SPFW

Passei anos brincando, mas acho que no fundo eu sempre tive a mais absoluta certeza de que eu jamais desfilaria de verdade numa São Paulo Fashion Week, nem em nenhuma outra semana de moda em qualquer outro lugar do mundo, pret-à-porter ou alta costura, entretanto, no fim das contas, foi exatamente isso o que aconteceu, no último dia de agosto desse ano, contrariando todas as previsões e estatísticas, quando marchei de cabelo tingido de azul com giz, tatuagem de ideograma nsibidi na cara, vestindo um camisetão e uma bermuda meio saia da marca ideologica e esteticamente afrocentrada Cem Freio, como parte da potente e apoteótica performance de encerramento do evento, carregada de luzes e sons e discursos extremos, ocupando grande parte da área interna do Pavilhão da Bienal no Ibirapuera numa mistura de voadora com martelada na face.

Procurando informações sobre o nsibidi, o sistema de símbolos oriundo da região que hoje é o sudeste da Nigéria, utilizado nas peças da coleção e na maquiagem do rosto da rapeize, descobri que acabaram escrevendo no meu rosto, de modo totalmente espontâneo e aleatório, os ideogramas que representam os conceitos de “guerra” e “dois homens conversando”.

Não sei vocês, mas eu achei isso: trimmmassa.

minha teoria sobre o lhc

O Large Hadron Collider (LHC) é o maior acelerador de partículas do mundo.

Trata-se de um túnel de 27 km de circunferência, enterrado a 175 m de profundidade, na fronteira entre a França e a Suíça. Foi construído basicamente pra por à prova várias teorias muito extremas da física jogando uma partícula muito pequena em alta velocidade contra outra partícula muito pequena pra que elas colidam e se quebrem em pedaços ainda menores. Uma rapaziada científica da pesada detecta a presença desses pedaços menores e das energias produzidas no impacto e, a partir disso, tira conclusões.

Mais ou menos é isso.

Eu, todavia, sempre me liguei na possibilidade (pelo menos dentro da física teórica forte) de que a fissão de partículas tão pequenas pudesse gerar energias tão sutis que seriam capazes de atravessar não apenas as paredes do túnel como também a crosta terrestre, nossa atmosfera inteira, e se projetar no espaço, infinitamente, afetando de forma profunda toda a estrutura do universo. Ninguém sabe as consequências disso. Talvez sejam inócuas. Talvez sejam capazes de promover algum tipo de ruptura no tecido tempo-espaço capaz de extinguir a existência. Ninguém sabe.

Eu tenho a seguinte teoria: desde que ligaram o LHC, e ele começou a funcionar, no final de 2009, essas microvibes muito profundas estão avacalhando de forma sutil porém intensa o tecido tempo-espaço sem, contudo, destruí-lo. Pelo menos por enquanto. O resultado é aquela imagem da ponte sendo destruída pela ressonância: balançando primeiro de leve, depois mais forte, até que se esfarela completamente.

Isso se traduz no nosso dia-a-dia da seguinte forma: com a ocorrência de saltos aleatórios na realidade. Ao chacoalhar as menores sub-partículas que formam a matéria, os eventos aleatórios vão aumentando de forma exponencial no micro-mundo da matéria. Isso, naturalmente, tem reverberações no nosso mundo e no macro-mundo da matéria, o universo. Tudo sacode. O universo é uno, e vibra junto.

Em outras palavras, nada mais é impossível. Tudo pode acontecer. Prestem atenção. Em muitos níveis, prestem atenção. Tem acontecido cada coisa improvável, vocês não acham? Eu acho. Vocês acham que isso é de graça? Eu não acho.

desliguem o LHC

Acabo de ver um jogador do Criciúma fazer um gol de bicicleta e em seguida comemorar mandando um MOINHO DE VENTO, tudo isso num jogo da Série B do Campeonato Brasileiro 2017, perto das onze da noite de uma sexta-feira.