microreviewing #3

Nesta edição especial, Zerando a Fila do Netflix:

First Contact: Lost Tribe of the Amazon: Bastante impressionante esse curto documentário (49 min) mostrando os primeiros contatos de duas tribos que passaram milênios isoladas no meio da floresta amazônica na fronteira do Brasil com a Bolívia, mas que agora estão sendo obrigados a fazer a parceria com o homem branco. Duas coisas que me chocaram demais: como uma população humana que jamais teve contato com outra sorri para mostrar satisfação e abana com a mão para se despedir de alguém. Não fazia ideia de que eram gestos universalmente humanos. Classificação: LEVEMENTE ASSUSTADOR NÍVEL OLHAR PRA FOTO DO COSMOS.

Friday: Lembro de ter visto muito tempo atrás e gostado bastante, mas, ao rever vários anos depois, atesto que envelheceu mal. Em tese é um stoner movie situado em South Central L.A. em 94-95, mas só vale mesmo se o cara for (que nem eu) herbalista e muito fã de cultura negra americana, sobretudo a que se desenvolveu no universo dos anos 90 (hip hop golden era). Apesar do roteiro meio chutado, ainda vale pelas atuações de Chris Tucker e John Witherspoon (que todavia está melhor na continuação – o filme teve DUAS). Classificação: IF YOU CAN’T TAKE THE HEAT GET YOUR ASS OFF THE KITCHEN.

XOXO: De tempos em tempos creio ter me deparado com o pior filme de todos os tempos, e essa posição fica assegurada por um bom tempo – até que aparece um desafiante disposto a tomar o trono. Foi exatamente o que aconteceu aqui. Tem tanta coisa errada nesse filme que eu não sei nem por onde começar. O roteiro é inacreditavelmente ruim, os diálogos terríveis, personagens mequetrefes, e ainda por cima tudo acontece numa rave de EDM (em sua nova interpretação, sinônimo de música sem alma feita por e para millenials). Mas o pior de tudo é que não dá pra parar: tudo é tão absurdamente horroroso que o cara tem que ir até o fim ver onde aquilo vai dar. Classificação: MELHOR NEM COMEÇAR.

Why Sharks Attack: Por mais improvável que pareça, bom especial de TV sobre os motivos que estão levando tubarões a nadarem muito mais próximo da costa americana nos últimos anos – e também as diversas técnicas malucas que estão empregando para repeli-los, que incluem mecanismos sofisticados que emitem pulsos eletromagnéticos e cilindros cobertos com tecidos listrados, para imitar a venenosíssima serpente marinha da qual esses majestosos animais se cagam de medo. Classificação: BOM ENTRETENIMENTO DESCOMPROMISSADO.

The Hunt: Inaugura uma nova categoria de conteúdo televisivo, a “distração de fundo”. Como a série compila dezenas de imagens muito impressionantes de animais caçando e fugindo uns aos/dos outros na natureza em câmera lenta, é algo que pode apenas ficar passando na sala enquanto se pensa melhor no que assistir, ou se mexe no celular ou se come uma pizza, posto que não é necessário ficar o tempo todo concentrado no que está acontecendo. Quando rola um momento mais encarnado tu dá uma olhadinha, quando fica só aquelas imagem de gnu pastando e macaco caindo de árvore tu vai na geladeira e pega mais uma cerveja. Classificação: MAIOR QUE LAREIRA.

Easy: A grande surpresa do fim-de-semana. Que excelentes demais os 5 primeiros capítulos desta série de 8, produzida pelo Netflix. São histórias independentes, com personagens que às vezes se conectam a personagens de histórias anteriores (posto que todos moram em Chicago), às vezes não, todas tratando de dramas, questionamentos e problemas que atingem a faixa dos trinta e muitos. Falta de grana, escolhas erradas na vida profissional, dificuldades sexuais em relacionamentos longos, vegetarianismo, os limites da arte e da privacidade nos nossos tempos: tudo está lá, retratado quase sempre de maneira incômoda e muito eficiente. Classificação: VEJA FELIZ ATÉ O 5, OS TRÊS ÚLTIMOS SÃO UMA MERDA.