Passei anos brincando, mas acho que no fundo eu sempre tive a mais absoluta certeza de que eu jamais desfilaria de verdade numa São Paulo Fashion Week, nem em nenhuma outra semana de moda em qualquer outro lugar do mundo, pret-à-porter ou alta costura, entretanto, no fim das contas, foi exatamente isso o que aconteceu, no último dia de agosto desse ano, contrariando todas as previsões e estatísticas, quando marchei de cabelo tingido de azul com giz, tatuagem de ideograma nsibidi na cara, vestindo um camisetão e uma bermuda meio saia da marca ideologica e esteticamente afrocentrada Cem Freio, como parte da potente e apoteótica performance de encerramento do evento, carregada de luzes e sons e discursos extremos, ocupando grande parte da área interna do Pavilhão da Bienal no Ibirapuera numa mistura de voadora com martelada na face.
Procurando informações sobre o nsibidi, o sistema de símbolos oriundo da região que hoje é o sudeste da Nigéria, utilizado nas peças da coleção e na maquiagem do rosto da rapeize, descobri que acabaram escrevendo no meu rosto, de modo totalmente espontâneo e aleatório, os ideogramas que representam os conceitos de “guerra” e “dois homens conversando”.
Não sei vocês, mas eu achei isso: trimmmassa.