Sem querer soar o hipster retrôzão da vinilzeira, mas meio que já soando: nessa última passagem por Porto Alegre resolvi dar uma garimpada boa nos discos do meu pai. Tinha um bom gosto fudido aquele polaco. Eu sempre soube disso, mas fuçando no acervo dele tive essa certeza renovada. Trouxe pra São Paulo uns 30, sendo que uns 7 ou 8 eram meus e do meu irmão: Faith No More, Michael Jackson, Guns’n’Roses e Legião Urbana. Entre os dele busquei Vincent Bell, Maha Vishnu, Isaac Hayes, Sarah Vaughn, Duke Ellington, Miles Davis, Gil, Caetano, Chico, Tim Maia, Marisa Monte, Djavan, Beatles, Burt Bacharach, Herb Alpert and the Tijuana Brass. E não veio nem 10% – Flavito tinha coisa pra caralho.
Nas próximas semanas, a ideia é sentar no chão, acender ou bebericar uns troço e ir ouvindo esses discos, pensando em escrever alguma coisa sobre o que acontece. Certamente suscitarão memórias profundas de criança. Só de olhar as capas de alguns deles já me vieram cheiros de chuleta de porco com abacaxi e cereja, o sol do inverno aquecendo um tapete branco e felpudo, a voz bonita, gentil e grave do Flavito explicando alguma coisa e fumando um crivo, o olhar vidrado, totalmente tomado pela música.
Os discos dele foram escolhidos com base em dois critérios: a) qualidade musical extrema; b) memória afetiva de infância. Durante os anos 80 e grande parte dos 90, Flavito ouvia MUITO esses discos, de modo que fazem parte, também, da MINHA trilha sonora. Grande parte dessa trilha está adormecida há anos. Não lembro qual foi a última vez que sentei pra ouvir um disco de vinil com meu pai.
Buenas, mas era isso.
Se nada der errado, começo a audição destes álbuns neste sábado – vulgo amanhã.
Veremos o que se apresenta.