o.j. simpson vs. a teoria do churrasco

Comecei a assistir esse fim-de-semana a essa série da Netflix com o Cuba Gooding Jr. (mau ator), o John Travolta (mau ator) e o Ross, de Friends (pior ator) sobre o caso O.J. Simpson.

Estou gostando porque o tema me interessa e, além do mais, sempre curti muito essas versões ficcionalizadas de crimes e julgamentos nos Estados Unidos, mas o que mais me chamou a atenção até aqui não são as nem atuações fracas, nem o roteiro bom, nem a caracterização dos personagens (mediana).

O que me saltou aos olhos nesses primeiros 3 capítulos foi o formato.

Os episódios, que tem entre 45 e 60 minutos, são todos fatiados em blocos dramáticos de 10 a 12 minutos e encerram com uma tela preta que, em alguns casos, parece que fica preta por tempo demais. Além disso, todos terminam com um cliffhanger, ou seja, aquela situação inacabada de carga emocional elevada, responsável pelo saboroso gostinho de quero mais.

Vejo nesta divisão de conteúdo uma aplicação prática da minha Teoria do Churrasco™, que prega que a melhor forma de fazer alguém consumir conteúdo extenso nos tempos atuais é: compartimentando esse conteúdo extenso em uma sequência de blocos curtos.

Um seriado por si só já é um exemplo muito bom disso, mas quando as divisões de tempo se mostram tão evidentes dentro de cada episódio é sinal de que atingimos um novo patamar no tempo máximo que uma pessoa aguenta prestar atenção em alguma coisa.

Fiquei pensando se o tempo excessivo em que a tela fica preta entre um e outro desses blocos narrativos não seria justamente o tempo que o cérebro precisa para se resetar, tornando-se apto para absorver melhor o novo conteúdo que se apresenta assim que a imagem se ilumina. Levando-se em conta que foi feito pela Netflix, que costuma levar os algoritmos muito a sério, talvez esse palpite represente algo muito próximo da: verdade (senão a própria).

A ver.