As coleções para o outono/inverno 2010 foram apresentadas no Fashion Rio entre os dias 8 e 13 de janeiro, no Pier Mauá. Aqui, um breve resumo do que foi visto na passarela.
Ausländer: Com inspiração punk, a marca carioca apresentou moicanos de metal muito legais, leggings até para os homens, jaquetas perfecto perfeitas. Mas, como não podia faltar aquela coisa meio vergonha alheia da Ausländer, as camisetas com piadinhas infames eram totalmente desprezíveis.

Melk Z Da: Como sempre, muito conceitual. Buscou inspiração na carpintaria, o que foi muito massa. No final, a vontade de ser tão conceitual acaba confundindo. Isso que deu para ver que o estilista foi mais contido, mas ainda faltou dosar a mão. Cartela de cores são variações de madeira. Algumas peças usáveis. Adorei os espinhos, parece um dragão de Comodo.

Giulia Borges: Muito preto e branco, pontuado por beige. A inspiração eram as bonecas de papel, aquelas que vinham com mil roupinhas para trocar. Ela realmente brincou de vestir, o que resultou em uma coisa nada elegante.

Victor Dzenk: inspirado em Dionísio, o deus grego do vinho. Parece que estava embriagado mesmo. Estampas digitais melhores do que da coleção passada, mas não acho que vestidos esvoaçantes com sandália tenham muito a ver com inverno… Nem no Rio…

Walter Rodrigues: Como sempre, umas coisas meio de mais, mas no geral foi bem interessante. Começa parecendo que vai ser uma coisa militar, mas depois a gente entende que ele fala mais uma vez do Oriente. Na verdade, no japonismo. Várias peças com capuz, de tamanhos variados.

Cantão: que felicidade esse desfile da Cantão! Eu nunca gostei da marca, e não vou dizer que tem alguma peça que eu queira, mas o desfile evoluiu muito. Continua comercial, mas está muito mais harmônico e a gente vê com clareza qual a proposta. A inspiração é Istambul. Do meio pro fim tem uma sucessão de peças com listrinhas ótimas. Bela despedida da estilista Yamê Reis.

Lucas Nascimento: Um desfile estranho, mas o primeiro de Lucas Nascimento. Muito lurex (não confunda com cafona, que não tem nada disso). Mas acho que o estranhamento é normal em se tratando de um desfile de tricots.

Printing: a inspiração visivelmente vem de coleções internacionais. Muito lurex, mas o interessante são alguns contrastes de tecidos brilhantes e opacos, ou com lã. Fora isso, um desfile bonito, ok. Adorei a meia-calça de lurex bem transparente com zíper aparente atrás.

Patricia Vieira: Inspiração nos anos 1950 e 80, streetwear, rock, skate. Enfim, o que importa é o que ela faz com o couro, material que ela trabalha como ninguém. Dá pra acreditar que essa blusa é de couro?

Mara Mac: que desfile bom esse da Mara Mac (sou suspeita, aviso). Tá, o finalzinho ficou meio chato, mas é só. Não teve nada enlouquecido ou emocionante tipo Ronaldo Fraga, mas foi lindo. A inspiração era o documentário do Amyr Klink, e dava para ver isso na coleção, muito esportiva e muito elegante. E tudo parece muito confortável. E que sapato! Quero tudo. Podem mandar lá prá casa…


Filhas de Gaia: Hum, nem sei o que dizer. Até tinha uma que outra peça de desejo, mas no geral o desfile não era lá muito legal. A inspiração era uma coisa meio Frankenstein, e ficou esquisito mesmo. No geral, o que já vimos por aí - volume nos ombros, saias curtas e com volume, corselet - e uma coisa Balenciaga. Não sei, acho que se perderam. Agora, esse LBD ppoderia ser meu. Ah, tem que vir com o corpo…

Cavendish: Bom desfile, coeso e bem aprofundado. A inspiração eram a mulheres que trabalham na colheita do chá na China, Vietnã e Japão, tema que na verdade já foi abordado pela Mara Mac há um ano. Só achei que tinha muito babado…

Graça Ottoni: Que graça (foi mais forte do que eu)! Não consegui descobrir se tinha uma inspiração muito certa, mas Graça Ottoni sempre faz coisas fluidas, leves e doces. Continua assim, mas um pouco mais contemporânea. E misturou uma cores bem de inverno, tipo o vinho, com outras mais atuais, como tons neon. Merece duas fotos. E pode mandar lá pra casa.


Coven: Interessante desfile da Coven, inspirado no pintor Goya (aquele que tem uns quadros obscuros e escuros). Muito lurex e intrigante patchwork de lã.

Acquastudio: Ai, que saco. De novo os vestidinhos cor de rosa de festa. E olha que a inspiração eram os vasos de René Lalique… Tédio.

Claudia Simões: A inspiração era o esporte, mas isso a gente só percebe na passarela por causa das leggings e das bermudas ciclistas. Faltou superação…

Maria Bonita Extra: Minha cara MBE, minha mais cara grife… O tema era On The Road, de Jack Kerouac, mas faltou. Não sei exatamente o que, mas faltou. Talvez eu esperasse mais referências à Route 66. No final das contas, várias peças ótimas, mas o desfile não foi o bicho. Eu adoraria colocar pelo menos três fotos, mas tenho que ser coerente. Fico com esse trench coat que me faz pensar em deserto, Arizona, cactus e calor.

Juliana Jabour: Nunca gostei muito de Juliana Jabour pelo excesso de balonês e de malha. Ou seja, não tenho mais motivos para não gostar. Ela cresceu - quer dizer, já tinha avançado bastante nas coleções anteriores -, mas agora atingiu a maioridade. Adorei as meias que parecem de resina.

TNG: Como foi bom esse desfile da TNG. Claro que tem o fator da expectativa, que era das piores possíveis. E aí o novo diretor de criação da marca, Maurício Ianês, conseguiu manter a cara da marca, fazer uma coisa comercial e muito bem apresentada, tudo junto ao mesmo tempo. A inspiração eram os inuítes, os esquimós da região do Ártico, no Canadá, Alaska e Groenlândia. Por conta disso, a principal marca do desfile foram os tótens e as peles (sintéticas).


Redley: Ótimo desfile da Redley, inspirado em um surfista e/ou skatista no metrô de Nova Iorque. Começa com algumas peças um pouco mais literais, que em seguida vão dando espaço à variação do tema. No final, sequência de peças listradas tem-que-ter (das altas e magras). Muito bom e muito esportivo, como é a cara da Redley.


Têca: Bom desfile da Têca, correto, sem muitas invenções. Talvez eu tivesse tirado um pouco dos brilhos, mas tudo que é tendência estava lá: volume nos quadris e nos ombros, saias curtas, babados discretos, cintura no lugar. Nas cores, predominaram o preto, o branco e o cinza, com algumas peças em verde e azul.

Espaço Fashion: Que confusão! Depois de duas temporadas excelentes, a Espaço Fashion se perdeu totalmente. Um exagero a coleção inspirada no espaço sideral - planetas, estrelas, nebulosas, satélites etc. Muita dobraduraa, muito volume, muito babado, muita cor.

Patachou: Sem muita emoção, a Patachou volta ao calendário oficial. O desfile foi ok, com muitas referências internacionais, mas nada de mais.

Andrea Marques: Que lindo desfile, um oásis em meio a um monte de coleções chatas nesse final de Fashion Rio. Deu para ver bem a personalidade de Andrea Marques, que foi durante um bom tempo estilista da Maria Bonita Extra. Inspirada pela artista Malu Saddi, ela conseguiu fazer uma coleção muito elegante, com as principais tendências da estação, sem perder a identidade. Muitas peças de desejo.

Alessa: Nesta coleção, Alessa manteve sua personalidade brincalhona, expressa na camiseta Play Me. A inspiração eram instrumentos musicais. Muito bem executada a coleção, apesar de não ser exatamente a minha prefeência, ou o meu estilo. Mas tinha para todos os gostos. E eu fico com a delicadeza das peças com partituras.

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Fashion Rio, outono/inverno, píer Mauá