Month: March 2017
nintendo switch
Graças aos meus contatos no submundo dos gamers ricos brasileiros, tive acesso, no dia do seu lançamento mundial, ao novo console da Nintendo, que os malucos resolveram batizar de Switch.
Confesso que não estava muito ligado na parada, então fui muito de sangue doce experimentar. Quer dizer: eu sabia que a Nintendo ia lançar um console, e sabia qual seria o seu nome, mas não tinha lido nada sobre o bagulho e nem mesmo visto imagens até a noite de sexta.
Muito embora eu seja nintendista por formação (tive Hi-top Game, SuperNes e DS), confesso que curti bem pouco o Wii e absolutamente nada o N64, o Game Cube, o Game Boy e o Wii U. Lamentavelmente a sensação de pau molão se repetiu de forma muito clara com o Switch.
Ok: o bicho tem lá seus atrativos.
Em termos de design talvez seja o produto mais bem acabado da Nintendo depois do controle do Super Famicom (por motivos estritamente cromáticos acho a versão japonesa, com botões nas cores primárias + verde, mais bela que a americana e seus botões em tons de lilás, roxo e violeta).
Quer dizer, enquanto objeto o troço é lindo, seja no formato portátil, com as metades do controle penduradas do lado da tela, seja acoplado no dock que o acompanha, jogando a imagem na TV. Quando utilizado nesse formato, o cara pode usar as metades do controle de forma independente (2 player) ou juntá-las para forjar um joystick individual (1 player). Nas duas versões, muito bom o chamado GRIP. O tamanho do bagulho é bom, o peso é bom, a textura é gostosa – sem falar que esse barato de ser metade CYANO e metade MAGENTA dá um tchans todo moderninho pra coisa.
Mas, se o cara não gosta pra caralho de ZELDA, meio que para por aí.
Sim, porque basicamente os caras lançaram o console novo com um Zelda open world numa vibe meio Shadow of the Colossus; um daqueles jogos com dezenas de minigames só pra explorar os recursos dos controles; e mais meia dúzia de títulos sem muita expressão (ou, na melhor das hipóteses, sem alguma diferença muito grande que justifique jogá-los nessa plataforma).
Então a única coisa que o cara precisa saber antes de comprar um Switch é se ele gosta ou não de Zelda.
Eu não gosto. Nunca gostei. Não tenho o menor interesse em jogar. Acho meio O Senhor dos Anéis. Pra mim não rola. Ou seja, pra mim, não faria o menor sentido adquirir um Nintendo Switch.
“Eu gosto tanto assim de Zelda que estou disposto a pagar 2500 reais só pra jogar essa nova versão?”, convém se perguntar.
Se a resposta for um clamoroso sim: vai fundo, torra essa grana na paz do Senhor, meu irmão.
Mas se a resposta for QUALQUER OUTRA COISA ALÉM DISSO, sério, até mesmo um “sim” MEIA BOMBA, sem muita convicção, eu recomendo aplicar esse dinheiro na caderneta de poupança da Caixa Econômica Federal, comprar uma moto usada, andar um ano só de taxi, sei lá.
Qualquer coisa.
Menos Nintendo Switch.
pretensão do dia
Assim que encerrar a hercúlea tradução de A Brief History of Seven Killings, do Marlon James (em 6 meses, mais de 1,3 milhão de toques e ainda faltam 100 páginas – deve fechar em 1,5 milhão), meu sonho é me dedicar a produzir textos longos em estilo reportagem gonzo/ diário/ egotrip, o bom e velho estilo em que transito direito, e gosto de existir. Tomara que: consiga.