harviestoun old engine oil

posted on June 28, 2009 in escocesas, stout

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MICRO-PERFIL
Harviestoun Old Engine Oil
Origem: Escócia
Graduação Alcoólica: 6%
Apresentação: Garrafa de 330ml
Preço: R$ 17,50

NATÃO: Em uma conversa recente com o Rogério da Costi, ouvimos ele nos comentar que, hoje temos acesso a muitas cervejas diferentes e, para aqueles que gostam de degustá-las, com o tempo vai ficando mais difícil ser positivamente impressionado por alguma delas. Concordamos plenamente, pois já tivemos nossas decepções com cervejas muito famosas em alguns encontros (vide a La Trappe Quadrupel). Felizmente, de vez em quando, nos deparamos com cervejas como a Old Engine Oil. Comprada quase que exclusivamente por seu nome original, fazia muito tempo que colocávamos os olhos nesta cerveja mas ela não se encaixava nos temas dos encontros. Desta vez, esta inglesa foi direto para o nosso carrinho. O nome se deve a similaridade entre a consistência desta cerveja a do óleo de motores de carro (a segunda paixão do fundador desta cervejaria, que passou boa parte de sua vida trabalhando com protótipos de carro para a Ford). A garrafa possui um formato simples que é compensado por um belo rótulo, bem trabalhado e que traz uma imagem de um carro antigo. Ao servir já pudemos notar que o liquido era denso e extremamente escuro, porém no copo é que a Old Engine Oil se revelou. Esta cerveja é completamente preta, além disto, é coroada por uma espuma igualmente densa e escura. Colocada contra a luz, não deixou transparecer nada. A comoção foi geral. Degustá-la foi um prazer, esta cerveja possui um ótimo aroma, basicamente doce com traços de lúpulo. O sabor porém não é doce e sim amargo. É uma cerveja forte e complexa que lembra uma Porter ao extremo, altamente recomendada pela confraria. 4 tampinhas.

CAON: Além de ter o melhor nome de cerveja do universo, essa cerveja é uma das melhores representantes que eu já tomei de uma Irish Dry Stout. Provavelmente vai ter confusão entre stouts e porters, então é legal deixar bem claras as diferenças, para não termos uma comparação injusta com a Fullers London Porter. Stouts são cervejas que obrigatoriamente levam cevada tostada na formulação, o que leva elas a terem uma acidez bastante acima do normal. Aliás, maltes torrados por definição são mais ácidos, o que dá pra perceber no sabor de cervejas que abusam deles, como a Guiness. E, diga-se, a cevada tostada aparece com força na Old Engine Oil. Ela é muito adstringente e seca. A quantidade de malte torrado é tanta que até aparecem notas de defumado nela, quase uma rauchbier. A cor também é preta, opaca, passando um pouco de morenice pra espuma, inclusive. O lúpulo é muito pronunciado, e harmoniza com o resto dos sabores. Além de ser muito gostosa, essa é outra cerveja onde a Harviestoun mostra que é dez na originalidade. 4,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Se PICHE fosse árvore, sua FRUTA certamente daria o SUCO que a Harviestoun convencionou chamar de Old Engine Oil. Tá certo que o meu apreço por cerveja PRETA existe desde a época em que a única representante da categoria era a MALZBIER, mas mesmo assim, PUTA QUE ME LAMBEU, QUE BAITA CEVA. Quando a GRAVIDADE lhe exige que escape da garrafa e PRECIPITE-SE contente num copo, vê-se que há uma VISCOSIDADE exemplar no fluxo. Por Jah, é quase um CREME de tão densa. A espuma, uma ALMOFADINHA acaramelada, resiste brava e fofa por muitos minutos. Além das esperadas notas de CAFÉ e CHOCOLATE, presentes tanto na GLOSSA quanto na NAGA, a Old Engine Oil apresenta uma inegável sensação de SALGADO, que talvez o Caon tenha conseguido definir melhor ao compará-la a uma RAUCHBIER. Uma breve lembrança de BACON, uma vaga memória de CHARUTO, aquele salgadinho inexplicável nos beiços. Sim: a Old Engine Oil é tão GROSSA que nego já sente o gosto só de passar nos beiço. Parece um LEITE, só que AO CONTRÁRIO. E meio SALGOSO também. Uma vez que reservei à Old Engine Oil um cantinho especial no meu CORAÇÃO depois de tê-la provado, não posso conferir-lhe outra nota que não as 5 tampinhas de 5. E, sério: vale TUDO isso.

harviestoun bitter & twisted

posted on June 24, 2009 in ale, bitter ale, blonde, escocesas

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MICRO-PERFIL
Harviestoun Bitter & Twisted
Origem: Escócia
Graduação Alcoólica: 4,2%
Apresentação: Garrafa de 500ml
Preço: R$ 21,65

CAON: As Harviestoun chamaram na curiosidade da população pelos nomes. Provamos a Bitter and Twisted e a Old Engine Oil, sobre a qual vamos falar depois, e posso dizer que curti muito as duas. A Bitter & Twisted é uma blonde ale feita como um inglês a faria: com muito lúpulo e um perfil mais seco que as belgas, sem tantos sabores adocicados. Além disso, a B&T traz um outro sabor no mínimo curioso, um cítrico muito pronunciado e agradável, parece até limão. O pessoal ficou se perguntando se aquela cerveja, especificamente, era uma twist das que a gente conheceu por aqui, com essência misturada ou algo que o valha. Não é. Alguns lúpulos possuem um perfil de sabor puxando para o cítrico, e no caso da Bitter and Twisted um deles deve ter trazido uma quantidade suficiente de citrina, substância presente nas flores, para o dry hopping (ahhh, o dry hopping). Isso confere um “bite” diferenciado na cerveja, que não vem da acidez da carbonatação. Ok Guilherme, pare de ser tão técnico.

Outra coisa muito boa dessa cerveja é a falta de pudor do mestre-cervejeiro em publicar boa parte dos ingredientes da receita no contra rótulo, coisa que aqui dificilmente acontece. Ele praticamente esfrega na cara do cidadão que os lúpulos usados são o Hallertau Hersbrucker, Challenger e Styrian Goldings, variedades consideradas bastante nobres – e caras. No geral, uma belíssima cerveja, com um custo benefício bom e praticamente única em seu sabor. 3,5 tampinhas de 5.

NATÃO: A marca registrada da cervejaria Harviestoun é o bom humor, além de batizar as cervejas com nomes divertidos (vide o post sobre a Old Engine Oil) todas as garrafas trazem o desenho do seu mascote, um rato que, segundo a lenda descrita no rótulo, acompanhava os mestres cervejeiros no seu árduo trabalho. Além do bom humor a apresentação das cervejas é excelente, as garrafas fogem um pouco do padrão inglês e os rótulos são muito bem feitos. No caso da Bitter & Twisted o destaque no rótulo fica justamente para o mascote da cervejaria. No copo essa cerveja não perde pontos mas não se sobressai, possui uma cor laranja bonita, um pouco de turbidez e pouca espuma (devido a presença de aveia e consequentemente de gordura). O aroma é bom e já apresenta o excesso de lúpulo que virá a seguir. O lúpulo sentido no aroma, dá um amargor na medida para esta cerveja, que novamente trás o efeito boca seca. O resultado é uma boa cerveja artesanal que, já foi escolhida por uma revista como a melhor cerveja ale do mundo, foi muito apreciada entre os confrades, mas que não arrancou suspiros em nossa degustação. 3 tampinhas de 5.

CARDOSO: Juro que eu BUSQUEI, tanto no CAFUNGO intenso e concentrado quanto no esfrega da língua contra os dentes e as paredes internas das bochechas, mas não fui capaz de encontrar a tal CITRICIDADE descrita pelo Caon nessa loirinha amargosa. Boa cerveja, não nego, mas nada de ASSOBERBANTE. Na aparência, aquele douradinho opaco costumeiro, pouca espuma. Na nariga sente-se, inegavelmente, o alerta do lúpulo, mas tão NA ELEGÂNCIA que nem chega a assustar. No gogó, o fervilhar corriqueiro do gás carbônico; na língua o FEL pronunciado do lúpulo marcando presença ainda mais importante, mas é só. Foi ao terminar de sorver a Bitter & Twisted que começamos a suspeitar de algo que efetivamente se confirmaria mais tarde: esta noite não traria grandes emoções ou surpresas. A marca da degustação inglesa seria a constância. Várias versões sobre um mesmo tema. Sutilezas aqui e ali, é fato, e uma grande surpresa no final, com a outra representante da Haviestoun - a fabulosa Old Engine Oil -, mas em geral a noite inglesa foi assim: pouco aroma, alguma espuma, amargor galopante no RETROGOSTO. Dentro da proposta, até que a B&T não foi mal. Por conta disso, dou-lhe 2,5 tampinhas de 5 - mas não mais.