fevereiro/09 - tripel e quadrupel parte 1

Ainda mergulhados na LAVA VAPORÍFERA que Porto Alegre insiste em se tornar nestes meses de verão, decidimos pelo caminho mais difícil nesta segunda edição da Ninkasi. Explico: talvez fosse mais simples, barato e até APRAZÍVEL optar por uma segunda parte na degustação da refrescante cerveja de trigo, afinal de contas, Senegal ainda impera, o mercado é amplo e a oferta de rótulos incrivelmente FARTA.
Por outro lado, havia uma curiosidade muito violentíssima por parte de 2/3 da confraria (leia-se Natão e Cardoso) em relação às tripel, quadrupel e trapistas, cervejas preparadas geralmente na BÉLGICA (mas não apenas), que levam entre três e quatro vezes mais MALTE na sua receita.
Portanto, eis que venceu a voz da maioria, e nos lançamos novamente ao Costi Bebidas na busca dos preciosos VENENINHOS pesados que enfeitariam nossa noite. Como a loja da Zona Sul encontrava-se fechada num sábado em que tentamos antecipar a compra, desviamos a rota em direção da loja na FLORESTA, que vive num clima menos sofisticado que a CO-IRMÃ, porém com produtos e atendimento igualmente fenomenais.
Usando de matemática rápida, notamos que o custo da brincadeira sairia meio SALGADÍSSIMO demais pros nossos bolsos, então optamos por FRAGMENTAR a degustação de tripels, quadrupels e trapistas em DUAS etapas - a primeira, em fevereiro, at Natão’s House; a segunda, em março, no apartamento (reformado) do Cardoso.
Para manter uma média aceitável de 10 rótulos por encontro, nos vimos obrigados a coletar algumas outras FIGURANTES para a degustação, incluindo uma weizenbock, uma amber lager, uma tcheca que leva a fama de VIAGRA NEGRO, uma castelhana preparada com uma fruta típica do sul da América e uma nova Dani Weiss gentilmente cedida pelo Rogério Costi que, para tristeza geral da nação, fracassou novamente - comentários mais detalhados nos próximos dias.
Fora isso, a palavra de ordem da noite foi EQUILÍBRIO. Praticamente todas as cevas que tomamos eram impecáveis. Ainda que fortíssimas em termos de graduação alcoólica, de nenhuma delas se poderia dizer que viraram um golão de cachaça dentro do copo. O sujeito mamava bonito sem se dar conta do perigo que estava correndo. Cores incríveis, cheiros marcantes, sabores inesquecíveis. Foda mesmo foi o dia seguinte. Melhor nem lembrar.
Na real estava tudo indo muito bem até abrirmos a Urthel Saramanth, que nos deu GANAS de comparar com a Wäls, e também com a Rochefort, e já que estávamos nesse clima, que tal abrir também a Westmalle? O SPEED DRINK dessas três long necks na finaleira foi, literalmente, a nossa ruína.

Como última curiosidade, este foi o primeiro encontro em que introduzimos a RODADA DE FOGO. Funciona da seguinte forma: o ANFITRIÃO da vez é obrigado a escolher a PIOR cerveja que conseguir encontrar pelo caminho para QUEBRAR o clima maravilha da noite e nos fazer valorizar ainda mais a beleza da boa cerveja. A escolhida para estrear os trabalhos foi a tenebrosa SOL, em versão SHOT, sobre a qual discorreremos com mais propriedade em alguns dias.
Para encerrar esta abertura, destaco as impressões gerais dos demais confrades sobre a noitada de fevereiro:
CAON: Eu, sinceramente, estava com uma grande expectativa para fazer nosso novo encontro, não só pelo prazer de beber de novo com grandes amigos, mas também porque nosso novo tema prometia. Porém, a experiência de degustar cervejas fortes foi uma montanha russa. Ao contrário de nossa degustação de cervejas weiss, que teve um grande equilíbrio e trouxe vários exemplos bons do estilo, a tendência nesse encontro foi a do exagero. As cervejas boas foram incríveis, enquanto outras foram simplesmente unidimensionais em termos de sabor, tocando o horror em algum de seus componentes - amarga demais, doce demais, entre outros - e errando feio.
NATÃO: A primeira etapa da noite deu muito certo. Havíamos comprado cevas demais e decidimos beber apenas uma garrafa de cada. Sem dúvida foi o nosso melhor encontro, bebemos muitas cevas excelentes e, diferente do encontro das weiss que foi muito linear e equilibrado, esse encontro foi uma montanha russa com cervejas pendendo muito para uma característica do sabor. Falando em montanha russa me lembro dos confrades, com todas aquelas cevas fortes eu diria que a segunda etapa da noite foi dispensável.

Degustadas:
- Eisenbahn Fünf (5,4% - 355 ml - R$ 4,95)
- Leffe Brune (6,5% - 330ml - R$ 6,70)
- Weihenstephaner Vitus (7,7% - 500ml - R$ 14,75)
- Austral Calafate Ale (5% - 330ml - ???)
- Wäls Tripel (9% - 355ml - R$ 10)
- Westmalle Tripel (9,5% - 330ml - R$ 26)
- Trappistes Rochefort 8 (9,2% - 330ml - R$ 19,10)
- Primator Double 24% (10,5% - 500 ml - R$ 16,20)
- Urthel Saramanth Quadrium (11,5% -750ml - R$ 50,40)
Rodada de fogo:
- Sol Shot (4,8% - 250ml - R$ 0,99)
MICRO-PERFIL