Uma coisa que sempre me impressiona nos comentaristas de futebol – principalmente do centro do país, mas não apenas – é a insistência em afirmar que o time do Grêmio a) é violento; e b) tem como ponto forte a bola aérea. Mas meus amigos: vocês não veem que, a cada DOIS ANOS, na pior das hipóteses, os jogadores não são mais os mesmos, que o técnico não é mais o mesmo, que a diretoria não é mais a mesma? Que eu saiba não existe um manual ou um estatuto do Grêmio que dite que todos os seus times precisam se destacar pela qualidade da bola área e pela severidade na marcação. Quem torce pelo Grêmio nos últimos 20 anos está careca de saber que não temos um lateral de qualidade desde o ARCE – e nos falta um cabeceador de talento, pelo menos, desde o JARDEL.
Ou seja, evidente que essa idealização de um Grêmio violento e cabeceador é culpa e herança do saudoso Grêmio de 1995, pilotado pelo Felipão, que tinha uma zaga séria e um jagunço como cabeça de área (pra justificar a violência) e um dos maiores cabeceadores da história do cabeceio lá na frente.
Só que isso aconteceu há VINTE E DOIS ANOS.
Sério, basta olhar o Grêmio desta temporada: toque de bola, 80% dos gols com os pés e baixo número de cartões. Não faz o MENOR sentido insistir nesse papo do futebol violento e aéreo do tricolor dos pampas. Mas estou certo de que vamos ouvir essa ladainha por muito tempo ainda.