitiva e inescapável, que o que existe entre o seu nariz e o nariz da gata que logo mais irá beijar, este mesmo espaço por onde se deslocam os pássaros e os aviões, não é, de fato, um espaço, e sim um FLUIDO, onde estamos todos nós imersos, o tempo todo, desde sempre.

Fora isso, acho um ótimo exercício mental tentar compreender isso – e também a forma como o tempo e a velocidade se apresentam de formas radicalmente diferentes em diferentes escalas (uma formiga correndo freneticamente ainda chegará muito depois de um elefante arrastando-se morosamente pela mesma superfície).

pull up

Não voto desde 2002 e, mesmo naquela ocasião, votei bastante receoso após ter visto o Lula subindo no palanque abraçado a vários inimigos clássicos. Mesmo reconhecendo que os seus dois governos tenham, de fato, promovido avanços louváveis em diversas áreas, nunca mais consegui assinar embaixo de nenhum projeto político. Nunca me desceu bem esse papo de que as alianças eram “pela governabilidade”, e tudo ficou ainda mais terrível a partir do episódio do Mensalão e todos os demais escândalos que foram piorando em grau exponencial desde então, chegando a esse estado de caos absoluto, em que nada faz mais o menor sentido desde, pelo menos, outubro de 2014.

Vários amigos me repreendem ferozmente quando encho a boca pra dizer que não voto. Acham que estou abrindo mão de algum direito sagrado conquistado com muita luta, pensam que estou me alienando de processos que me afetam independentemente da minha participação. Respeito a opinião de todos, mas ainda não consegui encontrar um bom argumento a favor de exercer minha cidadania desta forma – pelo menos não do jeito que o sistema é estruturado. Atualmente, eleger uma pessoa é basicamente passar um cheque em branco, uma procuração total. Não há nenhuma contrapartida. Tu me pede o voto, eu te dou o meu voto, tu te elege e fim: tu não precisa fazer mais nada. É como se alguém me contratasse pra traduzir um livro, me desse um prazo, no final desse prazo eu não entregasse nada, ou só uns dois ou três capítulos e, mesmo assim, eu não apenas não perdesse o meu trabalho como ainda ganhasse o dinheiro combinado no início – e com chances de, num futuro próximo, ser comissionado para uma nova tradução.

Semana passada descobri uma ferramenta que a Folha de São Paulo criou para monitorar as promessas de campanha de João Dória, disparado o pior prefeito de São Paulo de todos os tempos – e ele mal tem seis meses de mandato. O jornal contou 118 promessas das quais, até agora, João Trabalhador honrou apenas DUAS – o aumento da velocidade nas marginais (que aumentou grotescamente o número de acidentes, inclusive com mortes) e a liberação para tráfego de veículos num trecho de uma via anteriormente fechado (e que ele só reabriu porque leva da sua casa até a sede da prefeitura).

Buenas.

Meu ponto é: não existe absolutamente nada que obrigue nosso gestor (ou qualquer outro ocupante de cargo eletivo, diga-se de passagem) a cumprir as 118 promessas de sua campanha. Há casos abundantes de deputados que estão no quinto ou sexto mandato e que, nesses vinte ou trinta anos no congresso, jamais aprovaram um projeto relevante sequer. O mesmo certamente se aplica a senadores, prefeitos, vereadores, governadores e afins.

Daí eu penso o seguinte: é pra isso que serve meu voto? É por isso que ele é tão importante?

Minha posição nesses últimos anos tem sido: só volto a participar da festa da democracia no dia em que o sistema obrigar o queridão que se propõe a ocupar um cargo público a protocolar um número mínimo de promessas que terá um prazo determinado para cumprir. O não cumprimento das promessas dentro dos prazos levaria, naturalmente, à perda do cargo. Aí a coisa começa a ficar mais equilibrada. Tu vota no cara com a garantia de que ele vai se esforçar para fazer o que prometeu e, se não fizer, vai ter que desocupar a moita para que algum outro faça.

Todavia, ninguém parece perceber isso.

No meio de toda essa grita por DIRETAS JÁ que anda rolando, as pessoas estão muito preocupadas em votar novamente nos mesmos caras, que vão seguir (quase) as mesmas regras, nos contando (quase) as mesmas mentiras (a mais pesada de todas, e que quase ninguém questiona: o seu voto é importante). Ninguém fala em mudar as regras, em mudar o sistema, a estrutura. Loucura, já disse alguém, é fazer sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes. Do modo que eu vejo a realidade, tem muita gente muito louca por aí.

Sei muito bem que nem o meu voto nem a minha opinião (1 entre milhões) importa. Nem pra mim e nem pra ninguém. Então prefiro continuar viajando nos dias de pleito e justificando ausência enquanto conheço algum colégio obscuro num bairro remoto qualquer, ou simplesmente me dirigindo à minha zona eleitoral original pra meter um nulo ou branco malandro pra me eximir da sensação de gado feliz entrando no corredorzinho pra levar marretaço na cuca.

Infelizmente vai seguir assim, até o dia em que alguém entrar numas de criar regras para que as pessoas que mais deveriam trabalhar neste (e em qualquer outro) país efetivamente trabalhem.

grêmio eterno

Uma coisa que sempre me impressiona nos comentaristas de futebol – principalmente do centro do país, mas não apenas – é a insistência em afirmar que o time do Grêmio a) é violento; e b) tem como ponto forte a bola aérea. Mas meus amigos: vocês não veem que, a cada DOIS ANOS, na pior das hipóteses, os jogadores não são mais os mesmos, que o técnico não é mais o mesmo, que a diretoria não é mais a mesma? Que eu saiba não existe um manual ou um estatuto do Grêmio que dite que todos os seus times precisam se destacar pela qualidade da bola área e pela severidade na marcação. Quem torce pelo Grêmio nos últimos 20 anos está careca de saber que não temos um lateral de qualidade desde o ARCE – e nos falta um cabeceador de talento, pelo menos, desde o JARDEL.

Ou seja, evidente que essa idealização de um Grêmio violento e cabeceador é culpa e herança do saudoso Grêmio de 1995, pilotado pelo Felipão, que tinha uma zaga séria e um jagunço como cabeça de área (pra justificar a violência) e um dos maiores cabeceadores da história do cabeceio lá na frente.

Só que isso aconteceu há VINTE E DOIS ANOS.

Sério, basta olhar o Grêmio desta temporada: toque de bola, 80% dos gols com os pés e baixo número de cartões. Não faz o MENOR sentido insistir nesse papo do futebol violento e aéreo do tricolor dos pampas. Mas estou certo de que vamos ouvir essa ladainha por muito tempo ainda.