só pra registrar

Sábado, às 10 da manhã, a bordo de um micro-ônibus, sentado ao lado do motorista e passando instruções com o GPS do meu celular, fui até um buffet em Mairiporã, em plena Serra da Cantareira, assistir a uma presbiteriana coreana casar com um judeu russo em cerimônia católica, a céu aberto, conduzida em coreano e inglês com forte sotaque coreano por um pároco que também é tio da noiva, e que veio diretamente dos Estados Unidos só pra isso.

A mãe do noivo, que é uma senhorinha russa com ares de Palmirinha, estava vestindo uma roupa tradicional coreana, assim como a mãe da noiva e algumas outras mulheres importantes da família. Apesar de usarem trajes ocidentais durante a cerimônia, assim que ela acabou, os noivos também se puseram em sensacionais trajes orientais maravilhosos inacreditáveis. Deu vontade de casar com uma coreana só por causa disso (e olha que a tarefa não é fácil; casar fora da comunidade – seja com alguém que não é coreano ou simplesmente não é da igreja – pode ser levemente dureza).

Em dado momento, um duo formado por parentes distantes da noiva cantou uma canção de inspiração católica em inglês e italiano, enquanto borboletas e insetos de cores variadas dançavam por entre os convidados – efeito acidental da natureza, claro, bem como o som do vento nas folhas, dos cachorros ao longe, dos sapos no lago e das cacatuas tropicais. Os noivos e suas mães despejaram areia colorida, em camadas intercaladas, num recipiente quadrado de vidro. O pai da noiva, com aspecto severo, fez discurso forte em coreano – que não foi traduzido e, portanto, compreendido apenas pela comunidade, que correspondia a uns 75-80% da plateia.

Uma coisa curiosa que observei sobre essa comunidade: aparentemente só assistiram à cerimônia sentados as mulheres, os muito jovens e os muito idosos; vários patriarcas extremos, que eu chamaria até de machos-alfa do bando, ficaram de pé, atrás dos bancos, trocando muita ideia em coreano e sendo cumprimentados com aceno de cabeça pelos jovens adultos que passavam por ali. Outra coisa que notei foi que: capricharam MUITO no almoço, estes amigões. Só prato de mudo, pedreiro style. Muito respeito.

De minha parte, não dei muita bola pras opções mais triviais do buffet, como o agnolini ao pomodoro, o filé ao molho madeira e o arroz branco, e me grudei foi na barriga de porco grelhada (Jah have mercy) e nas loucurinhas coreanas que, sendo 100% sincero, nem sei se comi do jeito correto. Digo isso porque as loucurinhas coreanas se dividiam em duas categorias: o sushi coreano, um enrolado de alga com arroz, bardana, tofu, pepino japonês, bolo de peixe e omelete; e uns acepipes coloridos com pinta de doce, consistência de chiclete e sabor indefinível. Apesar de se chamar kimbap (descobri depois pesquisando), o sushi coreano eu adivinhei o gosto que tinha, e meio que sabia como comer. Já as guloseimas chamativas eu não fazia ideia se existiam na condição de salgado ou doce, mas como havia uma área separada e exclusiva de sobremesas e essas bolinhas estavam ali entre a salada e a cumbuca de feijão, meio que chutei na primeira opção.

Um desses bocaditos louquíssimos, descobri pesquisando, chama-se songpyeon. Diz o texto desse site que são bolinhos de arroz gelatinoso recheados com pasta de castanha, o que descreve com precisão terrível o que comi. Era um bagulho bastante esquisito em todos os sentidos – aparência, aroma, textura e sabor -, e também não sei se ajudou muito eu ter me alimentado desse troço em conluio com a carne. De todo modo, não tive vontade de repetir. O mesmo vale prumas outras bolinhas coloridas (verde, amarelo e rosa) de textura mais macia, embora similar, cobertas por algum tipo de farofa salgada e recheadas com uma pasta marrom que deduzi ser feita de feijão. Tinham cara de doce e eram, de fato, levemente adocicadas. Também era um bagulho muito sinistro. Mas o mais nervoso de todos os bagulhos desse buffet era um PRISMA feito desse mesmo material glutinoso, metade verde, metade branco, com uma listra marrom no meio e grãos de feijão preto grudado às voltas. Parecia uma esculturinha de Durepoxi. Embora tivesse textura semelhante aos demais, tinha um gosto muito louco, difícil de entender e explicar e foi, disparado, o que menos me agradou. Uma mordida e eu já sabia que não era pra mim.

NOTA DO AUTOR: em pesquisa mais profunda (35 segundos de duração) descobri que essas guloseimas se chamam tteok, são itens indispensáveis de um cardápio festivo na Coréia e podem ser consumidas tanto como sobremesa quanto refeição. Sempre relembrando Mara Maravilha: não tem um só dia que se passe que você não aprenda uma coisa nova. Boto fé.

Destaque inesperado desse casamento foi um food truck tão paulistano que fora batizado de KOMBOSA, servindo vasta gama de sabores de milk shake, diversos deles com nomes engraçadinhos. Antes do almoço, por exemplo, me aproximei do estabelecimento e ordenei um LÁ VEM O NEGÃO só pra ouvir eles gritando bem alto, receita que levava chocolate em meia dúzia de estados físicos da matéria (creme, chip, farelo). Muito bom.

Após encerrar o último gole, me aproximei do bar e pedi um long island iced tea pra menina que preparava os coquetéis. Ela perguntou se eu já havia almoçado. Eu não havia almoçado, mas me sentia suficientemente alimentado pelo milk shake. Resolvi não mentir. “Não almocei porém sou adulto, sei que o drink é forte, tá tudo bem.” Ela achou que eu estava fazendo pouco do poder alcoólico da poção que estava prestes a mesclar, de modo que resolveu dar uma apimentada na nossa relação: “Tá achando fraco, é? Então vou te preparar um Adiós Motherfucker.”

NOTA DO AUTOR: Eu não tinha achado fraco.

Todavia, o camarada que preparava drinks ao lado da menina, antes que eu pudesse falar qualquer coisa já disse algo como “Nossa, não é nem uma da tarde e você já vai preparar o primeiro Adiós Motherfucker do dia?”, aparentemente desafiando a lógica, ignorando completamente o fato do casamento ter sido realizado de manhã. Meio sem paciência de dar muita trela praquela tchurminha, acabei embarcando em sua pantomima. “Beleza, vamos lá, faz aí teu drink,” eu disse pra mina, que começou a preparar a bebida, toda orgulhosa. O tal Adiós Motherfucker consistia de uma dose de vodca, uma de gim, uma de curaçao blue, uma de tequila e uma de cachaça. Not that big of a deal, se você me perguntar, mas enfim. Na sequência daquela conversa entreouvi esse mesmo camarada barman explicando prumas minas que o drink mais forte que ele já tinha criado se chamava ESTUPRO COLETIVO, mas aí eu meio que desliguei o cérebro e saí de perto porque tudo tem limite.

Não sei muito bem como encerrar esse relato, de modo que vou encerrá-lo desse jeito, com um parágrafo supérfluo, cuja única função é a de dar um fim digno a o que – pelo menos eu – estou considerando um bom texto. Portanto: FIM.

constância e consistência

Em 2009, quando mantive por cerca de um ano meu último blog, o Bugio, eu já tinha enfrentado obstáculo semelhante ao que enfrento agora, oito anos depois, nessa tentativa de retomar o hábito. Não sei se é porque estou mais velho e, portanto, meço mais minhas palavras; se o excesso de informações e opiniões na internet me dá a impressão constante de que tudo já foi dito e que eu não tenho mais nada a contribuir em nenhuma discussão; ou, mais provavelmente, uma combinação das duas coisas. Fato é que ainda não me animei a divulgar nas redes sociais a minha “volta” à escrita regular basicamente porque ela não tem sido constante nem consistente.

Umas duas semanas antes da minha última postagem pareceu que tinha engrenado. Mesmo com muito trabalho por conta da reta final da tradução de A Brief History of Seven Killings, eu vinha com disposição e ideias e estava postando com alguma regularidade por aqui. Imediatamente após o término do texto, todavia, graças a uma série de visitas aqui em casa combinado a um pequeno FARTÃO em relação às longas horas em cima do computador proporcionadas pela maratona de tradução, acabei deixando de lado esse espaço.

A ideia é retornar.

A parte boa de não ter divulgado nada é ainda não ter uma audiência e, portanto, nenhum tipo de pressão ou responsabilidade – por mais imaginária que seja. Consultando as ferramentas de acesso sei que, mesmo sem divulgação, possuo entre 50 e 80 leitores por dia (já descontando os robôs), mas como aboli a caixa de comentários (e ninguém me escreveu nenhum e-mail até agora), fica uma sensação de que falo com as paredes, o que tem sido muito bom pra destravar e desenferrujar na maciota. Sigamos assim mais um tempo. Vamos ver o que o futuro nos reserva.

tirando o chapéu

Moro num bairro bom de São Paulo, o que significa muita segurança, tranquilidade, limpeza e várias opções de lazer, embora, infelizmente, também venha acompanhado de uma dose generosa da mais pura verminose. Há um grande número de ricos nas cercanias, e isso faz com que seja possível observar todo tipo de cena triste, como garçom sendo mal tratado, aquela porra daquela caminhonete da Porsche desrespeitando sinal de trânsito e ainda se achando no direito e, principalmente, pessoas constrangedoramente vestidas com suéter com as mangas amarradas no peito, camisa polo bordada e mocassim sem meia.

Hoje, todavia, aconteceu um troço tão massa que fiquei até meio mexido, achando que, numa dessas, quem sabe, o ser humano ainda tem jeito.

Pois bem.

Almoço quase todo dia num lugar que convencionei chamar de GAUCHÃO. É o quilo mais barato do bairro (o que não chega a ser grande vantagem, já que todos os quilos num raio de até 1km do nosso lar aqui servem comida fresca, de muito boa qualidade, e esse é no máximo uns 3 reais mais barato que a média, por exemplo). Elegi este local não só pelo preço, mas, principalmente, pelo maravilhoso combo diferencial: a) os donos são gaúchos; b) eles possuem churrasqueira; c) eles sabem comprar e assar a carne.

Assim como eu, o ex-jogador William, com passagens pelo meu Grêmio querido e o Corinthians de vários amigos, costuma almoçar lá com muita regularidade. Um dos donos me disse certa feita que se trata de pessoa muito simples, acessível e de bom coração – o que já se pode verificar só pelo fato do cara almoçar quase todo dia num restaurante de comida a quilo de chinelo e bermuda.

Lá estava eu quase encerrando meu prato composto por farta salada (alface americana, rúcula, cebola, tomate, cenoura e pepino), um pedaço de peito de frango, um de linguiça apimentada (feitos na brasa) e um naco generoso de linguado à milanesa (R$ 16) quando avisto, no reflexo da porta de vidro – posto que estava sentado na área externa, de costas para a rua – William chegando, acompanhado de uma mulher.

Literalmente segundos após a entrada do ex-jogador, um morador de rua de legging roxa, moletom preto de capuz, um cabelo impossível de descrever com as palavras que possuímos e voz, trejeitos e aura de travesti, postou-se ao lado da porta na tentativa de mendigar um almoço de alguma alma caridosa.

A primeira pessoa que passou por ele era um cara de coque masculino e barba que, num primeiro momento, parecia ter dado aquela desculpa clássica do “não tenho nada” ao amendigado cidadão, que seguiu parado na entrada. Outras duas ou três pessoas que passaram por ele nem sequer registraram sua presença, ignoraram seus apelos e seguiram caminhando pelo pátio em direção ao buffet.

Nisso, a mulher que estava junto com o William sentou-se numa mesa às minhas costas. Notei, ainda pelo reflexo, que o morador de rua, motivado ou por fome extrema ou por falta de vergonha, aventurou-se pelo pátio e foi até ela, pronunciar a seguinte frase:

“Não sei nem como é que eu vou fazer pra te pedir o que eu queria te pedir.”

Ela nem deixou ele terminar, pediu para que ele a esperasse, interrompeu o almoço (talvez tenha dado tempo de dar uma garfada, não vi), pegou um dos potes de isopor que o pessoal usa para fazer suas quentinhas e começou a enchê-lo de comida.

Instantes depois, reparei, ainda no reflexo, que o morador de rua foi se afastando até sumir do campo de visão, talvez não acreditando que a mulher fosse mesmo lhe trazer comida, ou pior: supondo que ela reclamaria da sua presença para os donos do restaurante (que é algo que certamente acontece bastante por estes lados). Enquanto isso, o rapaz de coque masculino saía do restaurante. A princípio achei que ele tinha examinado as opções do buffet e desistido de comer ali, dada a velocidade com que entrou e saiu do Gauchão.

Paguei a minha conta enquanto a mulher pesava o pote de isopor e anotava o valor na sua comanda. Quando finalmente cheguei na porta, ela estava parada, olhando em volta, com o pote na mão, procurando pelo mendigo. Aquele gesto já tinha dado um bom upinha no dia do Dido, mas o que aconteceu logo em seguida me deixaria ainda mais impressionado. Não tinha me afastado nem dez metros do restaurante quando avisto o rapaz de coque masculino vindo ao meu encontro, descendo a rua em direção ao restaurante. Ao seu lado: o mendigo traveco do crack.

Neste momento vale lembrar que a mulher que acompanhava o jogador William e este rapaz de coque masculino não se conheciam e nem haviam combinado coisa alguma. Ou seja, basicamente o que aconteceu foi que: não uma como DUAS pessoas que habitam este bom bairro (porém meio verme) de São Paulo resolveram mudar o curso dos seus dias para ajudar uma pessoa que, via de regra, costuma ser ignorada, destratada ou expulsa o mais rápido possível dali. Cara, o maluco do coque chegou a SAIR do restaurante e IR ATRÁS DO MALUCO até encontrá-lo, só pra levar ele de volta pra comer.

Foi talvez a coisa mais bonita que vi a semana toda, talvez esse mês – talvez até mesmo esse ano.

Ao chegar em casa, abri meu armário, peguei um chapéu, coloquei na cabeça e depois tirei, em homenagem a esses dois heróis anônimos do Higienópolis.

(Nota: embora eu gravite bastante por Higienópolis e more a cerca de 50m da linha divisória do bairro, tecnicamente aqui é Vila Buarque ou Santa Cecília – embora as imobiliárias chamem de “Baixo Higienópolis” ou até mesmo de Higienópolis, pra ganhar uns cobres no aluguel)

reflexos robóticos

Uma coisa que faço há anos, mas só hoje parei pra racionalizar: sempre que escrevo um e-mail mais duro, de cobrança ou crítica, ou envio uma mensagem com potencial vexatório, de desejo ou recusa, a minha tendência é fechar imediatamente a janela do browser aberta no Gmail ou sair do WhatsApp, por exemplo, como se eu estivesse me escondendo, como se eu não quisesse que a pessoa visse o meu rosto enquanto eu entrego a bomba.

pretensão do dia

Assim que encerrar a hercúlea tradução de A Brief History of Seven Killings, do Marlon James (em 6 meses, mais de 1,3 milhão de toques e ainda faltam 100 páginas – deve fechar em 1,5 milhão), meu sonho é me dedicar a produzir textos longos em estilo reportagem gonzo/ diário/ egotrip, o bom e velho estilo em que transito direito, e gosto de existir. Tomara que: consiga.

cotovelo

Não costumo ligar muito pra passagem do tempo, até porque eu realmente não sinto que estou às margens de atingir a idade de Homer Simpson no final deste maio. Trinta e oito anos. É quase quarenta, mas eu ainda existo muito no planeta como a uns vinte anos atrás. Jogo videogame, admiro cannabis, durmo tarde, tenho medo de trovão e fantasma, não tenho problemas de saúde mais significativos além do tinnitus e do colesterol alto (este último, herança de família).

Em contrapartida, venho fazendo exercícios regularmente, e melhorando minha alimentação de forma suave e gradual – com resultados muito bons. Esteticamente meu corpo não mudou muito nos últimos vinte anos, exceto por uma melhora bastante visível na postura e um aumento significativo na flexibilidade e no tônus muscular (tudo graças ao pilates). Ainda não fiquei careca, não tenho um volume muito relevante de cabelos brancos, a pancinha da esquistossomose de 2017 é a mesma de 1997, mas se tem uma coisa que não apenas denuncia minha idade como ainda incomoda são os meus cotovelos. Que parte do corpo extrema, essa minha. Talvez tenha algo a ver com passar os dias roçando os coitados nos braços plásticos da minha cadeira de escritório, mas fato é que tenho notado que, nos últimos anos, meus cotovelos foram se abrutalhando afu. Duros, enrugados, com a pele constantemente descamada, eventualmente cobertos por micro bolhas amareladas. Me sinto um pouco como aquele menino que vi certa feita num programa no Discovery com uma condição rara, cuja pele parecia feita de nacos de madeira. Um pouco como um monstro de pedra.

Mas fazer o quê?

Se o meu cotovelo vai se a única parte do meu corpo a envelhecer clamorosamente enquanto o resto se conserva, acho que posso me considerar um sortudo.

Um estalo de auto-imagem

Não ter sido selecionado para um comercial de celular para o qual prestei teste semana passada me levou à seguinte reflexão: não sou bonito o suficiente para me encaixar na categoria “galãzinho ruivo”, mas também não sou esquisito o bastante para cair no subgênero “ruivo bizarro”, o que diminui substancialmente minhas chances de ser, de fato, selecionado para prostituir minha imagem em favor da venda de produtos e/ou serviços algum dia (muito embora até uns dez anos atrás, bem antes dessa onda da cota tácita para ruivos na publicidade brasileira, eu até que tenha participado de um número considerável de propaganditas por aí).

Nota Fiscal Paulista: friend or foe?

Quando transferi minha carcaça, alma e pertences para a generosa cidade de São Paulo em 2012, imediatamente passei a contribuir com o programa Nota Fiscal Paulista, fornecendo o número do meu CPF ao final das mais variadas transações financeiras, com o objetivo de receber uma merreca a título de renúncia fiscal (acho) em minha conta bancária.

Tenho uma vaga recordação de, no começo, isso ter valido a pena. A cada seis meses que eu entrava no site pra conferir meu saldo tinha algo como 200 reais pra sacar. Nunca chegou a ser nada realmente expressivo, mas já pagava uns super, uns almoços, umas jantas mais caprichadas, algo assim.

Todavia de uns anos pra cá as regras foram mudando de modo a reduzir as vantagens do contribuinte e arrebentar com mais essa alegria do consumidor.

Hoje fui dar um conferes no meu saldo, coisa que não fazia há algum tempo.

Tenho R$ 26,46 para receber, relativos a retornos de impostos em cima de R$ 2102,83 em compras. Isso dá mais ou menos 1,25% de retorno. Em outras palavras, para cada R$ 100 gastos, o governo estadual te devolve R$ 1,25. Na média, claro. Segmentos diferentes retornam percentuais diferentes ao bolso dos amigões. Mesmo assim, não me parece mais valer a pena fornecer um histórico de compras mais ou menos completo ao nosso Geraldo para que ele devolva 1,25% do valor dos meus gastos. Estou considerando abandonar este programa.

Por um lado seria uma decisão quase neutra, posto que 26 reais a cada 2 mil gastos não me parecem um bom motivo para seguir informando o governo sobre o meu perfil de compra e poder aquisitivo. Quer dizer, para receber 2 mil reais na forma de retorno eu teria de gastar mais de 200 mil.

Por outro, dinheiro é dinheiro. Um centavo é dinheiro. Não visto isoladamente, mas no acumulado, ao longo dos anos – de muitos anos.

Hmmm.

That’s what I call a tricky situation.

Vou seguir pensando aqui.

The Hulkidids

Lembrei ontem que, certa feita, elaborei um drink de emergência no carnaval chamado The Hulkidids, batizado com este nome porque resultou: verde.

E resultou verde porque foi elaborado tendo como base o que havia disponível em casa aquela hora: um daqueles excelentes sucos mistos da Suvalan de coloração amarela (manga, laranja e maçã) e Curaçao Blue. Uma pesquisa mais detalhada revelaria mais tarde que também acrescentei gin e amaretto na receita original, mas, pensando aqui, não me parecem muito necessários em nenhum sentido e, inclusive, mal dosados, estou certo de que podem botar tudo a perder.

Hoje conversava com amigos e me dava conta enquanto ia falando de que aquela piscina de Saltos Ornamentais que ficou verde na Olimpíada do Rio talvez estivesse cheia de água amarela. Quer dizer, a água da piscina nunca é azul. A água da piscina é transparente. O que é azul é o azulejinho que tem no fundo. Se a água ficou amarela, combinada com o azul da lajotinha profunda poderia ter resultado em verde.

Todavia enquanto escrevia isso me deu vontade de rever essas imagens e não é uma água verde translúcida o que vemos, e sim um denso lodo verde-oliva, similar a um capote de militar. Ou seja: a água era verde mesmo. Viajei.

Mesmo assim, tendo tudo isso em vista parei uns quinze segundos pra olhar pela janela e pensar: não é mesmo um troço muito doido que exista o conceito de CORES PRIMÁRIAS (e elas são apenas três) que, misturadas, podem dar origem a outras cores novas totalmente diferentes? Eu acho, pelo menos.