minimicroreviewing

DEAR WHITE PEOPLE: Inteligente, divertida, com boas sacadas narrativas, personagens carismáticos e debates interessantes (especialmente quando as personagens negras se irritam quando um personagem branco usa a famigerada N-WORD ao cantar uma música, sem se dirigir a ninguém em específico, gerando uma grande confusão). GOSTEI MÉDIO.

MOONLIGHT: Lindo e sensível ao mesmo tempo que é meio xarope e vazio. Tem ótimos momentos, mas também tem falhas muito gritantes. Talvez eu tenha chegado com uma expectativa muito inflada, mas fato é que me decepcionei um pouco com o conjunto. NÃO GOSTEI MUITO.

NINFOMANÍACA I & II: Vários problemas terríveis de verossimilhança, alguns maneirismos esquisitos, porém, na média, filmaço. Achei que ia achar uma bosta, de modo que foi ainda melhor chegar ao fim considerando decente (apesar do final ter cagado um pouco no meu coração). GOSTEI BEM.

JOGOS DA DUPLA GRENAL ESTE ANO: Primeira vez em mais de vinte anos que um time do Grêmio não me deixa nem com vergonha nem com raiva, o que é um grande feito. Mal dá pra acreditar. Ao mesmo tempo, sendo gremista há quase 40 anos, sei muito bem que sempre é melhor desconfiar. Quanto ao Colorado, rapaz, que coisa medonha. Outro dia tiveram que dar QUATRO pênaltis pros caras não empatarem com o Náutico (que ainda não tinha feito gols na competição) em casa. GOSTANDO DEMAIS.

microreviewing #3

Nesta edição especial, Zerando a Fila do Netflix:

First Contact: Lost Tribe of the Amazon: Bastante impressionante esse curto documentário (49 min) mostrando os primeiros contatos de duas tribos que passaram milênios isoladas no meio da floresta amazônica na fronteira do Brasil com a Bolívia, mas que agora estão sendo obrigados a fazer a parceria com o homem branco. Duas coisas que me chocaram demais: como uma população humana que jamais teve contato com outra sorri para mostrar satisfação e abana com a mão para se despedir de alguém. Não fazia ideia de que eram gestos universalmente humanos. Classificação: LEVEMENTE ASSUSTADOR NÍVEL OLHAR PRA FOTO DO COSMOS.

Friday: Lembro de ter visto muito tempo atrás e gostado bastante, mas, ao rever vários anos depois, atesto que envelheceu mal. Em tese é um stoner movie situado em South Central L.A. em 94-95, mas só vale mesmo se o cara for (que nem eu) herbalista e muito fã de cultura negra americana, sobretudo a que se desenvolveu no universo dos anos 90 (hip hop golden era). Apesar do roteiro meio chutado, ainda vale pelas atuações de Chris Tucker e John Witherspoon (que todavia está melhor na continuação – o filme teve DUAS). Classificação: IF YOU CAN’T TAKE THE HEAT GET YOUR ASS OFF THE KITCHEN.

XOXO: De tempos em tempos creio ter me deparado com o pior filme de todos os tempos, e essa posição fica assegurada por um bom tempo – até que aparece um desafiante disposto a tomar o trono. Foi exatamente o que aconteceu aqui. Tem tanta coisa errada nesse filme que eu não sei nem por onde começar. O roteiro é inacreditavelmente ruim, os diálogos terríveis, personagens mequetrefes, e ainda por cima tudo acontece numa rave de EDM (em sua nova interpretação, sinônimo de música sem alma feita por e para millenials). Mas o pior de tudo é que não dá pra parar: tudo é tão absurdamente horroroso que o cara tem que ir até o fim ver onde aquilo vai dar. Classificação: MELHOR NEM COMEÇAR.

Why Sharks Attack: Por mais improvável que pareça, bom especial de TV sobre os motivos que estão levando tubarões a nadarem muito mais próximo da costa americana nos últimos anos – e também as diversas técnicas malucas que estão empregando para repeli-los, que incluem mecanismos sofisticados que emitem pulsos eletromagnéticos e cilindros cobertos com tecidos listrados, para imitar a venenosíssima serpente marinha da qual esses majestosos animais se cagam de medo. Classificação: BOM ENTRETENIMENTO DESCOMPROMISSADO.

The Hunt: Inaugura uma nova categoria de conteúdo televisivo, a “distração de fundo”. Como a série compila dezenas de imagens muito impressionantes de animais caçando e fugindo uns aos/dos outros na natureza em câmera lenta, é algo que pode apenas ficar passando na sala enquanto se pensa melhor no que assistir, ou se mexe no celular ou se come uma pizza, posto que não é necessário ficar o tempo todo concentrado no que está acontecendo. Quando rola um momento mais encarnado tu dá uma olhadinha, quando fica só aquelas imagem de gnu pastando e macaco caindo de árvore tu vai na geladeira e pega mais uma cerveja. Classificação: MAIOR QUE LAREIRA.

Easy: A grande surpresa do fim-de-semana. Que excelentes demais os 5 primeiros capítulos desta série de 8, produzida pelo Netflix. São histórias independentes, com personagens que às vezes se conectam a personagens de histórias anteriores (posto que todos moram em Chicago), às vezes não, todas tratando de dramas, questionamentos e problemas que atingem a faixa dos trinta e muitos. Falta de grana, escolhas erradas na vida profissional, dificuldades sexuais em relacionamentos longos, vegetarianismo, os limites da arte e da privacidade nos nossos tempos: tudo está lá, retratado quase sempre de maneira incômoda e muito eficiente. Classificação: VEJA FELIZ ATÉ O 5, OS TRÊS ÚLTIMOS SÃO UMA MERDA.

micro reviewing #2

MasterChef Brasil: A quarta temporada mal começou, então qualquer avaliação feita agora certamente seria extremamente precipitada, mas, mesmo assim, vou dar o seguintes pitacos baseado no que presenciei no primeiro episódio: a) me pareceu que os jurados agora tem mais falas escritas previamente em vez de declarações espontâneas, o que pode ter sido apenas uma impressão, mas se acabar se confirmando representará enorme tristeza; b) a bateria de testes preliminares que basicamente serve pra rir duns caipiras esse ano não foi tão rica em coiós quanto nas edições anteriores, exceto pelo coitado do gaúcho que foi lá todo pilchado dançando chula ser humilhado assando frango com maracujá e abacaxi com canela em rede nacional. Classificação: ASSISTIREI DO MESMO JEITO.

Pesadelo na Cozinha: É a versão nacional do Kitchen Nightmares, aquele programa em que o Gordon Ramsey vai nuns restaurantes fracassados, fala que o lugar é feio, a comida é uma merda, o dono é burro, depois torra uma grana preta do patrocinador pra resolver todos os problemas e (geralmente) termina numa cena redentora com adulto chorando e instrumental florido bombando no allegro. No Brasil quem pilota o circo é Eric Jacquin, com resultados evidentemente excelentes. Não dá pra negar que o gordão é carismático, o formato é muito redondinho e as personagens escolhidas (no episódio que vi, ao menos) compensam demais o investimento. Forneceu bom drama e excelente comédia – única coisa que eu achei sacanagem foi que pagaram um publicitário lá pra batizar o restaurante do cara de ZIO, embora a pronúncia fosse TIO (nenhum sentido), e ainda enfiaram coelho no menu, sendo que o próprio chef (e dono) havia dito que os clientes reclamavam de CEBOLA no RISOTO. Classificação: ENTRETENIMENTO ENLATADÍSSIMO EMBORA EXCELENTE.

UFC Fight Night 106: Já faz um tempo que não acompanho UFC com o mesmo afinco de 5 ou 6 anos atrás, mas sempre que tem alguma luta potencialmente interessante no card (uma época eram as do Johnny Hendricks, uma época eram as do Zé Aldo; mais recentemente Werdum e Amanda Nunes) eu ainda gasto uma retina no coliseu contemporâneo. Essa edição realizada em Fortaleza e transmitida pela Globo foi das melhores em muitos anos. Logo no começo já teve um maluco chamado TRATOR, um baixinho atarracado muito extremo que caiu pra dentro do adversário (um carecão 30cm mais alto que ele) gritando e socando muito forte sem parar o tempo todo por mais de um minuto. Mais tarde, boa luta de Edson Barboza, o cara com os movimentos mais bonitos do UFC. O maluco luta desde os 9 anos de idade, de modo que tiro MUITO o chapéu pra quem conseguir derrubar (não foi o caso essa noite). Em seguida, Shogun em grande forma performando a tradicional briga de urso e, pra encerrar com chave de ouro, o nocaute (sempre merecido) de Victor Belfort, que deveria ter se aposentado depois daquele tiro de meta que o já claudicante Anderson Silva cobrou na cara dele em 2011. Classificação: SANGUE E PORRADA NA MADRUGADA (VÊ QUEM CURTE).

Big Brother Brasil 2017: Periga ser a melhor edição do reality show depois das estreladas por Diego Alemão e Marcelo Dourado (the second coming), posto que esse ano abandonaram definitivamente os chamados “futuros ex-BBBs” (gostosas, bombados e exibicionistas capazes de tudo pela fama) em prol das “pessoas comuns” (todo o resto). Outra característica que tornou o casting desse ano particularmente atraente para mim é o fato de que mais da metade dos participantes está situado na minha faixa etária (37+), ficando a maior parte do tempo, como bons macacos velhos que são, apenas apaziguando, relativizando, confabulando, botando os jovens para brigar entre si e administrando o prejuízo só na elegância e na malandragem. Salvo engano, todavia, quem deve faturar o milhão e meio este ano é Emilly, gaúcha de 20 anos de idade do sub-tipo “pinscher”, bonitinha e infantil, porém braba e tinhosa, capaz de manipular tudo e todos com seus trejeitos ardilosos. Classificação: SÓ NÃO ASSISTI O BBB DAQUELE RAFINHA EMO PORQUE FOI UMA MERDA, OS OUTROS TODOS ADOREI.

o.j. simpson vs. a teoria do churrasco

Comecei a assistir esse fim-de-semana a essa série da Netflix com o Cuba Gooding Jr. (mau ator), o John Travolta (mau ator) e o Ross, de Friends (pior ator) sobre o caso O.J. Simpson.

Estou gostando porque o tema me interessa e, além do mais, sempre curti muito essas versões ficcionalizadas de crimes e julgamentos nos Estados Unidos, mas o que mais me chamou a atenção até aqui não são as nem atuações fracas, nem o roteiro bom, nem a caracterização dos personagens (mediana).

O que me saltou aos olhos nesses primeiros 3 capítulos foi o formato.

Os episódios, que tem entre 45 e 60 minutos, são todos fatiados em blocos dramáticos de 10 a 12 minutos e encerram com uma tela preta que, em alguns casos, parece que fica preta por tempo demais. Além disso, todos terminam com um cliffhanger, ou seja, aquela situação inacabada de carga emocional elevada, responsável pelo saboroso gostinho de quero mais.

Vejo nesta divisão de conteúdo uma aplicação prática da minha Teoria do Churrasco™, que prega que a melhor forma de fazer alguém consumir conteúdo extenso nos tempos atuais é: compartimentando esse conteúdo extenso em uma sequência de blocos curtos.

Um seriado por si só já é um exemplo muito bom disso, mas quando as divisões de tempo se mostram tão evidentes dentro de cada episódio é sinal de que atingimos um novo patamar no tempo máximo que uma pessoa aguenta prestar atenção em alguma coisa.

Fiquei pensando se o tempo excessivo em que a tela fica preta entre um e outro desses blocos narrativos não seria justamente o tempo que o cérebro precisa para se resetar, tornando-se apto para absorver melhor o novo conteúdo que se apresenta assim que a imagem se ilumina. Levando-se em conta que foi feito pela Netflix, que costuma levar os algoritmos muito a sério, talvez esse palpite represente algo muito próximo da: verdade (senão a própria).

A ver.

micro reviewing #1

Mato sem cachorro: Apesar dos diálogos calamitosamente terríveis na cena do clímax, não é mau filme. Se tivesse sido feito por Hollywood seria a comédia romântica blockbuster daquele ano. Dito isto, claro que segue uma formulinha fácil, que dá uma cara constante de “já vi esse filme antes.” Mesmo assim tem atuações muito decentes, algumas ótimas ideias e boas cenas, com destaque para tudo que envolve a banda do cunhado do protagonista. Classificação: BOA COMÉDIA PARA O SUPERCINE.

Hells Kitchen Brasil: O programa de culinária mais brasileiro em exibição atualmente. É tudo brutalmente tosco: a apresentadora (que não sabe nem português direito, fala tudo errado, é inacreditável), os pratos, os participantes. No episódio que vi eles finalizavam um creme brûlée de chá verde com um origami de papel por cima. Basicamente, as pessoas estão competindo pra ver quem será o melhor cozinheiro de quiosque de praça alimentação de shopping do país. O resultado disso é que mal posso esperar pelo próximo episódio. Classificação: TERRIVELMENTE VICIANTE.

Os Capones: O mesmo velho e cansado formato inaugurado pelos Osbournes e levado à exaustão pelas Kardashians é agora usado para retratar os descendentes semi-diretos de Al Capone, um monte de gordão burro que mantém uma pizzaria nos Estados Unidos. A ideia até parece boa, mas é tudo tão fake e caricato, e os protagonistas e coadjuvantes são tão desprovidos de carisma que não chega a ter a menor graça. Classificação: DECEPCIONANTE PRA CARALHO

Animais Noturnos: Fui ao cinema sem saber absolutamente nada sobre o filme (minto: eu sabia que era dirigido pelo estilista Tom Ford) e saí bastante satisfeito. Pela premissa, parece o pior filme do mundo: ruiva madurona em crise da vida adulta lê o livro de um grande amor do passado. Mas na prática funciona muito bem. O livro do cara é excelente, e a tensão que a personagem experimenta lendo cada página é transferida de forma muito precisa para a telona. Sem contar que o filme é muito, muito bonito, ao mesmo tempo que é muito, muito pesado. Classificação: COMPREI UM CHAPÉU, COLOQUEI O CHAPÉU, TIREI O CHAPÉU