harviestoun old engine oil

MICRO-PERFIL
Harviestoun Old Engine Oil
Origem: Escócia
Graduação Alcoólica: 6%
Apresentação: Garrafa de 330ml
Preço: R$ 17,50
NATÃO: Em uma conversa recente com o Rogério da Costi, ouvimos ele nos comentar que, hoje temos acesso a muitas cervejas diferentes e, para aqueles que gostam de degustá-las, com o tempo vai ficando mais difícil ser positivamente impressionado por alguma delas. Concordamos plenamente, pois já tivemos nossas decepções com cervejas muito famosas em alguns encontros (vide a La Trappe Quadrupel). Felizmente, de vez em quando, nos deparamos com cervejas como a Old Engine Oil. Comprada quase que exclusivamente por seu nome original, fazia muito tempo que colocávamos os olhos nesta cerveja mas ela não se encaixava nos temas dos encontros. Desta vez, esta inglesa foi direto para o nosso carrinho. O nome se deve a similaridade entre a consistência desta cerveja a do óleo de motores de carro (a segunda paixão do fundador desta cervejaria, que passou boa parte de sua vida trabalhando com protótipos de carro para a Ford). A garrafa possui um formato simples que é compensado por um belo rótulo, bem trabalhado e que traz uma imagem de um carro antigo. Ao servir já pudemos notar que o liquido era denso e extremamente escuro, porém no copo é que a Old Engine Oil se revelou. Esta cerveja é completamente preta, além disto, é coroada por uma espuma igualmente densa e escura. Colocada contra a luz, não deixou transparecer nada. A comoção foi geral. Degustá-la foi um prazer, esta cerveja possui um ótimo aroma, basicamente doce com traços de lúpulo. O sabor porém não é doce e sim amargo. É uma cerveja forte e complexa que lembra uma Porter ao extremo, altamente recomendada pela confraria. 4 tampinhas.
CAON: Além de ter o melhor nome de cerveja do universo, essa cerveja é uma das melhores representantes que eu já tomei de uma Irish Dry Stout. Provavelmente vai ter confusão entre stouts e porters, então é legal deixar bem claras as diferenças, para não termos uma comparação injusta com a Fullers London Porter. Stouts são cervejas que obrigatoriamente levam cevada tostada na formulação, o que leva elas a terem uma acidez bastante acima do normal. Aliás, maltes torrados por definição são mais ácidos, o que dá pra perceber no sabor de cervejas que abusam deles, como a Guiness. E, diga-se, a cevada tostada aparece com força na Old Engine Oil. Ela é muito adstringente e seca. A quantidade de malte torrado é tanta que até aparecem notas de defumado nela, quase uma rauchbier. A cor também é preta, opaca, passando um pouco de morenice pra espuma, inclusive. O lúpulo é muito pronunciado, e harmoniza com o resto dos sabores. Além de ser muito gostosa, essa é outra cerveja onde a Harviestoun mostra que é dez na originalidade. 4,5 tampinhas de 5.
CARDOSO: Se PICHE fosse árvore, sua FRUTA certamente daria o SUCO que a Harviestoun convencionou chamar de Old Engine Oil. Tá certo que o meu apreço por cerveja PRETA existe desde a época em que a única representante da categoria era a MALZBIER, mas mesmo assim, PUTA QUE ME LAMBEU, QUE BAITA CEVA. Quando a GRAVIDADE lhe exige que escape da garrafa e PRECIPITE-SE contente num copo, vê-se que há uma VISCOSIDADE exemplar no fluxo. Por Jah, é quase um CREME de tão densa. A espuma, uma ALMOFADINHA acaramelada, resiste brava e fofa por muitos minutos. Além das esperadas notas de CAFÉ e CHOCOLATE, presentes tanto na GLOSSA quanto na NAGA, a Old Engine Oil apresenta uma inegável sensação de SALGADO, que talvez o Caon tenha conseguido definir melhor ao compará-la a uma RAUCHBIER. Uma breve lembrança de BACON, uma vaga memória de CHARUTO, aquele salgadinho inexplicável nos beiços. Sim: a Old Engine Oil é tão GROSSA que nego já sente o gosto só de passar nos beiço. Parece um LEITE, só que AO CONTRÁRIO. E meio SALGOSO também. Uma vez que reservei à Old Engine Oil um cantinho especial no meu CORAÇÃO depois de tê-la provado, não posso conferir-lhe outra nota que não as 5 tampinhas de 5. E, sério: vale TUDO isso.
