Quando transferi minha carcaça, alma e pertences para a generosa cidade de São Paulo em 2012, imediatamente passei a contribuir com o programa Nota Fiscal Paulista, fornecendo o número do meu CPF ao final das mais variadas transações financeiras, com o objetivo de receber uma merreca a título de renúncia fiscal (acho) em minha conta bancária.
Tenho uma vaga recordação de, no começo, isso ter valido a pena. A cada seis meses que eu entrava no site pra conferir meu saldo tinha algo como 200 reais pra sacar. Nunca chegou a ser nada realmente expressivo, mas já pagava uns super, uns almoços, umas jantas mais caprichadas, algo assim.
Todavia de uns anos pra cá as regras foram mudando de modo a reduzir as vantagens do contribuinte e arrebentar com mais essa alegria do consumidor.
Hoje fui dar um conferes no meu saldo, coisa que não fazia há algum tempo.
Tenho R$ 26,46 para receber, relativos a retornos de impostos em cima de R$ 2102,83 em compras. Isso dá mais ou menos 1,25% de retorno. Em outras palavras, para cada R$ 100 gastos, o governo estadual te devolve R$ 1,25. Na média, claro. Segmentos diferentes retornam percentuais diferentes ao bolso dos amigões. Mesmo assim, não me parece mais valer a pena fornecer um histórico de compras mais ou menos completo ao nosso Geraldo para que ele devolva 1,25% do valor dos meus gastos. Estou considerando abandonar este programa.
Por um lado seria uma decisão quase neutra, posto que 26 reais a cada 2 mil gastos não me parecem um bom motivo para seguir informando o governo sobre o meu perfil de compra e poder aquisitivo. Quer dizer, para receber 2 mil reais na forma de retorno eu teria de gastar mais de 200 mil.
Por outro, dinheiro é dinheiro. Um centavo é dinheiro. Não visto isoladamente, mas no acumulado, ao longo dos anos – de muitos anos.
Hmmm.
That’s what I call a tricky situation.
Vou seguir pensando aqui.