japan house

Confesso a seguinte ignorância aos amigos: não tenho a mais remota ideia do que seja a tal Japan House que abriu na Avenida Paulista há questão de alguns meses. Para manter a veracidade deste sentimento fumegando firme neste post, me omiti de visitar o site da instituição atrás de maiores informações. Tudo que eu sabia até então vinha dos depoimentos de amigos afirmando ser um lugar incrível, belíssimo e interessante. Nesta quinta-feira chuvosa e fria, aproveitando a presença de amigos do peito hospedados em meu lar, fomos conhecer o lugar e confirmar as impressões.

Possui, de fato, uma arquitetura e estrutura lindas, típicas de museu europeu. Tudo é muito branco, cheio de aço e madeira. O lugar é limpíssimo e silencioso, beirando o sacro. Instalações artísticas e exposições delicadas e minimalistas espalhadas pelos andares. Um bom restaurante (assinado pelo Jun Sakamoto), um gift shop com produtos japoneses impressionantes a preços impossíveis (entre os quais um braço robótico, garrafas de saquê de 2 mil reais e um conjunto de algo definido como “copo muito fino”, que supostamente causa a impressão de se estar segurando o líquido com as próprias mãos, embora pra mim eles pareçam mais grossos do que qualquer copo de cristal alemão disponível na cristaleira das vós mais tradicionais do sul do país) e um café honesto, ladeado por uma linda estante repleta de volumes japoneses ou sobre o Japão que podem ser consultados à vontade, embora não estejam à venda.

Todavia, o que realmente me deixou FLABBERGASTED, como dizem os bretões, foi o banheiro.

Não é mais preciso viajar até o Japão para ter a experiência complexa de cagar num daqueles vasos tecnológicos que a gente vê os artistas se impressionando nos filmes. Este do qual usufruí oferecia duas opções de jato de água (frontal e traseiro), com controle de intensidade e frequência (pulso ou constante). Já fiquei impressionado de cara com a MIRA do bagulho: me acertou em cheio no cu. Primeira coisa que me veio à cabeça foi o clássico do jungle Super sharp shooter, do DJ Zinc, que ouvi este fim-de-semana, no b2b do Marky e do Andy, perto das oito da manhã, após noite fortíssima envolvendo Dillinja e Bryan Gee.

Dei uma brincada com os controles e obtive imensa alegria anal. Quando julguei que já tinha tido o suficiente, apertei o botão de SECAGEM, o que promoveu uma sensação bastante curiosa nas entrefelfas do Didão. Parecia que o vaso havia sido tomado por uma porção gentil de água morna e turbulenta e, por cerca de um segundo, julguei ter feito alguma coisa errada (ou estar sentado desgraçadamente num vaso com defeito). Ao constatar, todavia, que meu saco não estava molhado, abri um sorriso satisfeito e deixei que o ar quente terminasse seu serviço em paz.

Pode até não ter sido a cagada da minha vida – muito longe disso -, mas que experiência cultural forte foi essa. Recomendo a todos que façam o mesmo.

Em tempo: se quiserem antes disso comer no Junji Sakamoto, que fica no mesmo piso, deixo o conselho de não pedirem o sushi. Não que seja ruim: pelo contrário. A questão é que é muito caro pra caralho. São 129 reais por 12 peças (embora tenha rolado um chorinho com 4 uramakis), e apenas 2 estavam realmente excepcionais. As outras peças (de peixes como beijupirá e olho de boi) estavam ok, na média dos bons restaurantes de sushi da cidade.

Bom mesmo são os pratos quentes. Não provei o tonkatsu karê, mas a merluza estava espetacular (periga ter sido o melhor peixe que já experimentei na vida) e o sukiyaki assoberbante. Embora não sejam exatamente baratos (entre 72-95 reais), compensam muito mais pelo volume e sabor dos alimentos. Se voltar algum dia, certamente optarei por um prato quente.

De todo modo, que boa experiência é a Japan House. Em visita à São Paulo, considere conhecê-la. Além de tudo é grátis.