a dream #2

Outra experiência única em matéria de sonho acometeu o Dido a noite passada. Um detalhe curioso sobre os sonhos é que na esmagadora maioria deles (beirando a totalidade) a gente não se dá conta que é um sonho enquanto ele se desenrola. Enquanto estamos ali, no olho do furacão, parece que se trata do mundo real, desperto, físico. Mesmo quando experimentei a glória do SONHO LÚCIDO isso jamais aconteceu no começo do sonho. Pelo contrário: quase sempre bem no fim, e quase sempre assim que eu me dava conta de que estava sonhando eu acordava.

Mas tergiverso.

Fato é que neste sonho eu me encontrava num local com luz indireta e piso de madeira, que podia muito bem ser a casa de alguém onde ocorre uma festinha petit comitée como um espaço profissional alugado para fazer um coquetel de lançamento de algum produto ou serviço. Eu encontrava uma menina que eu conheço de redes sociais há alguns anos, e que é amiga de amigos e que, embora tenhamos trocado meia dúzia de mensagens esporádicas ao longo desse tempo, jamais nos encontramos ao vivo nem conversamos.

Ao avistar essa menina, eu sofria o seguinte estalo: “sonhei com ela.”

A partir dessa constatação, meu raciocínio fez algo inédito. A primeira coisa que aconteceu foi que eu comecei a me lembrar do sonho que tive com ela, cujos detalhes agora me escapam totalmente. Em seguida, me aproximei dela e começamos a conversar como se ela também compartilhasse de antemão daquelas informações e sensações. Em outras palavras, como se ela tivesse sonhado o mesmo sonho, soubesse as mesmas coisas. Conversávamos como se aquela não fosse a primeira vez que nos víamos, como se o sonho dentro daquele sonho contasse como um primeiro encontro.

Em algum momento, isso me pareceu estranho, e eu entendi que aquilo que eu estava tomando como realidade também era um sonho.

E foi aí que, como sói ocorrer nesses casos, o Dido se embananou todo na cuca e: despertou de pau duro na cama.