meu crack

Como é do conhecimento de quem me conhece há um certo tempo, sou dependente químico profundo de FIFA SOCCER.

Tive uma breve fase Winning Eleven/Pro Evolution Soccer nos anos 2000 (especialmente por conta da jogabilidade mais solta, da customização extrema e porque os FIFA pra PSone e PS2 eram uma bosta), mas, na média joguei muito mais FIFA ao longo dos meus mais de 30 anos de videogame. Só em 2011, por exemplo, foram mais de MIL HORAS, o que seria o mesmo que passar aproximadamente UM MÊS E MEIO do ano jogando ininterruptamente.

Enfim.

Recentemente concluí as 15 temporadas do career mode (única modalidade que eu jogo) do FIFA 12 pro PS3 e avancei para a versão de 2014. É a segunda vez que executo a proeza. No FIFA 11 peguei o SIENA, um time italiano da segunda divisão, e o levei até os píncaros da glória. No 12, o eleito foi o alemão DUISBURG, igualmente segundino, escolhido simplesmente porque o seu símbolo era uma zebra. Neste FIFA 14 vi que era possível fazer algo muito mais extremo: partir da QUARTA DIVISÃO inglesa rumo ao topo. Pareceu excelente. Todavia, como nessa versão, pela primeira vez, existe a possibilidade de disputar a Libertadores da América, resolvi brincar um pouco com o meu bom e velho Grêmio – o que está sendo bastante divertido.

Embora agora seja preciso optar entre desenvolver um jogador ou um técnico no career mode (ou seja, não existe mais a modalidade Player Manager, que reunia as duas coisas), ambos caminhos ganharam uma profundidade tremenda, coalhados de pequenos detalhes imersivos que vão consumir meses da minha vida na frente da telinha. Tanto o técnico quanto o jogador podem ser convocados para a seleção do seu país, por exemplo, o que abre uma nova série de possibilidades que até então inexistiam no jogo.

O mercado de transferências é quase um jogo à parte, extremamente complexo, envolvendo a leitura de um grande volume de e-mails, a coordenação de uma rede de olheiros espalhados pelo mundo e rodadas de negociações muito mais detalhistas e um tanto confusas – apesar de muito satisfatórias também.

Quanto ao futebol em si, sempre é maravilhoso perceber o quanto um jogo que é, essencialmente, O MESMO há pelo menos 15 anos, consegue se reinventar a cada nova versão. Quando o cara troca de FIFA sempre rola aquele período de adaptação nas primeiras semanas. Muda o tempo de bola, muda a física dos jogadores, a rigorosidade do juiz, a facilidade de driblar, passar ou chutar no gol. Na comparação com o FIFA 12, este 14 parece mais orgânico. A movimentação dos jogadores é mais fluida, a animação mais bonita. Tudo é mais realista. Há uma grande variação de possibilidades quando um jogador vai chutar uma bola, por exemplo, o que já deixa a experiência muito mais hipnótica. E, embora ainda esteja meio difícil de jogar, já deu pra perceber que dá pra fazer gols e jogadas muito mais bonitos nessa versão. Certamente gostarei.

Entre os destaques negativos, o principal é o menu. Podia ser muito mais simples. Tanta animaçãozinha e balaca deixou o jogo pesado, a ponto do cara experimentar o loading em praticamente todas as telas – pelo menos não são muito extensos. O menu balaqueiro deixou também tudo mais confuso: é muita opção pra clicar, muita coisa pra escolher. Demora uns dias pra entender. Mas depois que entende, também: vai que é um Dodge.

Fora isso, o som. Agora tem narração em português. E quem narra é o Tiago Leifert. Até aí tudo bem: dá uma animada no cara ouvir o nome dos jogadores e as descrições das jogadas em determinados momentos. Além disso, embora o considere meio bunda, não desgosto inteiramente de Tiagueira. Foda mesmo é o arrombado do Caio comentando. Esse é pra matar. Primeiro que é só corneta e depressão. Tu faz um golaço, ele vai lá e fala que foi falha do goleiro. Tu sofre uma falta, ele vai lá e fala que não foi. Um jogador teu acertou 24 de 25 passes, mas justamente nesse que ele erra vem o Caio e diz que o cara simplesmente não entrou no jogo. Chega a ser hilário, se o cara tá ganhando. Se o cara tá perdendo, todavia: dá uma raiva.

Por outro lado, rolou uma mudança no som que deu um up no game do Dido. Explico: uns 3 ou 4 anos atrás, de saco muito cheio de ficar ouvindo sempre as mesmas músicas indie cu murcho nos menus do jogo, fui pesquisar nos fóruns se tinha algum jeito de mudar isso. Tinha: era só passar alguns mp3 para o HD do PS3, criar uma playlist e depois associar essa playlist a eventos específicos do jogo. Isso já melhorava MUITO a coisa. Mas aí descobri algo ainda mais brutal: era possível fazer algo similar com os cânticos das torcidas.

Num primeiro momento, baixei diversos mp3 de gritos de torcida do Grêmio e associei ao meu Duisburg, mas logo isso se mostrou meio xaropão e estranho – basicamente porque eram gravações de qualidade irregular; algumas muito altas, algumas muito baixas, a maioria mal captada e mal cortada. Então me ocorreu o seguinte: e se eu trocasse todos os gritos de torcida pela minha playlist de músicas? Foi aí que a coisa se transformou pra mim.

A partir dessa descoberta, sempre que eu jogava meu FIFA, o fazia com trilha sonora muito maluca no estádio: drum’n’bass, jungle, rap, UKG, reggae, dancehall, funk e rare groove. Era demais. O problema é que sempre que saía um gol ou eu precisava pausar o jogo, a música parava e desaparecia – o que gerava comportamentos bizarros, do tipo: se tava tocando Protect ya neck, do Wu Tang, ou Unknown 003-A, do DJ Zinc, e eu estivesse precisando fazer uma substituição ou prestes a marcar um gol, minha tendência era ficar só no passe lateral, gastando a bola, pra poder ouvir a faixa inteira. Claro que isso convertia muitos empates e vitórias em derrotas, provocando uma raiva paralela e totalmente desnecessária no amigo.

Nessa nova versão consertaram isso: agora a música não desaparece mais quando sai um gol ou se pausa o jogo. Além disso a torcida adversária grita de volta, faz batuque na charanga e entoa cânticos enquanto a minha solta uns Mobb Deep, uns Cutty Ranks, umas Minnie Ripperton de volta pra animar a crew. Quanta vitória.

Não avancei muito no jogo ainda (fui desclassificado na Copa do Brasil pelo Goiás já de cara e estou em 13º no Brasileirão com 7 ou 8 partidas disputadas), mas estou torcendo para que agora os jogadores europeus não respondam com “essa liga não é prestigiosa o suficiente” quando um time brasileiro tenta comprá-los. Tem um comentário que o arrombado do Caio faz com frequência que indica o contrário, algo como “agora que os times brasileiros se reforçaram, eles conseguem segurar seus craques por muito mais tempo, e até mesmo repatriar alguns jogadores do exterior.” A ver. Quero sair arrebentando muito nos campeonatos e botar Neymar, Suarez e Messi no lugar de Vargas, Barcos e Kléber (que, justiça seja feita, estão segurando a barra direitinho por enquanto). Vamos ver se dá.