verdades, mentiras

Em 1993, quando Zetti, então goleiro do São Paulo e da Seleção Brasileira, foi suspenso do futebol acusado de ter usado cocaína na Bolívia, meu pai, o visionário e saudoso Flavito, fez um pronunciamento profético incrivelmente preciso: “É um crime o que estão fazendo com esse cara. Quer ver que daqui a pouco descobrem que não era nada disso? Quando publicarem a errata, ninguém vai ler e a reputação dele já vai ter sido destruída.”

Nesse caso específico talvez ele não tenha sido tão feliz, posto que foi amplamente noticiado que, de fato, a substância presente na urina do atleta era proveniente do chá de coca muito consumido para mitigar os efeitos da altitude no organismo. Mas, para vários e vários outros casos (talvez todos), Flavito acertou em cheio.

Um bom exemplo recente: o caso do gurizão que supostamente foi pego roubando uma bicicleta e teve a frase “Sou ladrão e vacilão” tatuada na testa. Mesmo que ele tivesse roubado a bicicleta já seria inaceitável o que esses malucos fizeram, mas agora começam a surgir informações que sugerem que talvez a história não tenha sido exatamente assim (ou seja, talvez ele não tenha roubado a bicicleta). E mesmo com essas novas informações, que deveriam servir, no mínimo, para que os linchadores – digitais e reais – se questionassem por um segundo, ainda há multidões apoiando a atitude do tatuador e protestando contra sua prisão pela prática de tortura.

Que tristeza profunda.

A estupidez humana, como bem apontou Einstein, é um bagulho que não tem fim.