greene king ipa

posted on June 27, 2009 in IPA, ale, inglesas

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MICRO-PERFIL
Greene King IPA
Origem: Inglaterra
Graduação Alcoólica: 3,6%
Apresentação: Garrafa de 500ml
Preço: R$ 23

NATÃO: As cervejas inglesas em geral levam bastante lúpulo e, dentre estas cervejas, existe um estilo onde esse ingrediente se destaca ainda mais, que é o Indian Pale Ale ou simplesmente IPA. Esse estilo de cerveja surgiu da necessidade de se fazer cervejas que tivessem um tempo de vida mais longo, capaz de suportar viagens entre a Inglaterra e a Índia. Neste caso era feita uma adição extra de lúpulo, pois este ingrediente é um anti-bactericida natural. O resultado é uma cerveja aromática, bem amarga, pouco encorpada e que deixa uma sensação de boca seca. O efeito é similar ao de vinhos tintos secos. A IPA da Greene King, produzida por uma das maiores cervejarias da Inglaterra (a Greene King é praticamente uma corporação, cujos negócios vão de cervejarias a pubs e hotels), é um bom exemplar desse estilo. A apresentação é excelente - os ingleses se puxam nas garrafas e nos rótulos - além disso, a cor marrom escuro fica muito bem no copo. Por motivos óbvios o lúpulo se destaca. Bem presente no forte aroma dessa ceveja, ele também está no sabor bem amargo que se mantém na boca após o gole. Pessoalmente o único defeito que vejo nessa cerveja é uma característica própria do estilo, a falta de corpo. 3 tampinhas de 5.

CAON: Nas minhas notas, eu indiquei que ela é uma cerveja extremamente inglesa. Acobreada, límpida, com pouca espuma persistindo muito tempo no copo, ela é a descrição perfeita da escola. É uma belíssima cerveja, e boa pra quem tem medo de amargor, pois a lupulagem é bem presente mas equilibradíssima com o corpo. Se não fosse o preço, seria uma das minhas cervejas de sessão favoritas. 3,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Aquele HUMOR ESTRANHO que se havia levantado na forma de suspeita por volta dos últimos suspiros da Bitter & Twisted finalmente ganhou contornos CONFIRMATIVOS na IPA da Greene King. Logo no primeiro gole já bateu a vibe de REPRISE. Apesar de perigosamente parecida com a Bitter & Twisted e totalmente INDISTINGÜÍVEL da Old Speckled Hen, pelo menos era COMPLETAMENTE DIFERENTE da similar brazuca. Única conclusão possível: alguém errou FEIO na fórmula. Mas, de novo: quem se importa? Muito boa cerveja. Drasticamente diferente da Estrada Real: vários tons mais claros no OLHO, nada de FRUTICE no NARIZ, esqualidez pálida na BOCA. Pelo menos compartilha do AMARGONES com a IPA da Falke - e, aliás, com todas as demais cervejas inglesas (de origem ou receita) provadas esta noite. Só o lúpulo salva. Fora isso, desce REDONDINHA a MARVADA. Extremamente bem feita, lapidada, com tudo no lugar. Não é porque é IGUAL às outras que é PIOR. Aliás, isso não faria o MENOR SENTIDO. Semiologia à parte, DECRETO que a querida merece 3,5 tampinhas de 5.

falke bier estrada real ipa

posted on June 25, 2009 in IPA, ale, brasileiras

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MICRO-PERFIL

Falke Bier Estrada Real IPA
Origem: Minas Gerais/Brasil
Graduação Alcoólica: 7,5%
Apresentação: Garrafa de 600ml
Preço: R$ 12,70

CAON: Apelidada pelos confrades de FASOLO MINEIRO, por causa da cor de couro, a Estrada Real foi nossa primeira IPA da sequencia e, há de se dizer, um belo exemplar do estilo. India Pale Ale é um estilo inglês que surgiu na época colonial, quando os navegadores britânicos tinham que levar até a India barris e mais barris de cerveja para atender a sede de seus cidadãos. A quantidade de lúpulo extra colocada na cerveja ajudava na conservação e na estabilidade do produto, que viajava meses em condições não muito favoráveis. A Estrada Real é a interpretação do estilo feita pela Falke Bier. É uma ótima cerveja, bem carregada no lúpulo, e com um corpo bom – ela começa doce na boca - mas que não chega a equilibrar o amargor. Pra mim isso é ótimo, gosto bastante das cervejas mais amargas. Ela também possui um certo frutado que eu arriscaria dizer ser o sotaque brasileiro dela, mas para alguns puristas ela está “fora de estilo”. Deixem de tobeirice. Isso aqui não é vinho pra vocês ficarem nessa cheirarrolhismo, ok? Bela ceva, custo benefício muito bom, 3,5 tampinhas de 5.

NATÃO: A principal característica desta cerveja inglesa é o fato dela ser brasileira. A Estrada Real é uma cerveja mineira que segue uma receita inglesa, a relação entre a estrada e o estilo de cerveja é descrito no site do fabricante da seguinte maneira: “A Estrada Real e a Falke Bier resgatam esta receita, oferecendo uma autêntica English IPA, que certamente seria a cerveja que acompanharia os viajantes da Estrada Real no séc. XVIII.”. Explicando, as cervejas inglesas eram carregadas de lúpulo para durar mais, naquele tempo cruzar a estrada real era muito demorado, se fôssemos levar uma ceva nessa viagem teria que ser uma do estilo inglês. Sim, forçaram um pouco, enfim… A apresentação desta cerveja é boa, garrafa de 600ml gordinha e um rótulo bem trabalhado (mas que cheguei a conclusão de que não gostei :-P). No copo não há dúvidas, a sua cor marron entre o couro e o chocolate é muito bonita. O aroma é muito bom e destaca bem o lúpulo da receita. Na boca essa cerveja é pura alegria, bem encorpada e um pouco menos amarga que as cervejas anteriores, começa levemente doce e depois fica seca. Em resumo a experiência foi muito boa e definitivamente temos uma boa representante nacional para este estilo inglês carregado de lúpulo. 3,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Apesar de ser impossível superar a primeira frase do comentário do Natão (que pra mim resume totalmente a questão), lançarei meus dois centavos sobre o assunto à mesa dizendo que essa MULTATINHA me conquistou. Beleza: o inglês é a língua universal, a contribuição cultural da principal ex-colônia britânica no último século é TREMENDO, mas no fim das contas, bom mesmo acaba sendo mulher gostosa - e não tem mulher mais gostosa que a brasileira. No campo das cervejas, vemos que isso também se confirma - e cada vez mais. Baita cerveja essa Estrada Real. Primeira da noite que realmente fez o coração REBOLAR. E digo mais: certamente me conquistou por conta da pirotecnia NASAL que promove, detalhe que o Caon inclusive já apontou ali em cima como um possível fator DESABONADOR do ponto de vista ESTILÍSTICO - mas francamente, quem se importa? Eu gosto mesmo da minha cerveja mais escura, fedorenta e encorpada. A Estrada Real é as três coisas, e ainda por cima ENTREGA (odeio essa tradução tosca de “deliver” que tá se popularizando nos meios mais GERÚNDICOS, mas mesmo assim vou empregá-la aqui a título de PROTESTO) o fator LOSNA comum às inglesas no amargor de essência Olina que precipita no fundão da língua no final do gole. Enfim: gostei do MAGENTA escuro no copo, da FLORICULTURA no respiro e das ESPECIARIAS pinicando todos os cantos da boca. Pra mim, o show vale 4 tampinhas de 5.