dado bier belgian ale

posted on April 29, 2009 in ale, belgian ale, brasileiras

dadobelgianale
MICRO-PERFIL
Dado Bier Belgian Ale
Origem: Rio Grande do Sul/Brasil
Graduação Alcoólica: 8,5%
Apresentação: Garrafa de 355ml
Preço: R$ 6,80

CARDOSO: Com sua cor de PICANHA translúcida e ouro líquido, um dourado vivo e brilhoso; alto teor alcoólico e sabor CLAUDICANDO em favor do adocicado, considero a Belgian Ale a melhor receita da Dado Bier até o momento. Anteriormente a minha preferida na categoria (gaúchas/artesanais/fortes) era a Barley Wine da Schmitt, mas preciso reconhecer que a similar DADÍSTICA é bastante mais CORRETA. Apesar do leve odor de CHEIRINHO DA LOLÓ que o excesso de álcool a faz exalar, há também um belo cheiro que não pode ser descrito de outra forma que não BOLACHA MALVADA. Sério. Dê uma bela NARIGADA neste GUARANÁ MEDONHO e perceba o quanto isso é verdade. No mais, desce bem goela abaixo, ainda que esqueça de deixar os sabores mais importantes na boca quando se esvai. Dou-lhe 3 tampinhas de 5.

NATÃO: Logo em nossos primeiros debates sobre cevas ficou claro que eu e o Cardoso temos opiniões totalmente divergentes sobre as Dado Bier e as Eisenbahn. Enquanto ele defende as primeiras e tem uma certa aversão as segundas, a minha opinião é exatamente contrária. Nestes últimos meses chegamos a conclusão de que, dentre as cevas boas, estas duas marcas não são tão boas assim. Porém, ambas possuem algumas cartas na manga que defendem bravamente o bom nome destas cervejarias. A Dado Belgian Ale é uma cerveja forte que faz parte da tropa de elite (me desculpem) da Dado Bier e foi sempre muito bem comentada tanto pelo Cardoso como pelo Caon. Dessa maneira, nos pareceu adequado inclui-la nesta degustação. Resultado: sim a Dado Belgian Ale realmente é uma cerveja boa. A experiência já agrada na apresentação. Além do rótulo bonito, tem uma cor laranja muito parecida com a St. Druon que fica bem no copo. A espuma não se destaca, mas cumpre o seu papel. O sabor é forte e também lembra tanto a St. Druon quanto a Leffe, o que faz sentido para uma “Belgian Ale”. Infelizmente essa cerveja só não agradou mais porque ela possui algo não natural em seu sabor que lembra as cevas mais industrializadas. Ou será o meu preconceito? 2 tampinhas e 1/2 de 5.

CAON: Acho que para nenhum dos confrades a Dado Belgian Ale é uma novidade. De fácil acesso (pelo menos aqui em Porto Alegre), preço mais que razoável, e belo caráter, essa ceva é minha preferida de toda a linha Dado Bier. Ainda me lembro do dia do lançamento dela lá no restaurante da cervejaria, quando essa belezinha ganhou o apelido de Cachacinha do Dado por ter deixado boa parte dos convidados tocando o horror no melhor Gravataí Style. A Dado Belgian Ale tem uma bela cor dourada, e uma espuma legal para uma cerveja com um teor alcoólico tão alto (álcool é tensoativo e “quebra” as bolhas). Os sabores do fermento belga estão bem marcados, e ela é uma bela cerveja. Para meu paladar, porém, ela pareceu ter algum problema com a ala das baianas, mas ainda não sei exatamente qual é. Talvez a nota alcoólica realmente forte no sabor e no nariz seja a explicação. Claro, não se assustem com isso: é uma baita cerveja, e vale muito a pena. Só não exagere, pois com o teor alcoólico de 8,5% tu também pode acabar barbarizando geral. Em tempo: vale 3,5 tampinhas de 5.

st druon

posted on April 26, 2009 in de abadia, de guarda, francesas, weiss

stdruon
MICRO-PERFIL
St Druon
Origem: França
Graduação Alcoólica: 6%
Apresentação: Garrafa de 375ml
Preço: R$ 9

CARDOSO: Eis aí uma cervejita MISTERIOSA. Apesar de não ser tripel, quadrupel, trapista ou sequer FORTE, encontramos a PITOCA em promoção, nos apiedamos do seu jeitinho e resolvemos incluí-la na conta. Feliz acerto: trata-se de uma bière de garde francesa cujas primeiras fornadas foram assadas originalmente em 1118. Rescendindo à tradição, esta nobre loirosa exalava um perfumito INCROYABLE bem peculiar, algo assim que se aproxima de um PÃO DOCE MORNINHO. No aspecto visual, a primeira coisa que se nota é que apesar de BLONDE, é bem BRONZEADA e nada TURVA a querida. Na boca assanha feliz a dentadura. Suave e perfumosa, possui um fundo SECO pronunciado, mas ao mesmo tempo não é exageradamente amarga. Investigando o rótulo (e pesquisando no Google) descobrimos que leva trigo (em francês, blé) em sua fórmula - o que explica perfeitamente seu PARENTESCO (ainda que sutil) com a Hoegaarden e a Blanche de Bruxelles. Sem medo de errar diria que a St. Druon é uma excelente CEVA DE TRANSIÇÃO para quem quer abandonar a CERVEJA DE BRIGA (industrializadas nacionais na faixa dos R$ 1 a R$ 2 a long neck) sem apavorar demais o PAPILOMA lingüístico. Merece 3,5 tampinhas de 5.

NATÃO: Confesso que não levei muita fé nessa cerveja. Para começar não sou muito fã de Blonde (minhas encomendas da Anner sempre são de Bitter), depois tem o rótulo que é enfeitado demais e, por ultimo, ela foi encontrada no “saldão” da Costi. O saldão em si costuma ser bom, já tivemos a oportunidade de comprar a Aventinus por R$ 8,00 nele, mas a soma dos fatores não me causou uma boa impressão. Logo após servida achei que os meus temores se confirmariam, pois apesar de uma boa cor laranja esta cerveja é praticamente transparente e a espuma some rapidamente. Felizmente tudo mudou assim que levei o copo ao nariz, fui surpreendido por um aroma forte e extremamente agradável. O aroma serviu de cartão de visitas para o sabor que se seguiu igualmente forte, além de persistente. Esperávamos algo parecido com uma blanche, mas encontramos uma cerveja que lembra a Leffe Blonde. O Caon analisou novamente o rótulo e encontrou a explicação, está cerveja é uma Blonde “De Garde”, ou seja “para guardar” e se é para guardar leva muito lúpulo :-) 3 tampinhas de 5.

CAON: Exemplo vivo de que o balaio das promoções do Costi sempre traz alegria pra moçada, a St. Druon fez beeeem bonito na mesa. Mesmo que os confrades não tenham levado fé de início, essa biére de garde da francesa Brasserie Duyck conseguiu fazer um baita ninja move equilibrando força e leveza. Ao servir, ela se mostrou de um amarelo bem claro, sem sinais de turbidez. A espuma gruda nas paredes do copo, mas baixa um pouco rápido. No amargor, ela lembra um pouco a Heineken, provavelmente por causa do mesmo lúpulo. Corre à boca pequena que seria o Hallertau Magnum, vou pesquisar. No sabor, ela é uma cerveja de caráter, muito perfumada e com um sabor persistente e agradável. Lembra as cervejas belgas, com todos aqueles aromas que já discutimos em outros posts, mas definitivamente coloca algo novo na equação - um caráter bastante seco que a distingue completamente. Mesmo sendo tão marcada, ela consegue ser uma bela cerveja “de briga”. Se não fosse o preço, dava pra tomar ela a noite inteira. Essa boniteza vale, para mim, 4 tampinhas de 5.

março/09 - tripel e quadrupel parte 2

posted on April 24, 2009 in quadrupel, tripel

ninkasi_mar_09

O esperado encontro de março da nossa controversa confraria foi encontrar o apartamento do Cardoso e sua Petite em estado de BRINCO: há coisa de duas ou três semanas uma reforma COMPLETA havia finalmente sido concluída, deixando apenas o DORMITÓRIO - e apenas por gozar de excelente estado - de fora da revolução. Em outras palavras: sala, banheiro e cozinha estavam ESTALANDO de novos, ainda emanando aquela aura morna de NOVIDADE.

Naquele belo fim-de-tarde/começo-de-noite de verão, novamente nos DIRIGIRÍAMOS (bela flexão) ao velho Costi Bebidas de guerra, mas dessa vez uma série de pequenos e médios contratempos contribuiriam para deixar ainda mais FOLCLÓRICA o nosso tão esperado encontro.

Mas vou deixar que o Natão e o Caon falem um pouco sobre isso:

CAON: “Ao invés de fazer o encontro no dia 10, como seria de praxe, a rapeize resolveu enfrentar as parascavedecatriafobias e as frigatriscaidecafobias e chamou no Dia de Jason™ pra fazer um novo test drive de combustíveis belgas e assemelhados. Pior decisão do universo: começamos enfrentando um engarrafamento de mais de uma hora por causa de um bando de evangélicos emulando um Fórum Social Mundial e quase não conseguimos chegar a tempo de comprar nossas cevas. Praise god que o pessoal da Costi Bebidas foi - como sempre - super gente fina com a gente. Novamente pedimos desculpas a vocês, equipe da Costi Bebidas, por chegarmos quase no horário de fechar a loja. A culpa foi da Cruzada de Fogo Benny Hinn.

ninkasi_jason

Entre belas cevas e copos novos também comprados lá, começamos a degustação sem maiores problemas. Isso, claro, até o momento em que surgiu um troll ruivo na mesa. Dizem as más línguas que era parente do Cardoso, mas eu não quero acreditar. Pois bem, o dito cujo foi responsável pela queda da mesa inteira, quebrando vários copos, quase detonando uma garrafa de ceva e fazendo a bagunça geral na confraria. Devíamos ter esperado até a meia noite pra começar, gente.

Quanto às cevas em si, acredito que tenhamos feito um encontro muito mais equilibrado que o anterior, mesmo que tenhamos mantido o tema. O conjunto escolhido foi muito mais agradável e consistente, não tive a sensação de montanha russa do outro, e todas as cevas eram no mínimo agradáveis. Precisa dizer que eu curti horrores?”

NATÃO: “Estamos no terceiro encontro, seguimos aprendendo muito e já estamos incorporando alguns costumes. É interessante ver a evolução de cada um de nós a cada encontro, aos poucos termos vão se tornando comuns, práticas de degustação vão se tornando naturais e as notas para os posts vão se tornando mais objetivas. Fico com a impressão de que cada encontro foi melhor do que o anterior. Neste encontro a escolha das cervejas pareceu bem equilibrada, a ordem de degustação foi acertada e, fora o fato de termos derrubado a cozinha americana do Cardoso, a noite transcorreu tranquilamente. Gostei muito do tema das duas ultimas noites (cervejas fortes) que esvaziou os nossos bolsos mas nos encheu de alegria com cevas triples, quadruples e trapistas. Aguardo ansioso o momento de definirmos os próximos temas e de nos reunirmos novamente.”

Retomo a palavra apenas pra dizer que SIM, pegamos um engarrafamento descomunal por causa de algum tipo de aglomeração CRENTE na cidade; SIM, chegamos uns 4 minutos antes da loja da Zona Sul da Costi Bebidas fechar e mesmo assim fomos incrivelmente bem recebidos; e SIM, derrubamos a bancada da cozinha americana recém instalada no meu apê de uma maneira totalmente inesperada.

Por sinal, conseguimos a façanha de varrer o ANTEPENÚLTIMO caco de vidro JUSTAMENTE quando Petite retornava à casa depois de uma jornada extenuante de trabalho. Mais: apesar do TOMBO formidável, apenas quebraram-se os meus DOIS COPOS DE CEVA (um bagaceiro que eu havia comprado no Zaffari; outro profi que eu acabara de arrecadar no Costi) e alguns outros copos que estavam sendo usados para bebericar um MONÓXIDO DE DI-HIDROGÊNIO esperto, introduzido pela primeira vez nos encontros com a missão de limpar a garganta da rapeizo e colaborar na sua nobilíssima luta contra a ressaca (obs: funciona).

De qualquer forma, apesar das BAIXAS, foi uma bela noite.

De fato a mais EQUILIBRADA so far, e uma das mais satisfatórias do ponto de vista PALATAL.

E o melhor de tudo, mesmo, é que Petite não ficou COMPLETAMENTE INJURIADA com a destruição.

Aliás, nem rolou uma CARRASPANA violenta pra cima de mim.

Nem um CHIADO.

Nem um PIO.

No fim das contas, a sexta-feira 13 acabo não sendo assim tão desastrosa.

tampinhasmars

Degustadas:

- St Druon (6% - 375ml - R$ 9)
- Dado Bier Belgian Ale (8,5% - 355ml - R$ 6,80)
- Jenlain Nº Six (6% - 650ml - R$ 20,20)
- Achel Trappist Blonde (8% - 330ml - R$ 17,70)
- Trappistes Rochefort 6 (7,5% - 330ml - R$ 16,80)
- Anner Libertadora Red Ale (8% - 600ml)
- Achel Trappist Brune (8% - 330ml - R$ 17,70)
- Chimay Red (7% - 330ml - R$ 19,80)
- Eisenbanh A Dama do Lago (9% - 375ml - R$ 22,75)
- La Trappe Quadrupel (10% - 750ml - R$ 49,70)

Convidada de honra:

- Baden Baden Red Ale (9,2% - 600ml - R$ 7)

Rodada de fogo:

- Mocinha (? - 600ml - R$ 3,90)