Não costumo ligar muito pra passagem do tempo, até porque eu realmente não sinto que estou às margens de atingir a idade de Homer Simpson no final deste maio. Trinta e oito anos. É quase quarenta, mas eu ainda existo muito no planeta como a uns vinte anos atrás. Jogo videogame, admiro cannabis, durmo tarde, tenho medo de trovão e fantasma, não tenho problemas de saúde mais significativos além do tinnitus e do colesterol alto (este último, herança de família).
Em contrapartida, venho fazendo exercícios regularmente, e melhorando minha alimentação de forma suave e gradual – com resultados muito bons. Esteticamente meu corpo não mudou muito nos últimos vinte anos, exceto por uma melhora bastante visível na postura e um aumento significativo na flexibilidade e no tônus muscular (tudo graças ao pilates). Ainda não fiquei careca, não tenho um volume muito relevante de cabelos brancos, a pancinha da esquistossomose de 2017 é a mesma de 1997, mas se tem uma coisa que não apenas denuncia minha idade como ainda incomoda são os meus cotovelos. Que parte do corpo extrema, essa minha. Talvez tenha algo a ver com passar os dias roçando os coitados nos braços plásticos da minha cadeira de escritório, mas fato é que tenho notado que, nos últimos anos, meus cotovelos foram se abrutalhando afu. Duros, enrugados, com a pele constantemente descamada, eventualmente cobertos por micro bolhas amareladas. Me sinto um pouco como aquele menino que vi certa feita num programa no Discovery com uma condição rara, cuja pele parecia feita de nacos de madeira. Um pouco como um monstro de pedra.
Mas fazer o quê?
Se o meu cotovelo vai se a única parte do meu corpo a envelhecer clamorosamente enquanto o resto se conserva, acho que posso me considerar um sortudo.