falke bier estrada real ipa

posted on June 25, 2009 in IPA, ale, brasileiras

estrada-real-ipa
MICRO-PERFIL

Falke Bier Estrada Real IPA
Origem: Minas Gerais/Brasil
Graduação Alcoólica: 7,5%
Apresentação: Garrafa de 600ml
Preço: R$ 12,70

CAON: Apelidada pelos confrades de FASOLO MINEIRO, por causa da cor de couro, a Estrada Real foi nossa primeira IPA da sequencia e, há de se dizer, um belo exemplar do estilo. India Pale Ale é um estilo inglês que surgiu na época colonial, quando os navegadores britânicos tinham que levar até a India barris e mais barris de cerveja para atender a sede de seus cidadãos. A quantidade de lúpulo extra colocada na cerveja ajudava na conservação e na estabilidade do produto, que viajava meses em condições não muito favoráveis. A Estrada Real é a interpretação do estilo feita pela Falke Bier. É uma ótima cerveja, bem carregada no lúpulo, e com um corpo bom – ela começa doce na boca - mas que não chega a equilibrar o amargor. Pra mim isso é ótimo, gosto bastante das cervejas mais amargas. Ela também possui um certo frutado que eu arriscaria dizer ser o sotaque brasileiro dela, mas para alguns puristas ela está “fora de estilo”. Deixem de tobeirice. Isso aqui não é vinho pra vocês ficarem nessa cheirarrolhismo, ok? Bela ceva, custo benefício muito bom, 3,5 tampinhas de 5.

NATÃO: A principal característica desta cerveja inglesa é o fato dela ser brasileira. A Estrada Real é uma cerveja mineira que segue uma receita inglesa, a relação entre a estrada e o estilo de cerveja é descrito no site do fabricante da seguinte maneira: “A Estrada Real e a Falke Bier resgatam esta receita, oferecendo uma autêntica English IPA, que certamente seria a cerveja que acompanharia os viajantes da Estrada Real no séc. XVIII.”. Explicando, as cervejas inglesas eram carregadas de lúpulo para durar mais, naquele tempo cruzar a estrada real era muito demorado, se fôssemos levar uma ceva nessa viagem teria que ser uma do estilo inglês. Sim, forçaram um pouco, enfim… A apresentação desta cerveja é boa, garrafa de 600ml gordinha e um rótulo bem trabalhado (mas que cheguei a conclusão de que não gostei :-P). No copo não há dúvidas, a sua cor marron entre o couro e o chocolate é muito bonita. O aroma é muito bom e destaca bem o lúpulo da receita. Na boca essa cerveja é pura alegria, bem encorpada e um pouco menos amarga que as cervejas anteriores, começa levemente doce e depois fica seca. Em resumo a experiência foi muito boa e definitivamente temos uma boa representante nacional para este estilo inglês carregado de lúpulo. 3,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Apesar de ser impossível superar a primeira frase do comentário do Natão (que pra mim resume totalmente a questão), lançarei meus dois centavos sobre o assunto à mesa dizendo que essa MULTATINHA me conquistou. Beleza: o inglês é a língua universal, a contribuição cultural da principal ex-colônia britânica no último século é TREMENDO, mas no fim das contas, bom mesmo acaba sendo mulher gostosa - e não tem mulher mais gostosa que a brasileira. No campo das cervejas, vemos que isso também se confirma - e cada vez mais. Baita cerveja essa Estrada Real. Primeira da noite que realmente fez o coração REBOLAR. E digo mais: certamente me conquistou por conta da pirotecnia NASAL que promove, detalhe que o Caon inclusive já apontou ali em cima como um possível fator DESABONADOR do ponto de vista ESTILÍSTICO - mas francamente, quem se importa? Eu gosto mesmo da minha cerveja mais escura, fedorenta e encorpada. A Estrada Real é as três coisas, e ainda por cima ENTREGA (odeio essa tradução tosca de “deliver” que tá se popularizando nos meios mais GERÚNDICOS, mas mesmo assim vou empregá-la aqui a título de PROTESTO) o fator LOSNA comum às inglesas no amargor de essência Olina que precipita no fundão da língua no final do gole. Enfim: gostei do MAGENTA escuro no copo, da FLORICULTURA no respiro e das ESPECIARIAS pinicando todos os cantos da boca. Pra mim, o show vale 4 tampinhas de 5.

eisenbahn a dama do lago

posted on May 11, 2009 in belgian ale, brasileiras, strong ale

damadolago
MICRO-PERFIL
Eisenbahn A Dama do Lago
Origem: Santa Catarina/Brasil
Graduação Alcoólica: 9%
Apresentação: Garrafa de 375ml
Preço: R$ 22,75

CARDOSO: OXALÁ você viva o bastante e tenha sorte suficiente para encontrar essa belezura DANDO SOPA numa prateleira por aí, afinal de contas, aparentemente A Dama do Lago foi produzida em edição limitadíssima pela Eisenbahn. Segundo o rótulo, estamos diante de uma Belgian Dark Strong Ale, ou seja: nada menos que 4 das 5 palavras que mais cobiço ver impressos no rótulo de uma cerveja. Dito isso, embora “red” esteja faltando em teoria, na prática ela se manifesta de forma proeminente, o que faz desse CEDRIC CEBALLOS [ns] uma espécie de COVER mais delicada da Baden Baden Red Ale - por sinal, TÃO delicada que chega a dar uma pinta de que ASSA UMA CARNINHA. Único defeito perceptível: o característico cheiro de BANANA da Eisenbahn que aparece no finalzinho do último gole, quando a cerveja já esquentou no copo. 4 tampinhas de 5.

NATÃO: Dessa vez a Eisenbahn se puxou. Essa cerveja já começa ganhando muitos pontos na apresentação, boa escolha de nome e excelente conjunto garrrafa/rótulo. No copo segue sem decepcionar, cor marrom escuro bonita, bem turva e com boa espuma. Para nossa alegria na degustação ela também fez bonito, bastante aromática e com um sabor forte quase doce demais, mas ainda na medida, que se mantém persistente. Após algumas ponderações comparamos esta cerveja com a Baden Baden Red Ale e chegamos a conclusão de que a Dama do Lago ganha no aroma, mas não bate a primeira em sabor. Além disto, na relação custo beneficio a Baden Baden sai ganhando. De qualquer maneira, a Dama do Lago é uma excelente cerveja e vale o investimento. 4 tampinhas de 5.

CAON: Criação do grande Leonardo Botto, do Rio de Janeiro, a Dama do Lago ficou famosa depois de ganhar um concurso de receitas de cerveja da Eisenbahn, cujo prêmio era a produção de uma leva da vencedora. Essa belíssima ceva tem um quê da Baden Baden Red, com notas bastante carameladas e lúpulo bastante definido no sabor, mas é uma cerveja um pouco mais delicada, que deixa aparecer melhor certos nuances que a força da nota alcoólica da BBR esconde. Claro, o fermento belga também fez o seu serviço aqui e puxou mais aromas - na minha opinião principalmente cravo e passas, o que não me parece ser o caso do fermento da BBR. É uma belíssima ceva, como seria de esperar do Botto, um dos principais nomes do movimento homebrew no Rio de Janeiro. Infelizmente, o custo benefício pesa bastante, e por isso vou reduzir a nota dela pra 3,5 tampinhas de 5. Aliás, junto com a nota por causa do custo fica o protesto: é uma pena que no Brasil as cervejas paguem 153% de imposto sobre o valor da garrafa, sem discernir entre quem produz mil litros por mês ou um milhão de litros por hora. É por isso que o custo dela e de tantas outras cervejas feitas no Brasil fica tão alto. Quanto ao sabor, parabéns Botto, é uma BAITA ceva.

anner libertadora red ale

posted on May 8, 2009 in ale, brasileiras, red ale

annerred
MICRO-PERFIL
Anner Libertadora Red Ale
Origem: Rio Grande do Sul/Brasil
Graduação Alcoólica: 8%
Apresentação: Garrafa de 600ml
Preço: NA FAIXA

CARDOSO: Em termos de Anner, devo admitir que sou réu confesso: ADORO. Quase tanto quanto mulher gostosa, mas não tanto quanto mulher safada. Em termos de cerveja, a mesma regra se aplica: Red Ale é o meu estilo preferido graças à uma combinação de fatores - aroma, consistência ESPUMÍSTICA, sabor e volume alcoólico. Apesar de ter sido fervida em holocausto ao centenário do Sport Club Internacional - meu inimigo mais antigo - preciso reconhecer que essa Libertadora da Anner é a MELHOR RED ALE que já escorri garganta abaixo. BAITA CEVA. Ainda falta uma espuma mais pegada, característica notável da Baden Baden (melhor do mundo, pra mim), mas a Libertadora é igualmente grudenta e caramelosa, e possui muito daquele CINAMOMO [ns] esperto que garante o primeiro lugar das VERMELHONAS na minha preferência. 4,5 tampinhas de 5.

NATÃO: A Anner engrossa suas fileiras adicionando mais um estilo à sua carta de cervejas especiais, sendo assim, tivemos oportunidade de apreciar a nova Anner Libertadora Red Ale. A garrafa segue o tradicional estilo das Anners, baixinha, gordinha e com respeitáveis 600ml de pão liquido. No copo ela fez jus ao nome e foi com alegria que apreciamos a sua cor de cobre e a sua boa turbidez. Infelizmente ela ainda estava muito nova e a espuma morreu rápido. Gostei muito do sabor que, comparado às outras Anners, ficou entre a Blonde e a Bitter. É mais amarga e mais saborosa que a primeira, porém nem tanto quanto a segunda. Pelo menos deveria ser assim, mas o fato de ser nova também influenciou no sabor e deixou a Red Ale um pouco amarga demais. Enfim, não tivemos a oportunidade de provar a Anner Libertadora Red Ale em toda a sua plenitude, porém já tivemos uma boa idéia do que vem pela frente. Para mim foi o suficiente para afirmar que, se antes os meus pedidos de reposição da Anner eram compostos praticamente só de Bitter, eles agora serão divididos com este novo estilo. 2 tampinhas e 1/2 de 5 (por enquanto ;-)).

CAON: Só pra reforçar, tomamos essa cerveja com dois dias de garrafa mais pela ansiedade de ver como estava, mesmo. Tinha que ter ficado, no mínimo dos mínimos, uma semana e mais maturação. Agora ela já tá bem melhor. :)

dado bier belgian ale

posted on April 29, 2009 in ale, belgian ale, brasileiras

dadobelgianale
MICRO-PERFIL
Dado Bier Belgian Ale
Origem: Rio Grande do Sul/Brasil
Graduação Alcoólica: 8,5%
Apresentação: Garrafa de 355ml
Preço: R$ 6,80

CARDOSO: Com sua cor de PICANHA translúcida e ouro líquido, um dourado vivo e brilhoso; alto teor alcoólico e sabor CLAUDICANDO em favor do adocicado, considero a Belgian Ale a melhor receita da Dado Bier até o momento. Anteriormente a minha preferida na categoria (gaúchas/artesanais/fortes) era a Barley Wine da Schmitt, mas preciso reconhecer que a similar DADÍSTICA é bastante mais CORRETA. Apesar do leve odor de CHEIRINHO DA LOLÓ que o excesso de álcool a faz exalar, há também um belo cheiro que não pode ser descrito de outra forma que não BOLACHA MALVADA. Sério. Dê uma bela NARIGADA neste GUARANÁ MEDONHO e perceba o quanto isso é verdade. No mais, desce bem goela abaixo, ainda que esqueça de deixar os sabores mais importantes na boca quando se esvai. Dou-lhe 3 tampinhas de 5.

NATÃO: Logo em nossos primeiros debates sobre cevas ficou claro que eu e o Cardoso temos opiniões totalmente divergentes sobre as Dado Bier e as Eisenbahn. Enquanto ele defende as primeiras e tem uma certa aversão as segundas, a minha opinião é exatamente contrária. Nestes últimos meses chegamos a conclusão de que, dentre as cevas boas, estas duas marcas não são tão boas assim. Porém, ambas possuem algumas cartas na manga que defendem bravamente o bom nome destas cervejarias. A Dado Belgian Ale é uma cerveja forte que faz parte da tropa de elite (me desculpem) da Dado Bier e foi sempre muito bem comentada tanto pelo Cardoso como pelo Caon. Dessa maneira, nos pareceu adequado inclui-la nesta degustação. Resultado: sim a Dado Belgian Ale realmente é uma cerveja boa. A experiência já agrada na apresentação. Além do rótulo bonito, tem uma cor laranja muito parecida com a St. Druon que fica bem no copo. A espuma não se destaca, mas cumpre o seu papel. O sabor é forte e também lembra tanto a St. Druon quanto a Leffe, o que faz sentido para uma “Belgian Ale”. Infelizmente essa cerveja só não agradou mais porque ela possui algo não natural em seu sabor que lembra as cevas mais industrializadas. Ou será o meu preconceito? 2 tampinhas e 1/2 de 5.

CAON: Acho que para nenhum dos confrades a Dado Belgian Ale é uma novidade. De fácil acesso (pelo menos aqui em Porto Alegre), preço mais que razoável, e belo caráter, essa ceva é minha preferida de toda a linha Dado Bier. Ainda me lembro do dia do lançamento dela lá no restaurante da cervejaria, quando essa belezinha ganhou o apelido de Cachacinha do Dado por ter deixado boa parte dos convidados tocando o horror no melhor Gravataí Style. A Dado Belgian Ale tem uma bela cor dourada, e uma espuma legal para uma cerveja com um teor alcoólico tão alto (álcool é tensoativo e “quebra” as bolhas). Os sabores do fermento belga estão bem marcados, e ela é uma bela cerveja. Para meu paladar, porém, ela pareceu ter algum problema com a ala das baianas, mas ainda não sei exatamente qual é. Talvez a nota alcoólica realmente forte no sabor e no nariz seja a explicação. Claro, não se assustem com isso: é uma baita cerveja, e vale muito a pena. Só não exagere, pois com o teor alcoólico de 8,5% tu também pode acabar barbarizando geral. Em tempo: vale 3,5 tampinhas de 5.

dana bier dani weiss (revenge)

posted on March 26, 2009 in brasileiras, weiss

Não há muito o que falar ou sequer mostrar sobre a segunda chance que demos à Dani Weiss, mas, mesmo assim, fica o registro:

CAON: o Rogério Costi gentilmente nos cedeu outra garrafa da Dani Weiss, de um novo lote, visto que a primeira que degustamos estava contaminada. Infelizmente, a contaminação se repetiu, tornando a cerveja azeda e intragável. De novo, uma caveira.

CARDOSO: Cheiro de bunda sem fim. Nem tentei botar na boca pra ver qual era. Conseguiu ser PIOR que a Sol Shot, por incrível que pareça.

NATÃO: Mesma ceva, outro lote, mesmo problema. Dessa vez não estava tão contaminada quanto a primeira, mas isso não faz diferença. De duas garrafas foram duas comprometidas e isso é muita coisa. Na verdade é até difícil de acreditar. Por isso eu gostaria de saber a experiência de vocês, alguém andou bebendo a Dana recentemente? Estava contaminada?

wäls tripel

posted on March 16, 2009 in brasileiras, tripel, weiß

wals
MICRO-PERFIL

Wäls Tripel
Origem: Minas Gerais/Brasil
Graduação Alcoólica: 9%
Apresentação: Long neck de 355ml
Preço: R$ 10

CAON: Já tinha tomado essa cerveja uma vez no Bierkeller e, de maneira geral, tinha gostado. Dessa vez, tive uma grande bronca com a Wäls Tripel. O adocicado da cerveja mata ela inteira, dominando um paladar que poderia ser bastante complexo, com coentro e outros elementos interessantes. Me parece que ela poderia passar mais tempo dentro do tanque de fermentação, para atenuar bem e terminar de consumir esse açúcar todo. Como está, ela acaba lembrando pudim de banana *bem* doce, ou uma cerveja com uma colher de açúcar misturada. 2 tampinhas de 5.

CARDOSO: Quem poderia imaginar? Primeira tripel da noite, a representante nacional brincou de TICUDA no meio da cachorrada gorda. Por conta do preço MIÚDO e pela competição direta com beberagens delicadamente elaboradas por monges encerrados no CUTUFU da Bélgica, suspeitei que a Wäls fosse tomar uma genuína SUMANTA. Mas que nada: se defendeu direitinho a pequena notável. Tudo bem que é MUITO mais doce que as suas concorrentes, mas mesmo assim ainda conserva aquele cheiro de CELEIRO amigo que sempre acompanha as cervejas com mais que o dobro de malte. Naquele momento, me pareceu uma Anner Maria Degolada mais fraca, percepção que eu reconheceria errônea algumas horas depois, lambiscando resquícios da Samaranth da bigodeira. 3 tampinhas de 5.

NATÃO: Aqui realmente começou a nossa noite. Decidimos que começaríamos a sessão das triples com uma nacional, pois bebê-la depois das belgas seria sacanagem e nos temos muito respeito pelas cevas nacionais :-). Vamos lá: rótulo simples seguindo o padrão do estilo, cor alaranjada, bem turva, boa espuma. Já ganhou pontos com a apresentação. Partimos para a degustação e aqui tivemos uma pequena decepção, apesar de o aroma ser bom ele é muito fraco. Seguimos e, ao primeiro gole, foi uma alegria geral. Até que o Caon começou a dizer que era doce demais, eu o Cardoso provamos novamente e contestamos a avaliação do nosso mestre cervejeiro, mas este insistiu que era doce demais. Como estávamos em maioria desdenhamos do nosso amigo. E quebramos a cara ao provarmos a Westmalle. Resumo. A Wals fez uma boa triple nacional, com um preço bem acessível e por isso está de parabéns. Porém esta cerveja realmente é muito doce e precisava de uma pouco mais de aroma. Acompanharemos de perto. 3 tampinhas de 5.

eisenbahn 5 anos

posted on March 4, 2009 in amber lager, brasileiras, lager

eisenbahn52
MICRO-PERFIL
Eisenbahn 5 Anos
Origem: Santa Catarina/Brasil
Graduação Alcoólica: 5,4%
Apresentação: Long neck de 355ml
Preço: R$ 4,95

CAON: A Fünf me lembrou o slogan das balas Ailiram que o Gugu ficava repetindo nas tardes de domingo do SBT: “É Marília ao contrário”, com uma ênfase no “í” e no “á”! A Fünf (”é cinco em alemão!”) é uma lager âmbar com muito caráter, bastante caramelada e lupulada. O processo de dry hopping - onde o lúpulo é colocado durante a fermentação da cerveja, e não durante o cozimento - confere aromas extras, adicionando complexidade e dimensão. Infelizmente, o corpo dela não é tão forte quanto eu gostaria, e ela acaba desaparecendo na boca meio rápido demais. Mesmo assim, uma bela cerveja. 3,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Ok, eu confesso: chego a sofrer de ARREPIOS legítimos por toda a espinha quando ouço falar em LAGER. Definitivamente não é o meu tipo favorito de cerveja (muito embora a tenha consumido em quantidades fenomenais por pelo menos uma década de vida). Mesmo assim, o Caon me convenceu a dar uma chance à categoria quando me apresentou essa delícia douradinha algumas semanas antes da nossa degustação oficial. Não falarei sobre as impressões que tive naquele dia, mas sim das que compartilhei com os camaradas VIKINGS nesta segunda empreitada NINKASIANA. Pra começar, MAIOR LAGER DO MUNDO. Tão boa que nem parece uma LAGER - e olha que eu já tomei até lager tailandesa, chinesa (com arroz) e indiana. Tão lindeza que lembra até a Old Speckled Hen. Belíssima coloração, espuminha cremosa, nominho estiloso (FÜNF), processo balaqueiro que parece nome de dança (dry hopping) e um fundão AMARGOSO AFU, que faria muito mate por aí parecer água com açúcar. 3,5 tampinhas de 5.

NATÃO: A primeira lager de respeito que bebi desde que troquei a quantidade (admito, com algumas exceções) pela qualidade. Sério, eu já estava acreditando que todo o sabor vinha da fermentação “alta” característica das ales. O Caon me indicou as dunkel mas nem essas deram alegria ao paladar, muita cor e pouco sabor. Enfim, sobre a 5, mesmo sem ser turva a cor de caramelo faz bonito. Possui um amargor na medida, presente mas não acentuado que lembrou a schmit barley wine porém lager. É uma cerveja excelente que está entre as top da Eisenbahn. 3,5 tampinhas de 5.

anner maria degolada special

posted on February 1, 2009 in brasileiras, quadrupel

annermariadegoladaMICRO-PERFIL
Anner Maria Degolada Special
Origem: Rio Grande do Sul/Brasil
Graduação alcoólica: 14%
Apresentação: Garrafa de 600ml

CAON: É a nossa cerveja mais forte, a primeira leva feita tem 14% de álcool. Junto com seu fermento especial e uma mistura de temperos (gruit) que vão no tanque de fermentação, ela foi feita para degustar aos poucos, em ocasiões especiais.

CARDOSO: Maior cerveja do mundo. Se aos seres humanos fosse permitido fazer mudanças no seu sistema para funciona de formas alternativas, eu adaptaria o meu para ser capaz de alimentar-me unica e exclusivamente desta fabulosa QUADRUPEL. Ótimo perfume de lúpulo e essências, coloração deveras semelhante à Don de Dieu (ainda que num tom sensivelmente mais ACOBREADO), consistência licorosa quase STICKY e um sabor que domina a bocarra de formas incontestáveis. Pra mim o show vale 5 tampinhas de 5.

NATÃO: Não esperávamos tamanha honra. Foi a melhor ceva para encerrar a noite. Esta edição limitada da Anner mostra que cevas devem ser feitas com criatividade. Neste caso o que torna o seu sabor único é uma mistura de temperos aliada ao malte extra. Assim temos uma triple (ou até quadrupel segundo o caon) bem turva, bem aromática e muito saborosa. Depois dessa, fomos dormir satisfeitos. 3 e 1/2 tampinhas de 5.

anner bitter ale

posted on January 31, 2009 in ale, bitter ale, brasileiras

annerbitterMICRO-PERFIL
Anner Special Bitter
Origem: Rio Grande do Sul/Brasil
Graduação alcoólica: 5,2%
Apresentação: Garrafa de 600ml

CAON: As Special Bitters são feitas para terem uma forte presença de lúpulo, mas sem amargor excessivo. Com isso em mente, fizemos uma cerveja escura (mas não preta), com muito lúpulo aromático e uma boa dose de maltes caramelados e torrados, que tenta ir ao encontro das boas representantes inglesas do estilo.

CARDOSO: Graças a um avermelhado que só se revela quando o líquido permite a passagem de luz através do copo, certa feita meu irmão já pensou que eu estivesse dando uns goles numa Coca-Cola quando me pegou consumindo a Bitter Ale dos Caon. Muito embora não funcione bem logo nas primeiras semanas, quando lhe deixam adormecer por 10 ou 15 dias na geladeira é que essa cerveja finalmente libera os seus gostos e AROMAS. Old Speckled Hen que se cuide. 3,5 tampinhas de 5.

NATÃO: Todos os presentes já estão familiarizados com a Anner Bitter. Aliás, de tempos em tempos peço ao Caon uma reposição do meu estoque. Essa cerveja é uma bitter de respeito, tem uma cor marron levemente avermelhada que fica bem no copo e possui amargor na medida (bem menos que a stout). Só não dei uma nota melhor pois o lote atual está com muito pouca espuma, mas isso o Caon já sabe e já está resolvendo. 2 e 1/2 tampinhas de 5.

anner imperial stout

posted on January 30, 2009 in brasileiras, stout


MICRO-PERFIL
Anner Imperial Stout
Origem: Rio Grande do Sul/Brasil
Graduação alcoólica: 7,8%
Apresentação: Garrafa de 600ml

CAON: Putz, ainda me botam pra comentar minhas próprias cervejas? Hehe. O que eu posso dizer sobre ela é que a fórmula foi desenvolvida como uma cerveja mais alcoólica e mais amarga. No mundo dos vinhos ela seria “de guarda, para guardar”, o que efetivamente aconteceu. Após mais de um ano parada, ela finalmente atingiu um bom paladar para o meu gosto, depois de muito tempo sendo amarga demais (para quem entende, mais de 70 IBUs iniciais).

CARDOSO: Estávamos conversando na sala quando ouvimos um barulho bisonho na cozinha. Corremos pra averiguar sua origem, mas curiosamente nenhum dos 348 cachorros ou 117 gatos do Caon parecia ter derrubado ou quebrado nada ATÉ que nos viramos para o PRIMEIRO andar de uma antiga cristaleira, onde repousava não apenas a coleção de garrafas da casa, mas também um GORDO exemplar canino, que havia eleito aquela prateleira como sua nova casinha. Depois do ENXOTE apropriado, enquanto reorganizava as garrafas bagunçadas pelo bicho, eis que o Caon descobriu um misterioso ENVASE negro sem rótulo, contendo provavelmente uma raríssima Anner Imperial Stout, experiência que o próprio autor considerava mal sucedida por conta da abundância de LÚPULO, característica que havia levado o amargor ao nível do INTRAGÁVEL. Mesmo assim, resolvemos abrí-la, e qual não foi a nossa surpresa ao constatar que estava MUITO BOA PRA CARALHO. Praticamente um café preto geladito, encontramo-na NEGRONA, com o amarguito na medida certa e um ODORZITO camarada. Por tudo isso, reverencio a Anner Imperial Stout como uma das melhores do gênero, e espero que os nossos amigos ex-cabeludos produzam-na com maior freqüência. 4 tampinhas de 5.

NATÃO: Encontrada no fundo de um armário durante a nossa desgustação, essa stout passou por quase um ano de “amadurecimento” na garrafa e foi direto para o gelo. Segundo o nosso mestre cerveiro a mesma foi armazenada pois a leva tinha ficado amarga demais. Bom, com certeza ela era bem amarga, mas pelo visto era exatamente o que esperávamos de uma deva de malte torrado. Muito escura, amarga na medida e forte. Excelente. 3 tampinhas de 5.

eisenbahn weizenbock

posted on January 25, 2009 in brasileiras, weiss, weizenbock

eisenbahnweizenbock
MICRO-PERFIL
Eisenbahn Weizenbock
Origem: Santa Catarina/Brasil
Graduação alcoólica: 8%
Apresentação: Long neck de 355ml
Preço: R$ 3,90

CAON: Se não me engano foi o Cardoso que chamou ela de caramelosa, e eu tenho que concordar. O éster de banana, junto com os torrados e caramelos do malte, faz lembrar passas ou banana passa. A espuma bege tem duração média, coroando uma cerveja castanho pra lá de escuro, bem opaca. Boa cerveja, praticamente igual à Erdinger Pikantus, a próxima da nossa sequência. 3,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Eu mesmo, Caon. Na verdade, só disse duas coisas sobre a weizenbock da Eisenbahn: “caramelão” e “very nice”. Até este momento, eu nutria um tremendo NOJINHO para com as Eisenbanh, que considerava a mais superestimada das castas de cerveja artesanal. Já tendo consumido TODOS os demais rótulos, a considerava apenas mediana, e não muito diferente da cerveja de BRIGA que se compra a um real em qualquer supermercado. Mas a weizenbock mudou minha vida. Definitivamente, uma grande cerveja, que reabilitou a fabriqueta catarina no meu ranking pessoal e quase desbancou a Pikantus na minha preferência. 3 tampinhas de 5.

NATÃO: A primeira weizenbock a gente nunca esquece. É interessante ver como todo mundo gosta desse tipo de cerveja, provavelmente é pelo seu sabor adocicado, pois o mesmo é bem forte e sendo assim não deveria cair no gosto comum. Enfim, são apenas suposições. Acredito que o grande crédito destas cervejas está na combinação do trigo com o caramelo, que ficam se alternando durante o gole. Explico: ao aproximar o copo da boca pode-se sentir o aroma das weiss, mas assim que se começa a beber a cerveja, o sabor adocicado do malte caramelado toma conta e por fim sobra na boca um misto dos dois sabores. Falando sobre essa cerveja em especifico e sobre a nossa experiência da noite, posso dizer que a Eisenbahn foi muito feliz na sua empreitada. Também vale mencionar que ao chegarmos nessa cerveja, tivemos impressão de estarmos entrando em um outro mundo. E se até esse ponto já estava bom, daqui para frente só melhorou. 3 tampinhas de 5.

dana bier dani weiss

posted on January 23, 2009 in brasileiras, weiss

danaweiss
MICRO-PERFIL
Dana Bier Dani Weiss
Origem: São Paulo/Brasil
Graduação alcoólica: 5,5%
Apresentação: Garrafa de 660ml
Preço: R$ 18

CAON: A Dana foi a primeira cerveja a ganhar uma caveira no nosso sistema de avaliação v0.1 aka beta-style. Motivo simples: contaminada, azeda, com cheiro de podre no nariz, excesso de formação de espuma, acúmulo de fermento no fundo da garrafa, e outras características que coroaram ela com o título de vinagrão brabo da noite. Infelizmente esse tipo de problema acontece. Resta saber se ele vem se repetindo ou se demos um azar muito grande. Caveira, meu capitão.

CARDOSO: Uma das maiores expectativas da noite, a Dani Weiss da Dana Bier botou tudo a perder no segundo em que foi servida no primeiro copo. Cheirão de podre, gostão de ranço e CAGANEIRAS FEAR dominando o ambiente, para frustração coletiva e princípio de depressão do Natão, a quem coube a honra de abrir o trabalhado VASILHAME. Ah, se eles tivessem se preocupado tanto com o conteúdo quanto se preocuparam com a forma! Seria uma das melhores da categoria. Mas não foi. Pelo menos não dessa vez. Uma caveirinha.

NATÃO: O que dizer? Excesso de fermento no fundo da garrafa? Sabor azedo? Uma cor leitosa 10 minutos depois de aberta? Já consumi muitas cevas artesanais, algumas BEM artesanais, mas ainda não tinha me deparado com nada parecido. Uma pena, mas ceva estragada não dá. A expectativa era grande, a decepção idem. Uma caveirinha.

danafermento2
Se liga na quantidade de fermento que precipitou

danafermento
Duas horas depois, a garrafa estava assim