programa de manutenção do core

Dei início hoje aos primeiros testes do Programa Kidids de Manutenção do Core, uma série rápida e simples de exercícios diários pensados para fortalecer os músculos abdominais baseados nos ensinamentos do pilates e da ginástica universal.

Eis o programa inicial:

  • 3 séries de 10 abdominais convencionais
  • 30 segundos de prancha apoiado no cotovelo
  • 3 séries de 10 abdominais oblíquos com as pernas quietas
  • 30 segundos de prancha apoiado nas mãos
  • 40 abdominais oblíquos fazendo bicicleta com as pernas
  • 30 segundos de prancha intercalada entre mãos e cotovelo

Quero repetir uma vez por dia na primeira semana, duas na terceira e três na quarta. Também pretendo ir aumentando o número de repetições e tempo de pranchas conforme for melhorando o condicionamento – bem como reduzindo os tempos de descanso entre as séries e os exercícios.

Nessa primeira tentativa, consegui executar o programa todo em cerca de 10 minutos, com 30 segundos de intervalo entre cada série e troca de exercício – mas certamente dá pra chegar perto de 5 min em 3 ou 4 semanas.

A ideia é manter esse treino por 30 dias e acompanhar a evolução do meu core. Não espero nada menos que músculos de aço e definição de gomos no nível ‘rasgado’.

Manterei este canal alimentado de informações.

a dream #2

Outra experiência única em matéria de sonho acometeu o Dido a noite passada. Um detalhe curioso sobre os sonhos é que na esmagadora maioria deles (beirando a totalidade) a gente não se dá conta que é um sonho enquanto ele se desenrola. Enquanto estamos ali, no olho do furacão, parece que se trata do mundo real, desperto, físico. Mesmo quando experimentei a glória do SONHO LÚCIDO isso jamais aconteceu no começo do sonho. Pelo contrário: quase sempre bem no fim, e quase sempre assim que eu me dava conta de que estava sonhando eu acordava.

Mas tergiverso.

Fato é que neste sonho eu me encontrava num local com luz indireta e piso de madeira, que podia muito bem ser a casa de alguém onde ocorre uma festinha petit comitée como um espaço profissional alugado para fazer um coquetel de lançamento de algum produto ou serviço. Eu encontrava uma menina que eu conheço de redes sociais há alguns anos, e que é amiga de amigos e que, embora tenhamos trocado meia dúzia de mensagens esporádicas ao longo desse tempo, jamais nos encontramos ao vivo nem conversamos.

Ao avistar essa menina, eu sofria o seguinte estalo: “sonhei com ela.”

A partir dessa constatação, meu raciocínio fez algo inédito. A primeira coisa que aconteceu foi que eu comecei a me lembrar do sonho que tive com ela, cujos detalhes agora me escapam totalmente. Em seguida, me aproximei dela e começamos a conversar como se ela também compartilhasse de antemão daquelas informações e sensações. Em outras palavras, como se ela tivesse sonhado o mesmo sonho, soubesse as mesmas coisas. Conversávamos como se aquela não fosse a primeira vez que nos víamos, como se o sonho dentro daquele sonho contasse como um primeiro encontro.

Em algum momento, isso me pareceu estranho, e eu entendi que aquilo que eu estava tomando como realidade também era um sonho.

E foi aí que, como sói ocorrer nesses casos, o Dido se embananou todo na cuca e: despertou de pau duro na cama.

Um estalo de auto-imagem

Não ter sido selecionado para um comercial de celular para o qual prestei teste semana passada me levou à seguinte reflexão: não sou bonito o suficiente para me encaixar na categoria “galãzinho ruivo”, mas também não sou esquisito o bastante para cair no subgênero “ruivo bizarro”, o que diminui substancialmente minhas chances de ser, de fato, selecionado para prostituir minha imagem em favor da venda de produtos e/ou serviços algum dia (muito embora até uns dez anos atrás, bem antes dessa onda da cota tácita para ruivos na publicidade brasileira, eu até que tenha participado de um número considerável de propaganditas por aí).

Nota Fiscal Paulista: friend or foe?

Quando transferi minha carcaça, alma e pertences para a generosa cidade de São Paulo em 2012, imediatamente passei a contribuir com o programa Nota Fiscal Paulista, fornecendo o número do meu CPF ao final das mais variadas transações financeiras, com o objetivo de receber uma merreca a título de renúncia fiscal (acho) em minha conta bancária.

Tenho uma vaga recordação de, no começo, isso ter valido a pena. A cada seis meses que eu entrava no site pra conferir meu saldo tinha algo como 200 reais pra sacar. Nunca chegou a ser nada realmente expressivo, mas já pagava uns super, uns almoços, umas jantas mais caprichadas, algo assim.

Todavia de uns anos pra cá as regras foram mudando de modo a reduzir as vantagens do contribuinte e arrebentar com mais essa alegria do consumidor.

Hoje fui dar um conferes no meu saldo, coisa que não fazia há algum tempo.

Tenho R$ 26,46 para receber, relativos a retornos de impostos em cima de R$ 2102,83 em compras. Isso dá mais ou menos 1,25% de retorno. Em outras palavras, para cada R$ 100 gastos, o governo estadual te devolve R$ 1,25. Na média, claro. Segmentos diferentes retornam percentuais diferentes ao bolso dos amigões. Mesmo assim, não me parece mais valer a pena fornecer um histórico de compras mais ou menos completo ao nosso Geraldo para que ele devolva 1,25% do valor dos meus gastos. Estou considerando abandonar este programa.

Por um lado seria uma decisão quase neutra, posto que 26 reais a cada 2 mil gastos não me parecem um bom motivo para seguir informando o governo sobre o meu perfil de compra e poder aquisitivo. Quer dizer, para receber 2 mil reais na forma de retorno eu teria de gastar mais de 200 mil.

Por outro, dinheiro é dinheiro. Um centavo é dinheiro. Não visto isoladamente, mas no acumulado, ao longo dos anos – de muitos anos.

Hmmm.

That’s what I call a tricky situation.

Vou seguir pensando aqui.

The Hulkidids

Lembrei ontem que, certa feita, elaborei um drink de emergência no carnaval chamado The Hulkidids, batizado com este nome porque resultou: verde.

E resultou verde porque foi elaborado tendo como base o que havia disponível em casa aquela hora: um daqueles excelentes sucos mistos da Suvalan de coloração amarela (manga, laranja e maçã) e Curaçao Blue. Uma pesquisa mais detalhada revelaria mais tarde que também acrescentei gin e amaretto na receita original, mas, pensando aqui, não me parecem muito necessários em nenhum sentido e, inclusive, mal dosados, estou certo de que podem botar tudo a perder.

Hoje conversava com amigos e me dava conta enquanto ia falando de que aquela piscina de Saltos Ornamentais que ficou verde na Olimpíada do Rio talvez estivesse cheia de água amarela. Quer dizer, a água da piscina nunca é azul. A água da piscina é transparente. O que é azul é o azulejinho que tem no fundo. Se a água ficou amarela, combinada com o azul da lajotinha profunda poderia ter resultado em verde.

Todavia enquanto escrevia isso me deu vontade de rever essas imagens e não é uma água verde translúcida o que vemos, e sim um denso lodo verde-oliva, similar a um capote de militar. Ou seja: a água era verde mesmo. Viajei.

Mesmo assim, tendo tudo isso em vista parei uns quinze segundos pra olhar pela janela e pensar: não é mesmo um troço muito doido que exista o conceito de CORES PRIMÁRIAS (e elas são apenas três) que, misturadas, podem dar origem a outras cores novas totalmente diferentes? Eu acho, pelo menos.

micro reviewing #1

Mato sem cachorro: Apesar dos diálogos calamitosamente terríveis na cena do clímax, não é mau filme. Se tivesse sido feito por Hollywood seria a comédia romântica blockbuster daquele ano. Dito isto, claro que segue uma formulinha fácil, que dá uma cara constante de “já vi esse filme antes.” Mesmo assim tem atuações muito decentes, algumas ótimas ideias e boas cenas, com destaque para tudo que envolve a banda do cunhado do protagonista. Classificação: BOA COMÉDIA PARA O SUPERCINE.

Hells Kitchen Brasil: O programa de culinária mais brasileiro em exibição atualmente. É tudo brutalmente tosco: a apresentadora (que não sabe nem português direito, fala tudo errado, é inacreditável), os pratos, os participantes. No episódio que vi eles finalizavam um creme brûlée de chá verde com um origami de papel por cima. Basicamente, as pessoas estão competindo pra ver quem será o melhor cozinheiro de quiosque de praça alimentação de shopping do país. O resultado disso é que mal posso esperar pelo próximo episódio. Classificação: TERRIVELMENTE VICIANTE.

Os Capones: O mesmo velho e cansado formato inaugurado pelos Osbournes e levado à exaustão pelas Kardashians é agora usado para retratar os descendentes semi-diretos de Al Capone, um monte de gordão burro que mantém uma pizzaria nos Estados Unidos. A ideia até parece boa, mas é tudo tão fake e caricato, e os protagonistas e coadjuvantes são tão desprovidos de carisma que não chega a ter a menor graça. Classificação: DECEPCIONANTE PRA CARALHO

Animais Noturnos: Fui ao cinema sem saber absolutamente nada sobre o filme (minto: eu sabia que era dirigido pelo estilista Tom Ford) e saí bastante satisfeito. Pela premissa, parece o pior filme do mundo: ruiva madurona em crise da vida adulta lê o livro de um grande amor do passado. Mas na prática funciona muito bem. O livro do cara é excelente, e a tensão que a personagem experimenta lendo cada página é transferida de forma muito precisa para a telona. Sem contar que o filme é muito, muito bonito, ao mesmo tempo que é muito, muito pesado. Classificação: COMPREI UM CHAPÉU, COLOQUEI O CHAPÉU, TIREI O CHAPÉU

 

a dream #1

Não sei se foi a primeira vez na história que isso aconteceu, mas, certamente foi a primeira vez que aconteceu comigo. Estava sonhando que, durante os preparativos de organização de uma grande festa, fui designado para fazer uma coreografia inspirada em artes marciais envolvendo a montagem de uma pirâmide humana com Tarcísio Meira e Glória Menezes. Ensaiamos apenas uma vez antes da cerimônia em si e, claro, deu tudo errado. Parece que ainda por cima tinha um concurso rolando, a nossa equipe (éramos só nós três) tirou último lugar, o Tarcísio ficou putaço me xingando muito e a Glória nem falava comigo mais. A coisa toda foi tão engraçada que eu comecei a rir no sonho e ri tanto que ME ACORDEI RINDO, o que também despertou Petite, ao meu lado que, por sua vez, também teve um ataque de riso ao me ouvir relatando o que tinha acabado de ocorrer.

D.O.M.

Para inaugurar a seção “rango”, eis uma resenha que fiz para meus amigos e familiares do caríssimo (todavia ao mesmo tempo justíssimo) D.O.M., em abril de 2013:

Acabo de chegar em casa após jantar de TRÊS HORAS no D.O.M.
Resumindo muito: merece mesmo ser um dos melhores restaurantes do mundo, não sei exatamente em que posição. Acho que seria exagero colocá-lo em primeiro, muito embora as especulações sejam essas. A nova lista sai agora dia 30, e o NOMA certamente perderá o primeiro lugar depois do episódio de intoxicação alimentar envolvendo centenas de clientes. Atala foi eleito uma das 100 personalidades mais influentes do planeta pela revista Time, de modo que está muito bem cotado para ocupar o trono. Não conheço os demais e seria burrice e demagogia falar qualquer coisa a esse respeito, mesmo sendo Dids, de modo que me calarei a este respeito e me limitarei a falar brevemente sobre minha experiência pessoal sobre o lugar.

Achei o ambiente ok, mas não gostei do fato das mesas para duas pessoas serem todas extremamente próximas umas das outras, de modo que é possível ouvir claramente toda a conversa dos coxinhas que sentam ao lado. Também é lugar muito escuro, com ar condicionado MUITO frio e que toca Adriana Calcanhoto, o que são deméritos. O atendimento é afetado sem ser verme, e a clientela em geral é extremamente jeca, o que me deixou bastante surpreso.

Quanto aos alimentos em si:

O couvert é uma fraude. R$ 38 para comer pão italiano (ótimo, todavia, R$ 38), pães de queijo e manteiga aviação + coalhada fresca + pasta de alho e batata maravilhosa e extrema. Só pedi porque imaginei que talvez pudesse ter algo diferente ou surpreendente (até tinha a pasta de alho, mas meio demais cobrar R$ 38 por pessoa por isso). Pelo menos tinha reposição infinita, coisa que um amigo chamado Hermano aprovaria. Aliás, o mais maravilhoso da noite foi ficar imaginando a reação de duas pessoas aos pratos e quantidades do DOM: Hermano e Flavito.

Pedimos o menu com 8 pratos. Havia menu children de 4 pratos por algo como 350 reais e menu de 8 pratos por algo como 490 reais, mas imaginei que como dificilmente voltaria lá, o melhor seria viver a experiência completa. Petite QUASE pediu o de 4 pratos alegando estar sem fome, mas acabou convencida rapidamente quando o casal na mesa ao lado recebeu o primeiro prato.

Antes dos pratos chegarem, recebemos um mil folhas de mandioca com creme de catupiri e redução de vinho do porto com um coquetel de licor de jabuticaba e espumante para harmonizar. Estava fantástico.

O primeiro prato do menu eram dois camarões grandes servidos com carpaccio de chuchu e tamarindo em cima de um molhinho chamado cajuína (quem já foi a Fortaleza sabe o que é: uma espécie de néctar de caju). Bem bom, mas nada espetacular. Todavia, bom começo, sobretudo por conta do COENTRO fresco e maravilhoso que explodia ligeiramente na boca dando aquela sensação de HMMMM QUE GOSTOSO.

Em seguida, carpaccio de palmito pupunha com vieiras cruas, molho de coral e azeite negro. Isso era EXTREMO. Tudo era muito maravilhoso demais, esse tal molho de coral quase me fez LAMBER o prato (que não era um prato, era uma LASCA DE PEDRA).

Depois, ostras empanas com farinha de mandioca com ovas de salmão e sagu de tapioca. Pra mim, o ponto alto da noite. Eu poderia comer uns 10 desses troços e não enjoaria. Tudo era bom demais – e ainda tinham uma pimenta maravilhosa temperando tudo que explodia na boca mas sumia rapidamente, não arruinando o sabor de nada.

Depois: arroz negro levemente tostado com legumes verdes e leite de castanha do Pará. Entre os legumes havia o aspargo, o brócolis, o pimentão, o aipo, o alho poró e um troço meio mágico, que não identificamos, mas era branco translúcido e havia sido dolorosamente cortado de modo a parecer uma espinha de peixe. Tinha gosto meio de hortelã meio de maça, refrescante e picante e difícil de identificar. Até aqui, só sucessos.

Pintou então um peixe chamado cavalinha servido com sautée de palmito pupunha e cogumelos frescos, com molho de limão e mel de abelha. Era de chorar.

Daí meio que rolou um STILL, com prato de bacalhau confitado e maionese de leite, acompanhado de cebola em conserva e a pele do próprio peixe tostadinha que era OK. Duas ou três semanas comi bacalhau confitado muito superior no Bravin.

Então veio algo surpreendente: um fettuccine feito de palmito pupunha à carbonara. O carbonara em si era apenas muito bom, mas o fettuccine feito de palmito era de outro mundo (e parece ter dado um trabalho fudido).

Pra finalizar, stinco de cordeiro, um corte bem popular aqui em São Paulo, que é a batata da perna do bicho (que praticamente se esfolheava ao toque do garfo) com purê de cará, um molho doce de algo que não consegui identificar e castanha do pará ralada por cima. MUITO fatal.

Daí veio a grande decepção da noite, o aligot. Um amigo havia recomendado o alimento com furor, e na mesa ao lado vimos quando o garçom serviu, usando duas colheres, de forma quase acrobática, o purê de batata com queijo minas frescal e gruyère. Quando chegou a nossa vez achamos sem gosto de nada e pesadão. Fez as vezes de “prato de queijo” num menu francês tradicional, mas na opinião de Um Dids e Uma Petite, fez muito feio. Se tivessem servido só uma fatia de queijo minas e outra de gruyère teria sido melhor.

Então vieram as DUAS sobremesas para redimir tudo:

Primeiro, cubos de abóbora levemente grelhados com sorvete de tapioca, espuma de sei lá o que molinha e deliciosa, um cristal de açúcar levemente explosivo e uma trilha de ervas carbonizadas que, a princípio, só de olhar, pareciam alto migué, mas na boca, meu amigo, que coisa mais fantástica.

Pra fechar com chave de ouro: bolo de castanha do Pará (apenas ok) coberto com sorvete extraordinário de Jack Daniels, calda de chocolate amargo manchando o prato, folhas de rúcula selvagem, sal, curry e pimenta. Esse foi pra matar o Dids.

Acompanhando tudo isso, pedimos um espumante que conhecemos e gostamos, o 130, da Casa Valduga. Custou R$ 200, o que é extremamente honesto, levando-se em conta que comprado na própria vinícola saía por R$ 80 em 2009 e era comum achar por preços entre R$ 120 e R$ 150 no comércio local em Porto Alegre.

Tomamos, também, três garrafas de água São Pellegrino (ou foi o que nos cobraram), sendo que cada uma por R$ 15.
Total da conta (morte total e irrestrita): R$ 1436 e uns quebrados.

Ótima refeição e valeu cada centavo.

Levando-se em conta que comemorávamos seis anos de namoro, achei que foi até barato.

Pseudo-thai Dids noodles

 

No episódio de hoje de La Cuisine Improvisée du Dids, apresentamos a confecção, degustação e julgamento de um delírio semi-oriental batizado de Pseudo-thai Dids noodles.

INGREDIENTES

  • Massa
  • Cebola roxa
  • Cebola branca
  • Lombinho de porco (no formato “frios”)
  • Amendoim
  • Shoyu
  • Melado de cana
  • Molho de pimenta
  • Óleo de gergelim
  • Semente de gergelim torrado
  • Lascas de amêndoa

PREPARO

Numa tigela, misture o shoyu, o melado de cana e a pimenta de sua preferência. O ideal é que o molho fique adocicado, de modo que é importante conservar uma proporção maior de melado (ou açúcar ou mel) do que de shoyu. Corte a cebola roxa em anéis, depois corte estes anéis no meio, resultando num formato de meia-lua. Acrescente as cebolas ao molho, misture bem e deixe descansando.

Pique a cebola branca o mais fino que puder. No meu caso, como sou chinelo, tinha deixado a cebola tanto tempo na geladeira que um grande talo havia brotado dela. Se esse também for o seu caso, pique esse bagulho junto. Fica bom. Na real, tem o mesmo gosto da cebola, eu achei. Enfim. Pique também o lombinho de porco em formato “frios”, desses que se compra em bandejinha no super.

Coloque água para ferver numa panela. Quando ferver, acrescente um pouco de shoyu, só pra dar aquele brilho, e logo em seguida acrescente a massa.

Em outra panela refogue a cebola no óleo de gergelim até dourar, depois baixe o fogo e acrescente as cebolas roxas e o molho de shoyu e melado. Não deixe o molho secar demais, pois o açúcar pode transformar tudo em caramelo, cagando pra sempre a sua receita. Vai no teu feeling de campeão. Quando a cebola começar a dar aquela amolecida, desligue o fogo, acrescente o amendoim e o porquinho picado e dê um bom mexidão. Deixe o bagulho descansar numa outra boca do fogão enquanto a massa finaliza.

Tire a massa do fogo um pouco mais cedo do que você tiraria para que ela ficasse al dente, e escorra, reservando pelo menos um fundinho da água do cozimento. Em seguida, traga a panela de molho de volta ao fogo, jogue a massa ali dentro e vá misturando no fogo baixo, até que a massa finalize seu cozimento, absorvendo o máximo de caldo possível. Se ficar muito seca, hidrate com o fundinho de água do cozimento que você separou – mas não exagere aqui, porque se a coisa ficar muito molhada, das duas uma: ou a comida vai ficar com sabor de pano encharcado de água suja ou a massa vai cozinhar demais e se converterá numa papa horrenda.

Desligue o fogo, ponha a panela numa boca fria e deixe descansar 2 minutos.

Após servir o prato, salpique com as sementes de gergelim torrado e as lascas de amêndoa.

RESULTADO

A massa sugou bastante molho, adquirindo não apenas sabor, como também uma coloração morena muito agradável. A cebola roxa amoleceu sem perder sua crocância característica, e seu dulçor combinou bem com o do melado – que, por sua vez, foi muito bem equilibrado pelo salgado do shoyu. O amendoim, as lascas de amêndoa e o gergelim deram um outro tipo de crocante ao prato, enquanto a carne de porco não fez grande diferença. Numa nota curiosa, a mistura de sabores fez com que o picante da comida se assemelhasse mais ao de gengibre do que a de pimenta em si.

VEREDITO

Aprovado sem ressalvas.

 

Tinnitus

Que eu me lembre, a primeira vez que ouvi falar de tinnitus foi por volta de 2002, depois de publicar no meu primeiro blog, One Hundred Percent Chongas, um relato sobre uma noite fortíssima de drum’n’bass no saudoso porão do Fim de Século (que já se chamava NEO a essa altura). Ao descrever um incômodo porém passageiro efeito colateral da música alta como um apito discreto no fundo do ouvido, alguém nos comentários me avisou que essa sensação possuía um nome.

Ao longo dos anos, experimentei diversas vezes esse apito discreto no fundo do ouvido. Em mais de 90% dos casos estava diretamente relacionado à exposição a música muito alta por muito tempo. Era bastante comum sair de uma festa ou show com os ouvidos estourados, meio entupidos, e nas horas seguintes experimentar o zumbido xarope que, todavia, se esvanecia em no máximo 24 horas. Nos 10% restantes, todavia, reside até hoje um mistério.

Acontecia o seguinte: eu bem belo sentado numa cadeira, ou lavando a louça, ou caminhando duas quadras até o supermercado, ou escovando os dentes e vinha do mais absoluto nada o mesmo apito. Parecia um raio entrando por uma orelha, fritando intensamente as profundezas do ouvido e depois saindo bem mais fraco pela outra. A coisa toda não durava um segundo, mas sempre deixava no ar uma sensação de temor e what the fuck.

Uns anos depois rolou uma evolução da moléstia: o tinnitus aparecia da mesma forma, sem aviso nem motivo claro, e se instaurava por um dia inteiro na minha cabeça. Geralmente eu o percebia ao acordar, ficava preocupado algumas horas, resolvia ignorar para seguir em frente e, quando acordava no dia seguinte, ele tinha desaparecido.

Só que um dia em 2013 ele decidiu que não ia mais desaparecer. Nem no dia seguinte, nem no próximo, nem no outro. Nunca mais. Pelo menos até aqui. Em suma: estou há quatro anos ouvindo constantemente um apito discreto no fundo do ouvido.

Claro que isso me deixou totalmente em chamas, me fazendo considerar, graças aos diagnósticos do Dr. Google, todo tipo de quadro terrível, como tumor no cérebro e perda auditiva avançada. Ao consultar otorrinos caríssimos na capital dos paulistas, todavia, descobri o contrário: não possuo tumor cerebral e minha audição está impecável. Fiz duas audiometrias, espaçadas por mais de um ano, e nas duas o resultado foi o mesmo: ainda hoje, aos 37, escuto frequências que eu deveria ter parado de ouvir aos 17 (ainda mais levando em conta que fui DJ por quase 10 anos).

Eliminadas as duas causas mais comuns (e potencialmente graves), sobraram nada menos que 300 possibilidades. Muita coisa pode causar o tinnitus, e minhas apostas mais fortes estão no meu colesterol elevado (que faz o sangue ficar mais grosso e provoca perturbações ao passar nas delicadas estruturas do ouvido interno) e na chamada disfunção da ATM (articulação temporomandibular).

Eu já sabia possuir mordida cruzada e volta e meia produzo estalos ao mastigar, mas uma amiga que trabalha com o dentismo estético certa feita decretou: minha arcada dentária apresenta todos os problemas possíveis e imagináveis. De alguma forma misteriosa, todavia, meu organismo atuou a meu favor ao longo da adolescência e impediu, sem aparelhos ortodônticos, que eu tivesse o rosto desfigurado por um queixo projetado pra dentro e os dentes pra fora, tal qual um Ronaldinho Gaúcho. O problema é que esse processo me deixou todo torto, e pode ser o grande responsável pela cornetinha aguda que toca na minha cuca sem parar (além do bruxismo e do desgaste de alguns dentes que já ocorre há alguns anos). Problema ainda maior é que pra consertar essa brincadeira eu precisaria quebrar a mandíbula e puxá-la pra frente e quebrar o céu da boca e puxá-lo pros lados – e o processo todo levaria mais de 2 anos de muita dor e sofrimento, algo que não sei bem se estou disposto a encarar (especialmente porque não há uma certeza de que vá resolver o tinnitus).

No passado já se cagou a vida de muita gente ao promover a extração do nervo auditivo, na crença de que isso fizesse com que o barulho cessasse. O que acontecia, na verdade, é que a pessoa parava de ouvir todos os sons do mundo EXCETO o zumbido. O motivo? Exceto em casos muito específicos, não é no ouvido que o tinnitus se origina, e sim no cérebro. Alguma estrutura interpreta de forma errada um impulso, e o converte num zumbido. Não entendo muito bem esse mecanismo, e não estou sozinho nessa: a medicina, até esse ponto, também não manja muito essa parada. Tanto que não existe uma cura. Na verdade, o que se sabe é que o cérebro é incapaz de lidar com a ausência completa de sons. Se você se colocar numa situação em que não há nenhum som sendo produzido, o seu cérebro cria perturbações sonoras ele próprio, que podem inclusive levar a um quadro alucinatório. Há diversas salas de privação de som espalhadas pelo mundo que provam isso.

A boa notícia é que, pelo menos até agora, não posso dizer que se trata de um sintoma incapacitante. Por ser essencialmente subjetivo, é muito difícil criar uma escala confiável para quantificar o tinnitus, mas existem tentativas de classificar os volumes aparentes e suas consequências. Há casos de pessoas que se matam por não serem capazes de suportar a mazela, especialmente nos casos que se convencionou chamar de tinnitus catastrófico, quando o som do zumbido é tão alto que a pessoa não consegue nem se concentrar nos seus pensamentos. No meu caso, o que acontece é que não tenho mais o direito ao silêncio absoluto, posto que toda vez que isso acontece (dentro de um elevador, nos instantes iniciais antes de uma peça de teatro) é que o percebo. Durante o dia é praticamente impossível escutá-lo: os sons da cidade abafam tudo. Também já percebi que algumas coisas potencializam o tormento: ressaca, stress e desidratação. Infelizmente, até agora, não descobri nada que ajude a mitigar o sofrimento – exceto me manter sempre exposto a algum tipo de som no ambiente.

Que coisa extrema envelhecer.

Quando eu tinha recém feito uns 30, reclamei para um amigo cinco anos mais velho que andava com umas dores misteriosas na barriga que simplesmente não tinham motivo. Já tinha feito endoscopia, ultrassom, um monte de exame de sangue e estava tudo normal. Nunca vou me esquecer do que ele me disse: “É mais ou menos nessa época que começam a aparecer os sintomas que vão nos acompanhar por toda a vida.” Parecia uma mensagem pessimista e terrível, mas no fim das contas era o contrário. Nada daquilo ia me matar. Essas coisas iam começar a aparecer, me preocupar, me fazer acreditar estar com algum tipo de câncer, derretimento mental ou esclerose, mas não iam me matar. Eu ia fazer os exames, ia estar tudo normal, eu ia ficar me perguntando que diabos estava acontecendo, não ia chegar a conclusão alguma e, com o tempo, acabaria me acostumando, a ponto do sintoma, eventualmente, desaparecer.

Foi o que aconteceu com as dores na barriga.

E o que vai acontecer algum dia, espero, com o tinnitus.

Todavia com esse eu não tenho lá muita esperança.