BEERCASTING - outubro 09

posted on October 11, 2009 in Uncategorized

Na última sexta, dia 9 de outubro, rolou a primeira transmissão ao vivo de um encontro da nossa confraria, doravante chamado de NINKASI BEERCASTING.

A idéia original era usar o TWITTER para publicar relatos curtos sobre cada cerveja à medida que elas iam sendo degustadas, mas tudo mudou quando descobri e testei esse tal de TWITCAM. O serviço - gratuito - permite a criação de um canal de streaming de vídeo a partir de uma conta do Twitter. Basta plugar uma WEBCAM qualquer ao seu computador e voilà.

Sem maiores dificuldades, transmitimos ao vivo da casa do Natão por cerca de 3 horas - duas ininterruptas e mais uma adicional depois que um dos gatos saltou sobre o teclado do meu note, arruinando tudo.

A experiência foi um sucesso.

Apesar de tratar-se de uma noite de sexta - que ainda por cima era começo de feriado -, mantivemos uma audiência média de 8 cabeças, com picos de 13 e um total estimado em cerca de 35-40 espectadores ao longo de toda a noite.

Na pauta:

Nosso glorioso REENCONTRO, depois de dois meses sem Ninkasi;

Cervejas patagônicas adquiridas pelo Natão em recente viagem à Argentina;

- Blest Pilsen
- Blest Bock
- Berlina IPA
- Yeska Rubia
- El Bolsón Negra Celiac’s Beer

Um REPETECO das melhores cervejas que bebemos esse ano;

- Paulaner Kristallklar
- Schöfferhofer Hefeweizen
- Tilburgs’s Dutch Brown Ale
- Trappist Achel Brune
- Paulaner Salvator
- Harviestoun Old Engine Oil
- La Trappe Dubel

E a Convidada Especial da noite:

- Unibroue Trois Pistoles

Quem não conseguiu acompanhar ao vivo ou quer rever nosso OITAVO encontro pode clicar nos links abaixo:

- Primeiras duas horas.

- Hora final.

ninkasi: reloaded

posted on September 30, 2009 in Uncategorized, nova ninkasi

Para quem andou SENTIDO com a ausência de atualizações no site da Ninkasi Confraria, as notícias são MUITO boas: nas próximas semanas Nataniel Strack, Guilherme Caon e esse que LHES dirige a palavra (aka EU) estaremos RETOMANDO as atividades do nosso MERGULHO peculiar no SUBMUNDO da CERVEJA.

ninkasi_new_watchout.jpg

No tocante ao CONTEÚDO, a degustação cervejística sem grandes frescuras ou momentos ANAL-RETENTIVOS segue inalterada. Quanto ao FORMATO, porém, GRANDES mudanças devem ser esperadas.

AGUARDE.

Enquanto isso, acompanhe-nos no TWITTER (@ninkasicerveja) OU assine o nosso RSS.

BIG THINGS A GWAN, vocês não perdem por esperar.

(…)

Em nome dos VELHOS TEMPOS, prometemos ainda - e pra NÃO MUITO LONGE - a publicações das IMPRESSÕES colhidas durante os últimos TRÊS encontros, a saber:

- Ale x Lager na casa do Natão (maio);

- Escuras ou de Inverno na minha casa (junho);

- Ingredientes Esquisitos na casa do Caon feat. Xerxenesky (julho).

Destaque para as inspiradas ILUSTRAÇÕES executadas EM TEMPO REAL e com EXÍMIA DESTREZA pelo Xrxs nesse último, sempre retratando o ANIMAL que seu julgamento pessoal lhe dizia parecer mais COMPATÍVEL com a VIBE da cerveja que era consumida no momento.

Brilhante.

Enfim, preparem seus corações.

We’re comin’ back.

Promoção - 08/08/2009

posted on August 8, 2009 in Uncategorized

Ok, a gente tá se arrastando pra publicar a próxima leva de posts, mas é por *causa nobre*, pois estamos pensando em trocentas coisas diferentes pra colocar no blog. Uma delas já dá pra adiantar: quando a gente esbarrar em alguma promoção decente de cerveja, vamos postar imediatamente no blog.

E o Sady Homrich já deu a primeira dica:

> Assunto: Promoção de cerveja
> Data: sábado, 8 de agosto de 2009, 16:06:22
> AVISO AOS NAVEGANTES: o encarregado do Super Nacional da Lucas me enviou o
> e-mail abaixo.
> Disse que tem umas 100 unidades.
> Tô indo pra lá…
> Abraços

> Enviada: sáb 8/8/2009 13:53
> Assunto: promoção de cerveja
> Boa tarde Sady,estou fazendo uma promoção de barril da Heineken 5 litros R$
> 29,90 só hoje .
> abraço!

> Supermercado Nacional - Rua Lucas de Oliveira (nota: em Porto Alegre)

petiscos de abril

posted on June 30, 2009 in petiscos

Derrotados pelo peso dos mais de 90 anos que possuimos somando nossas idades (patamar que se eleva em direção dos 150 caso INCLUAMOS na conta a experiência do indefectível DOUTOR e suas perfumosas cigarrilhas MAROTAS, nosso convidado aquela noite), nos vimos obrigados a introduzir na programação da noite uma JANTINHA preliminar, para nos dar uma base e conferir um FORRO aos nossos estômagos TEREZA BATISTA (cansados de guerra) que certamente nos garantiria um despertar mais FELIZ no dia seguinte.

Fato.

Para transformar nossos desejos em realidade, Guilherme Caon entrou numa VIBE de MESTRE CUCA e nos ofertou um destemido RISOTO DE CAMARÃO cozido no caldo feito com as CASCAS dos próprios CRUSTÁCEOS e acrescido de um FARELINHO DE GORGONZOLA que DEUSULIVRE.

rango

Fora isso, o tradicionalíssimo pão-de-queijo, fatias de salame, lâminas de pepino, cubos de queijo estepe e gorgonzola e - como não podia deixar de ser, AMENDOIM MALDITO.

pao-de-queijo

boon oude geuze mariage parfait

posted on in belgas, geuze

mariage-parfait
MICRO-PERFIL
Boon Oude Geuze Mariage Parfait
Origem: Bélgica
Graduação Alcoólica: 8%
Apresentação: Garrafa de 375ml
Preço: R$ 33,50

CAON: Azeda. Mas isso é do estilo, afinal estamos falando novamente de uma cerveja de fermentação espontânea. Pra falar bem a verdade, acho que ninguém na mesa gostou dela, mas quisemos aproveitar que apareceram umas geuzes no mercado pra saber que gosto esse troço tinha. Ela é bem uma cerveja ame-a ou deixe-a, extremamente ácida, com um aroma não muito agradável que às vezes é descrito na literatura como estábulo, por causa de uma das espécies de fermento selvagem que estão presentes na bebida. Não duvido que surjam apaixonados por ela, mas eu não chego perto de outra tão cedo. 1 tampinha de 5.

NATÃO: Se nós queríamos ser surpreendidos, conseguimos. Havia muito tempo estávamos em busca de uma Lambic. Esse estilo de cerveja tem por principal característica a fermentação espontânea, ou seja: deixe a mistura “envelhecer” ao ar livre. Neste caso não é qualquer ar, a Lambic deve ser feita no Vale Senne (sul da Bélgica) onde as leveduras e bactérias da região concedem o sabor único desse estilo. Temos uma representante nacional já avaliada, a Mocinha. Já a Marriage Parfait é uma Geuze, que nada mais é do que a mistura de uma Lambic jovem com uma Lambic velha, daí o nome :-). Enfim, estávamos em busca de uma Lambic e fomos premiados com esta Geuze famosa da cervejaria belga Boon. A apresentação desta cerveja nos ganhou com sua garrafa estilo espumante, tampada com rolha. Ao servir, tudo seguiu muito bem, uma cor laranja bonita, muita espuma e boa turbidez. Já no nariz o aroma nos desconcertou, era completamente diferente do que estávamos acostumados. Partimos para a prova. Em uma palavra, vinagre. Para resistir ao processo de fermentação sem apodrecer, o processo de preparo dessa cerveja faz com que ela se torne extremamente ácida, lembrando uva passada, basicamente um vinagre. O estilo ficou longe de agradar a confraria mas com certeza valeu a experiência. Quem tem interesse em cervejas deve provar, pois se trata de uma cerveja de qualidade e, como se sabe, os gostos variam. Mais uma curiosidade, esta cerveja é válida por 30 anos. Diz-se que com o tempo ela vai adquirindo outros sabores. Estou pensando seriamente em comprar uma e esquecer no canto de algum armário por muitos anos.

CARDOSO: Saca KEEP COOLER sabor VINAGRE? Claro que não, até porque isso não existe. Mesmo assim, te proponho esse exercício. Faça essa BRINCADEIRA. Tente imaginar a ABERRAÇÃO que seria. Pois não existe forma mais ACURADA de se definir a experiência de beber uma Mariage Parfait. Amigo, que ONDA ERRADA. Rançosa, pungente e revoltante em praticamente todos os seus aspectos, é um bagulho MUITO esquisito mesmo. Não consigo imaginar quem consome esse troço com GANA e prazer. Chega a passar uma VIBE meio de REMÉDIO, de tão ruim que é. Isso, claro, quando falamos sobre BEBÊ-LA. Quem sabe se usada com SABEDORIA pra temperar uma SALADINHA ou até mesmo um bom PERNIL esse negócio não fica bom pra caralho? Se tem laranja que só presta pra SUCO e tomate que só presta pra MOLHO (não sei se tem, na real tou chutando), deve existir cerveja que só funciona como ESPECIARIA. Outro fator que merece ser levado em consideração é o apontado pelo Natão: a improvável validade de 30 anos planta uma violenta pulga atrás da orelha, fazendo com que o cabra CONCATENE raciocínios perigosos, que podem levá-lo a comprar e armazenar essa ENCRENCA por quase METADE de sua existência. Imagina que merda se tu abre esse lance em 2039 e ela tá a MESMA MERDA? Claro que pode acontecer exatamente o CONTRÁRIO e, 30 anos depois, a Mariage Parfait vir a ser a MELHOR cerveja que tu já tomou na tua puta vida - o que faria algum sentido mágico, afinal de contas um casamento que dura 30 anos pode de certa forma ser considerado perfeito -, mas eu prefiro não arriscar. Partindo do princípio que a expectativa é a mãe de todo sofrimento, pelo sim, pelo não, resolvi que ODEIO cerveja de fermentação espontânea. Abrir uma geuze pode até valer como experiência para quem tem mente aberta e disposição para conhecer o DIFERENTE, mas isso não significa necessariamente que vai ser BOA. Até porque, nesse caso, NÃO vai. Desista. Lamento. 0,5 tampinha de 5.

fuller’s london porter

posted on June 29, 2009 in inglesas, porter

fullers-london-porter
MICRO-PERFIL
Fuller’s London Porter
Origem: Inglaterra
Graduação Alcoólica: 5,4%
Apresentação: Garrafa de 500ml
Preço: R$ 23

CAON: Porters não usam cevada tostada em sua formulação, mas sim maltes torrados, o que confere outro tipo de sabor à bebida, mais adocicado e arredondado. A Fuller’s London Porter, especificamente, traz um aftertaste de chocolate e nozes incrível, o que tornou ela uma das minhas preferidas. É uma cerveja também bastante escura, mas que já deixa aparecer um pouco mais a sua cor, não sendo tão opaca quanto a Old Engine Oil. O lúpulo aparece mais moderado, deixando as notas do malte falarem mais alto. Caso alguém esteja pensando nisso, sim, ela é a companhia perfeita para várias sobremesas. Ao contrário dos vinhos, que teriam um problema incrível para enfrentar qualquer sobremesa com chocolate, café, e outros ingredientes mais fortes, os sabores dos maltes escuros fazem com que a coisa toda funcione com muito mais facilidade. Baita ceva, belo custo benefício, 4 tampinhas de 5.

NATÃO: Aqui temos mais um estilo de cerveja inglesa, as Porters. Surgido na Londres do século 19, sua origem se deve ao hábito de misturar duas ou três cervejas na hora de servir, como esse processo dava muito trabalho a solução encontrada foi fazer um estilo novo que lembrasse essas famosas misturas. Feito com maltes bem torrados, inicialmente ele se chamava Entire, mas com o tempo acabou levando o nome do seu principal público consumidor da época. Para representar o estilo escolhemos a London Porter da Fuller’s, que é a última cervejaria familiar de Londres. A Fuller’s London Porter possui uma apresentação impecável, com uma garrafa e rótulo muito bonitos. Além disso, também faz bonito no copo com uma cor bem escura e uma espuma consistente. Bem aromática, ela traz uma mistura de doce com lúpulo. Já no sabor essa mistura não existe, predominando apenas o amargor. Para a nossa alegria, diferente das IPAs, essa cerveja é bem encorpada. Sem dúvida a Fuller´s possui uma ótima Porter e, para quem quiser conhecer o estilo, essa cerveja é uma ótima opção. 3,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Não poderia ter sido mais feliz nossa escolha para ENCERRAR a cota de inglesas da noite. A London Porter da Fuller’s cumpriu exatamente o seu papel de SOBREMESA, esquentando as narinas com seu vaporzinho floreado e deixando a BOCARRA metida naquele SAARA característico ao fim do processo. Em outras palavras: constância e coerência. Em outras: mais do mesmo. Escura como a Old Engine Oil, perfumosa como a Old Engine Oil, porém com um sabor meio APAGADO e uma textura bem RALINHA estalando na boca. Particularmente, eu teria feito uma pequena inversão na ordem e bebido a Old Engine Oil DEPOIS da London Porter, uma vez que no fim das contas a segunda acabou me parecendo uma versão mais AGUADA da primeira. Se a tivéssemos bebido primeiro, possivelmente teríamos achado a Old Engine Oil uma versão MELHORADA da London Porter, e não a London Porter uma versão PIORADA da OEO. Pelo menos, esta é a MINHA opinião. Por fim, sim: sei que embora PRETAS, são duas cervejas de estilos COMPLETAMENTE diferentes. Mas se tivesse que escolher apenas uma das duas ia CEGO na escocesinha. 3 tampinhas de 5.

harviestoun old engine oil

posted on June 28, 2009 in escocesas, stout

old-engine-oil
MICRO-PERFIL
Harviestoun Old Engine Oil
Origem: Escócia
Graduação Alcoólica: 6%
Apresentação: Garrafa de 330ml
Preço: R$ 17,50

NATÃO: Em uma conversa recente com o Rogério da Costi, ouvimos ele nos comentar que, hoje temos acesso a muitas cervejas diferentes e, para aqueles que gostam de degustá-las, com o tempo vai ficando mais difícil ser positivamente impressionado por alguma delas. Concordamos plenamente, pois já tivemos nossas decepções com cervejas muito famosas em alguns encontros (vide a La Trappe Quadrupel). Felizmente, de vez em quando, nos deparamos com cervejas como a Old Engine Oil. Comprada quase que exclusivamente por seu nome original, fazia muito tempo que colocávamos os olhos nesta cerveja mas ela não se encaixava nos temas dos encontros. Desta vez, esta inglesa foi direto para o nosso carrinho. O nome se deve a similaridade entre a consistência desta cerveja a do óleo de motores de carro (a segunda paixão do fundador desta cervejaria, que passou boa parte de sua vida trabalhando com protótipos de carro para a Ford). A garrafa possui um formato simples que é compensado por um belo rótulo, bem trabalhado e que traz uma imagem de um carro antigo. Ao servir já pudemos notar que o liquido era denso e extremamente escuro, porém no copo é que a Old Engine Oil se revelou. Esta cerveja é completamente preta, além disto, é coroada por uma espuma igualmente densa e escura. Colocada contra a luz, não deixou transparecer nada. A comoção foi geral. Degustá-la foi um prazer, esta cerveja possui um ótimo aroma, basicamente doce com traços de lúpulo. O sabor porém não é doce e sim amargo. É uma cerveja forte e complexa que lembra uma Porter ao extremo, altamente recomendada pela confraria. 4 tampinhas.

CAON: Além de ter o melhor nome de cerveja do universo, essa cerveja é uma das melhores representantes que eu já tomei de uma Irish Dry Stout. Provavelmente vai ter confusão entre stouts e porters, então é legal deixar bem claras as diferenças, para não termos uma comparação injusta com a Fullers London Porter. Stouts são cervejas que obrigatoriamente levam cevada tostada na formulação, o que leva elas a terem uma acidez bastante acima do normal. Aliás, maltes torrados por definição são mais ácidos, o que dá pra perceber no sabor de cervejas que abusam deles, como a Guiness. E, diga-se, a cevada tostada aparece com força na Old Engine Oil. Ela é muito adstringente e seca. A quantidade de malte torrado é tanta que até aparecem notas de defumado nela, quase uma rauchbier. A cor também é preta, opaca, passando um pouco de morenice pra espuma, inclusive. O lúpulo é muito pronunciado, e harmoniza com o resto dos sabores. Além de ser muito gostosa, essa é outra cerveja onde a Harviestoun mostra que é dez na originalidade. 4,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Se PICHE fosse árvore, sua FRUTA certamente daria o SUCO que a Harviestoun convencionou chamar de Old Engine Oil. Tá certo que o meu apreço por cerveja PRETA existe desde a época em que a única representante da categoria era a MALZBIER, mas mesmo assim, PUTA QUE ME LAMBEU, QUE BAITA CEVA. Quando a GRAVIDADE lhe exige que escape da garrafa e PRECIPITE-SE contente num copo, vê-se que há uma VISCOSIDADE exemplar no fluxo. Por Jah, é quase um CREME de tão densa. A espuma, uma ALMOFADINHA acaramelada, resiste brava e fofa por muitos minutos. Além das esperadas notas de CAFÉ e CHOCOLATE, presentes tanto na GLOSSA quanto na NAGA, a Old Engine Oil apresenta uma inegável sensação de SALGADO, que talvez o Caon tenha conseguido definir melhor ao compará-la a uma RAUCHBIER. Uma breve lembrança de BACON, uma vaga memória de CHARUTO, aquele salgadinho inexplicável nos beiços. Sim: a Old Engine Oil é tão GROSSA que nego já sente o gosto só de passar nos beiço. Parece um LEITE, só que AO CONTRÁRIO. E meio SALGOSO também. Uma vez que reservei à Old Engine Oil um cantinho especial no meu CORAÇÃO depois de tê-la provado, não posso conferir-lhe outra nota que não as 5 tampinhas de 5. E, sério: vale TUDO isso.

greene king ipa

posted on June 27, 2009 in IPA, ale, inglesas

greene-king-ipa
MICRO-PERFIL
Greene King IPA
Origem: Inglaterra
Graduação Alcoólica: 3,6%
Apresentação: Garrafa de 500ml
Preço: R$ 23

NATÃO: As cervejas inglesas em geral levam bastante lúpulo e, dentre estas cervejas, existe um estilo onde esse ingrediente se destaca ainda mais, que é o Indian Pale Ale ou simplesmente IPA. Esse estilo de cerveja surgiu da necessidade de se fazer cervejas que tivessem um tempo de vida mais longo, capaz de suportar viagens entre a Inglaterra e a Índia. Neste caso era feita uma adição extra de lúpulo, pois este ingrediente é um anti-bactericida natural. O resultado é uma cerveja aromática, bem amarga, pouco encorpada e que deixa uma sensação de boca seca. O efeito é similar ao de vinhos tintos secos. A IPA da Greene King, produzida por uma das maiores cervejarias da Inglaterra (a Greene King é praticamente uma corporação, cujos negócios vão de cervejarias a pubs e hotels), é um bom exemplar desse estilo. A apresentação é excelente - os ingleses se puxam nas garrafas e nos rótulos - além disso, a cor marrom escuro fica muito bem no copo. Por motivos óbvios o lúpulo se destaca. Bem presente no forte aroma dessa ceveja, ele também está no sabor bem amargo que se mantém na boca após o gole. Pessoalmente o único defeito que vejo nessa cerveja é uma característica própria do estilo, a falta de corpo. 3 tampinhas de 5.

CAON: Nas minhas notas, eu indiquei que ela é uma cerveja extremamente inglesa. Acobreada, límpida, com pouca espuma persistindo muito tempo no copo, ela é a descrição perfeita da escola. É uma belíssima cerveja, e boa pra quem tem medo de amargor, pois a lupulagem é bem presente mas equilibradíssima com o corpo. Se não fosse o preço, seria uma das minhas cervejas de sessão favoritas. 3,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Aquele HUMOR ESTRANHO que se havia levantado na forma de suspeita por volta dos últimos suspiros da Bitter & Twisted finalmente ganhou contornos CONFIRMATIVOS na IPA da Greene King. Logo no primeiro gole já bateu a vibe de REPRISE. Apesar de perigosamente parecida com a Bitter & Twisted e totalmente INDISTINGÜÍVEL da Old Speckled Hen, pelo menos era COMPLETAMENTE DIFERENTE da similar brazuca. Única conclusão possível: alguém errou FEIO na fórmula. Mas, de novo: quem se importa? Muito boa cerveja. Drasticamente diferente da Estrada Real: vários tons mais claros no OLHO, nada de FRUTICE no NARIZ, esqualidez pálida na BOCA. Pelo menos compartilha do AMARGONES com a IPA da Falke - e, aliás, com todas as demais cervejas inglesas (de origem ou receita) provadas esta noite. Só o lúpulo salva. Fora isso, desce REDONDINHA a MARVADA. Extremamente bem feita, lapidada, com tudo no lugar. Não é porque é IGUAL às outras que é PIOR. Aliás, isso não faria o MENOR SENTIDO. Semiologia à parte, DECRETO que a querida merece 3,5 tampinhas de 5.

rodada de fogo: saidera

posted on June 26, 2009 in rodada de fogo

saideira

NATÃO: Após o primeiro encontro da Ninkasi o Cardoso trouxe uma proposta inovadora, que tal incluir uma cerveja ruim entre as cervejas boas para servir de parâmetro?, a idéia foi imediatamente acatada e se tornou um dos pontos altos da noite, a famosa Rodada de Fogo. No começo fixamos na questão “cerveja ruim”, que é um conceito vago, quando coube a mim decidir optei por uma cerveja totalmente industrializada e com orgulho de não possuir sabor, já o Caon escolheu sabiamente uma lendária cerveja artesanal com um processo muito próprio de fabricação. O fato é que mudamos o foco de “escolher uma cerveja ruim” para “ter um parâmetro” ou “o que pode quebrar com a sequência lógica da degustação”. Neste caso, após quase uma hora escolhendo as melhores cevas inglesas na Costi, nos lembramos da Rodada de Fogo. Revisitamos as prateleiras procurando por algo inusitado e nos deparamos com uma suposta latinha de Skol, porém no lugar da popular marca lia-se “Saidera”. A Saidera é a primeira cerveja capixaba, foi lançada em 2007 e pode ser comprada na versão garrafa pet de 1,5l. Bom para o crescimento do estado do Espirito Santo, mas de nenhum interesse para quem gosta de cervejas mais elaboradas. Munidos das melhores cevas inglesas que cruzaram o nosso caminho e de uma latinha de Saideira, nos encaminhamos para a nossa degustação. Chegado o momento da Saidera (sem comentários) fomos surpreendidos por uma cor boa, bastante espuma e por um barulho estranho. Prontamente o Caon esclareceu, muito barulho significa espuma pouco densa que, consequentemente, baixa rápido. De fato, a espuma não era consistente e rapidamente sumiu. Ao provarmos não tivemos nenhuma surpresa, reconhecemos o fedor característico das nossas cevas mais industrializadas e sua total ausência de sabor. Corremos para o copo d´agua e para a próxima ceva da noite que, por sua vez, nos recompensou com o excelente aroma rico em lúpulo das inglesas. Todos exceto o meu pai, que corajosamente matou a sua Saidera antes de seguir em frente.

CAON: Ok, capixabas. Vocês pegaram pesado com a gente. Eu sei que a gente mandou o Humberto Gessinger pro resto do Brasil, mas vocês não precisavam ter se vingado dessa maneira. Mesmo que o Espírito Santo não tenha uma baita tradição cervejeira, fazer mais uma marca de água com gás e ranço pra vender por aí é sacanagem. Essa é a legítima cerveja de briga, ficamos imaginando alguém brigando com todo mundo pra não tomar. “Não, Saidera não! Não vou tomar isso nem abaixo de porrada!”. Zero tampinhas.

CARDOSO: Garrafa pet de 1,5l. Retaliação a Humberto Gessinger. “Bom para o crescimento do estado do Espírito Santo, mas de nenhum interesse para quem gosta de cervejas mais elaboradas”. Depois de tudo que já foi exposto com tanta MAESTRIA pelos irmãos confrades, só me resta jogar luz sobre um fato deveras peculiar do veneninho em questão. Escreve-se “Saidera” mesmo. Sem o I entre o E e o R. Saidera. Abstraindo esse detalhe, entretanto, olha, pruma CEVA DE BRIGA até que não é tão horrorosa. Agora, pra BOA também não serve. Era só o que eu tinha a dizer. Caveirinha nela.

falke bier estrada real ipa

posted on June 25, 2009 in IPA, ale, brasileiras

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MICRO-PERFIL

Falke Bier Estrada Real IPA
Origem: Minas Gerais/Brasil
Graduação Alcoólica: 7,5%
Apresentação: Garrafa de 600ml
Preço: R$ 12,70

CAON: Apelidada pelos confrades de FASOLO MINEIRO, por causa da cor de couro, a Estrada Real foi nossa primeira IPA da sequencia e, há de se dizer, um belo exemplar do estilo. India Pale Ale é um estilo inglês que surgiu na época colonial, quando os navegadores britânicos tinham que levar até a India barris e mais barris de cerveja para atender a sede de seus cidadãos. A quantidade de lúpulo extra colocada na cerveja ajudava na conservação e na estabilidade do produto, que viajava meses em condições não muito favoráveis. A Estrada Real é a interpretação do estilo feita pela Falke Bier. É uma ótima cerveja, bem carregada no lúpulo, e com um corpo bom – ela começa doce na boca - mas que não chega a equilibrar o amargor. Pra mim isso é ótimo, gosto bastante das cervejas mais amargas. Ela também possui um certo frutado que eu arriscaria dizer ser o sotaque brasileiro dela, mas para alguns puristas ela está “fora de estilo”. Deixem de tobeirice. Isso aqui não é vinho pra vocês ficarem nessa cheirarrolhismo, ok? Bela ceva, custo benefício muito bom, 3,5 tampinhas de 5.

NATÃO: A principal característica desta cerveja inglesa é o fato dela ser brasileira. A Estrada Real é uma cerveja mineira que segue uma receita inglesa, a relação entre a estrada e o estilo de cerveja é descrito no site do fabricante da seguinte maneira: “A Estrada Real e a Falke Bier resgatam esta receita, oferecendo uma autêntica English IPA, que certamente seria a cerveja que acompanharia os viajantes da Estrada Real no séc. XVIII.”. Explicando, as cervejas inglesas eram carregadas de lúpulo para durar mais, naquele tempo cruzar a estrada real era muito demorado, se fôssemos levar uma ceva nessa viagem teria que ser uma do estilo inglês. Sim, forçaram um pouco, enfim… A apresentação desta cerveja é boa, garrafa de 600ml gordinha e um rótulo bem trabalhado (mas que cheguei a conclusão de que não gostei :-P). No copo não há dúvidas, a sua cor marron entre o couro e o chocolate é muito bonita. O aroma é muito bom e destaca bem o lúpulo da receita. Na boca essa cerveja é pura alegria, bem encorpada e um pouco menos amarga que as cervejas anteriores, começa levemente doce e depois fica seca. Em resumo a experiência foi muito boa e definitivamente temos uma boa representante nacional para este estilo inglês carregado de lúpulo. 3,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Apesar de ser impossível superar a primeira frase do comentário do Natão (que pra mim resume totalmente a questão), lançarei meus dois centavos sobre o assunto à mesa dizendo que essa MULTATINHA me conquistou. Beleza: o inglês é a língua universal, a contribuição cultural da principal ex-colônia britânica no último século é TREMENDO, mas no fim das contas, bom mesmo acaba sendo mulher gostosa - e não tem mulher mais gostosa que a brasileira. No campo das cervejas, vemos que isso também se confirma - e cada vez mais. Baita cerveja essa Estrada Real. Primeira da noite que realmente fez o coração REBOLAR. E digo mais: certamente me conquistou por conta da pirotecnia NASAL que promove, detalhe que o Caon inclusive já apontou ali em cima como um possível fator DESABONADOR do ponto de vista ESTILÍSTICO - mas francamente, quem se importa? Eu gosto mesmo da minha cerveja mais escura, fedorenta e encorpada. A Estrada Real é as três coisas, e ainda por cima ENTREGA (odeio essa tradução tosca de “deliver” que tá se popularizando nos meios mais GERÚNDICOS, mas mesmo assim vou empregá-la aqui a título de PROTESTO) o fator LOSNA comum às inglesas no amargor de essência Olina que precipita no fundão da língua no final do gole. Enfim: gostei do MAGENTA escuro no copo, da FLORICULTURA no respiro e das ESPECIARIAS pinicando todos os cantos da boca. Pra mim, o show vale 4 tampinhas de 5.

harviestoun bitter & twisted

posted on June 24, 2009 in ale, bitter ale, blonde, escocesas

harviestoun-bitter-and-twisted
MICRO-PERFIL
Harviestoun Bitter & Twisted
Origem: Escócia
Graduação Alcoólica: 4,2%
Apresentação: Garrafa de 500ml
Preço: R$ 21,65

CAON: As Harviestoun chamaram na curiosidade da população pelos nomes. Provamos a Bitter and Twisted e a Old Engine Oil, sobre a qual vamos falar depois, e posso dizer que curti muito as duas. A Bitter & Twisted é uma blonde ale feita como um inglês a faria: com muito lúpulo e um perfil mais seco que as belgas, sem tantos sabores adocicados. Além disso, a B&T traz um outro sabor no mínimo curioso, um cítrico muito pronunciado e agradável, parece até limão. O pessoal ficou se perguntando se aquela cerveja, especificamente, era uma twist das que a gente conheceu por aqui, com essência misturada ou algo que o valha. Não é. Alguns lúpulos possuem um perfil de sabor puxando para o cítrico, e no caso da Bitter and Twisted um deles deve ter trazido uma quantidade suficiente de citrina, substância presente nas flores, para o dry hopping (ahhh, o dry hopping). Isso confere um “bite” diferenciado na cerveja, que não vem da acidez da carbonatação. Ok Guilherme, pare de ser tão técnico.

Outra coisa muito boa dessa cerveja é a falta de pudor do mestre-cervejeiro em publicar boa parte dos ingredientes da receita no contra rótulo, coisa que aqui dificilmente acontece. Ele praticamente esfrega na cara do cidadão que os lúpulos usados são o Hallertau Hersbrucker, Challenger e Styrian Goldings, variedades consideradas bastante nobres – e caras. No geral, uma belíssima cerveja, com um custo benefício bom e praticamente única em seu sabor. 3,5 tampinhas de 5.

NATÃO: A marca registrada da cervejaria Harviestoun é o bom humor, além de batizar as cervejas com nomes divertidos (vide o post sobre a Old Engine Oil) todas as garrafas trazem o desenho do seu mascote, um rato que, segundo a lenda descrita no rótulo, acompanhava os mestres cervejeiros no seu árduo trabalho. Além do bom humor a apresentação das cervejas é excelente, as garrafas fogem um pouco do padrão inglês e os rótulos são muito bem feitos. No caso da Bitter & Twisted o destaque no rótulo fica justamente para o mascote da cervejaria. No copo essa cerveja não perde pontos mas não se sobressai, possui uma cor laranja bonita, um pouco de turbidez e pouca espuma (devido a presença de aveia e consequentemente de gordura). O aroma é bom e já apresenta o excesso de lúpulo que virá a seguir. O lúpulo sentido no aroma, dá um amargor na medida para esta cerveja, que novamente trás o efeito boca seca. O resultado é uma boa cerveja artesanal que, já foi escolhida por uma revista como a melhor cerveja ale do mundo, foi muito apreciada entre os confrades, mas que não arrancou suspiros em nossa degustação. 3 tampinhas de 5.

CARDOSO: Juro que eu BUSQUEI, tanto no CAFUNGO intenso e concentrado quanto no esfrega da língua contra os dentes e as paredes internas das bochechas, mas não fui capaz de encontrar a tal CITRICIDADE descrita pelo Caon nessa loirinha amargosa. Boa cerveja, não nego, mas nada de ASSOBERBANTE. Na aparência, aquele douradinho opaco costumeiro, pouca espuma. Na nariga sente-se, inegavelmente, o alerta do lúpulo, mas tão NA ELEGÂNCIA que nem chega a assustar. No gogó, o fervilhar corriqueiro do gás carbônico; na língua o FEL pronunciado do lúpulo marcando presença ainda mais importante, mas é só. Foi ao terminar de sorver a Bitter & Twisted que começamos a suspeitar de algo que efetivamente se confirmaria mais tarde: esta noite não traria grandes emoções ou surpresas. A marca da degustação inglesa seria a constância. Várias versões sobre um mesmo tema. Sutilezas aqui e ali, é fato, e uma grande surpresa no final, com a outra representante da Haviestoun - a fabulosa Old Engine Oil -, mas em geral a noite inglesa foi assim: pouco aroma, alguma espuma, amargor galopante no RETROGOSTO. Dentro da proposta, até que a B&T não foi mal. Por conta disso, dou-lhe 2,5 tampinhas de 5 - mas não mais.

old speckled hen

posted on June 23, 2009 in ale, inglesas, pale ale

old-speckled-hen
MICRO-PERFIL
Old Speckled Hen
Origem: Inglaterra
Graduação Alcoólica: 5,2%
Apresentação: Garrafa de 330ml
Preço: R$ 15,10

CAON: Enquanto estávamos fazendo nossas anotações para escrever os relatos de degustação, começamos a conversar sobre como uma característica de certa escola acaba aparecendo em diversas das cervejas daquela escola. O problema é exatamente quando a gente vai botar isso no papel e começa a repetir tudo o que a gente já falou nos posts anteriores, é um saco. Nas belgas a gente cansou de escrever sobre coentro, laranja, passas, e coisa e tal. Aqui não é diferente, e a Old Speckled apresenta todas as características que vamos cansar de ver depois: é uma belíssima cerveja onde os aromas frutados são discretos, mas o malte é muito pronunciado e contrabalançado por uma bela dose de lúpulos de amargor e aromáticos diversos. A espuma é baixinha, pois na Inglaterra não há tanta preocupação com a carbonatação, mas dura bastante. A garrafa de vidro transparente já deixa ver a excelente cor, um alaranjado cristalino. Na boca, ela também aparece bem, com muita presença do lúpulo pra equilibrar os sabores de caramelo do malte, com mais destaque para o lúpulo. Muito gostosa. Há um porém: todos os confrades foram unânimes em dizer que a cerveja de barril da Old Speckled é melhor que a da garrafa, confirmando que usar vidro transparente realmente não é uma boa pedida. Mesmo assim, baita ceva. 3 tampinhas de 5.

NATÃO: A primeira inglesa da noite das inglesas foi a famosa Old Speckled Hen. Finalmente fomos devidamente apresentados. Normalmente essa cerveja pode ser encontrada em Porto Alegre na sua versão lata, mas tínhamos a versão garrafa a mão, logo não hesitamos em nossa escolha. Na sua apresentação a Old Speckled Hen ganhou pontos trazendo muitas características próprias das inglesas, aliás um desavisado poderia pensar que se trata de um whiskey, curvatura do corpo da garrafa para o pescoço acentuada, pescoço com “barriga”, rótulo sóbrio (guardem suas piadas infames) e vidro transparante, tudo isso contendo um liquido avermelhado sem turbidez. Curiosamente algumas inglesas possuem garrafa transparente, que não é recomendado para cervejas devido a ação do sol mas talvez isso não seja problema no clima da Inglaterra. Estas particularidades por si mesmas já inspiram a provar o seu conteúdo. No copo, nenhuma surpresa a sua cor e turbidez já eram conhecidas e a espuma fica na medida. Infelizmente no nariz não apresentou muito aroma mas ao primeiro gole fomos apresentados a principal característica das cervejas inglesas, lúpulo. As cervejas inglesas possuem muito lúpulo que confere um sabor bem amargo, além deixar uma sensação de boca seca. Mas não se engane, esse excesso de lúpulo e amargor combina muito bem com as cervejas e foi muito apreciado pelos confrades. Em resumo, a Old Speckled Hen é uma excelente cerveja, genuinamente inglesa em todos os sentidos e, só seria melhor, se possuísse mais aroma e um sabor mais persistente. 3,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Desfraldando oficialmente a UNION JACK sobre as NAGAS e as GOELAS da rapeizo, eis que brota à nossa frente esta legendária beberagem BRETÃ curiosamente batizada de GALINHA PINTADA VÉIA. Apesar da bizarríssima nomenclatura, foi totalmente impossível detectar o mais ínfimo traço de FRANGO na sua receita, dotada de uma farta dose de lúpulo capaz de promover sonoro ESTALO na língua da mais sombria RAPOSA que porventura venha a lamber os beiços enquanto ANTECIPA o amargo. Mas isso, claro, apenas se ela APRECIÁ-LO. Mitologia bucólica à parte, perceba que Old Speckled Hen vem impresso no rótulo entre ASPAS, o que pode significar que o nome desta cerveja não passa de uma piada espertinha, um exemplo VIVO do famoso humor britânico. Se era o caso, não entendi. Em notas relacionadas: belíssima cor de WHISKÃO, pouca espuma e perfume e um amarguito simpático e marcante no fundo da língua. Satisfatória e correta. Mas como disse o Caon: na versão CHOPP, que vendem a quase R$ 20 o pint ali no Mulligan’s, ela é infinitamente superior. 3 tampinhas de 5.

a. k. damm

posted on June 22, 2009 in espanholas, lager, pale lager

akdamm
MICRO-PERFIL

A.K. Damm
Origem: Espanha
Graduação Alcoólica: 4,8%
Apresentação: Garrafa de 330ml
Preço: R$ 13

NATÃO: Encontro após encontro tentamos acabar com o nosso preconceito em relação as pilsens e o alvo desta noite foi a A.K. Damm, vejam o resultado. A A.K. Damm é uma edição comemorativa do 125º Aniversário da cervejaria Damm e, sendo assim, possui um especial cuidado em relação a receita a aos ingredientes utilizados. A proposta desta cerveja espanhola, utilizando-se de uma receita Alsaciana, é o de unir o caráter alemão com refinamento francês, seja lá o que isso quer dizer. O refinamento pode ser visto na apresentação, a garrafa e o rótulo são muito bonitos, a cor é forte, não há turbidez (conforme esperado) e a espuma é boa e consistente. No nariz, apesar do aroma ser fraco demais, podemos notar a qualidade da cerveja. Essa mesma impressão tivemos ao provar a cerveja, um sabor muito leve que passa rápido, mas de qualidade. Nossa conclusão foi a de que faltou o caráter alemão. Infelizmente, seguimos na busca da nossa Pilsen. 1,5 tampinhas de 5.

CAON: Resolvemos experimentar essa lager espanhola (mais especificamente alsaciana) porque além de uma garrafa muito bonita ela também apresenta no contra rótulo toda uma conversa sobre os sabores únicos do fermento da região, fronteira entre a Espanha e a França. A própria garrafa parece de vinho, com um formato diferenciado e um rótulo sóbrio e direto, puxando muito para a tradição gráfica do setor vinífero. Pois bem, não confie nesse chalalá da garrafa. Ela é boa, com aromas de malte cristal e caramelos, mas pra quem queria fazer uma lager nobre com os sabores espanhóis o resultado ficou, no máximo, paraguaio. Não nego que foi uma abertura interessante, mas é uma cerveja comercial com um pouco mais de qualidade que as comerciais, e só. Perde fácil para várias lagers boas que estão por aí. 1,5 tampinhas de 5.

CARDOSO: Qualquer pessoa que começasse a ler agora as resenhas desse encontro poderia facilmente argumentar que começa MUITO MAL uma degustação de cervejas INGLESAS que tem como primeira atração uma BIRRA espanhola. Explico: a verdade é que fomos todos seduzidos pela belíssima EMBALAGEM da pequenita, que ainda por cima insinuava-se perigosamente sobre o balcão de OFERTAS do Costi Bebidas. Sendo assim, comovidos também pelos ares de NOVIDADE que prometia o rótulo, acabamos por incluí-la na conta e levá-la pra casa. Desculpas à parte, sobre a A.K. Damm posso dizer apenas que é uma lager bem feita, mas que proporciona um deleite visual muito superior ao OLFATIVO e PALATAL - e isso do ponto de vista GARRÁFICO, não CERVEJÍSTICO. Em suma: esta EURO PALE LAGER Não chega a ser uma cerveja RUIM, apenas não impressiona depois que escorrega pra fora da garrafa - além de pecar violentamente pelo salgadíssimo preço. 1,5 tampinhas de 5.

abril 09 - inglesas

posted on June 21, 2009 in inglesas

lineup01

Reza o Caon que:

“Apesar de o Cardoso ter chamado direto no Sly & the Family Stone e outras pérolas do cancioneiro soul e Black pra animar a noite, a trilha sonora pra esse encontro devia ter sido God Save the Queen, de preferência na versão do Motorhead. Sim, finalmente paramos de tomar belgas pra experimentarmos umas inglesas cheias de detalhezinhos interessantes.

A primeira coisa a ser notada nessa reunião é a primeira e ilustre presença de um convidado, o pai do Natão, que compartilhou conosco algumas das piadinhas mais bagaceiras e esdrúxulas do universo. Além, é claro, de todos os nossos inigualáveis termos pra lá de técnicos, como carameloso, xixi de schnhauser (como se escreve isso, meu deus?), entre outras *pérgolas do cancioneiro*.

A segunda coisa a dizer é que sim, as inglesas são muito mais gostosas do que a Susan Boyle ou a Camilla Parker-BOWELS permitiriam imaginar. Boas doses de maltes adocicados, sabores complexos, cervejas muito assertivas e com personalidade. Fora que os caras literalmente jogam montanhas de lúpulo de amargor e aromáticos na receita, como era de se esperar nas cervejas do lugar onde surgiu o dry hopping. E dry hopping, como todos sabem, é a técnica mais legal do universo, ok? Ok!

Claro, gostaria de registrar que, a meu ver, poderíamos ter cafunfado um pouquinho mais nessas belezinhas bretãs. Faltaram, por exemplo, a Fullers Extra Special Bitter, a Fullers Honey Dew, e a Strong Suffolk Vintage Ale. Mas tudo bem, a galera está ficando responsável e tentando evitar o caos da bebedeira absoluta. Depois do nosso último encontro, eu entendo.”

Natão completa, dizendo que:

“Esta noite tudo correu bem, o máximo que tivemos de imprevisto foram alguns pequenos ajustes de ultima hora na logística das caronas, ou seja, não tivemos nada como “amanhecer dos mortos” ou destruição de propriedade privada para manchar a boa experiência da noite. A escolha do tema Inglesas pelo anfitrião da noite (Caon) nos surpreendeu pela mudança de paradigma e por ter sido uma escolha acertada. Pela primeira vez iniciamos a noite com uma janta, onde o nosso Mestre Cervejeiro mostrou os seus dotes culinários com um excelente risoto de camarão, e ficamos tão satisfeitos com o resultado que incluímos a janta inicial como prática permanente dos encontros. Consolidamos uso da água, tanto para limpar o paladar como para limpar o copo e, de quebra, já garantimos um dia seguinte sem traumas. Por ultimo, mas não menos importante, abrimos os portões da confraria para convidados externos. Será um convidado por encontro, sendo que a honra de participar do primeiro encontro aberto da Ninkasi caiu sobre o Senhor Daniel Strack (aka Doutor ou Mestre) que coincidentemente, ou não, é o meu pai. Aproveitem as resenhas.”

Pra finalizar, só digo que infelizmente EXTRAVIOU-SE o PAPIRO no qual registrei todas as minhas impressões mais imediatistas ao longo desta BRITÂNICA madrugada, de modo que serei obrigado a APELAR para minha (nada confiável) memória aliada aos registros fotográficos e dissertativos dos CONFRADES para elaborar meus argumentos.

Vamos ver no que vai dar.

tampinhas

Degustadas:

- A. K. Damm (4,8% - 330ml - R$ 13)
- Old Speckled Hen (5,2% - 330ml - R$ 15,10)
- Harviestoun Bitter & Twisted (4,2% - 500ml - R$ 21,65)
- Falke Bier Estrada Real IPA (7,5% - 600ml - R$ 12,70)
- Greene King IPA (3,6% - 500ml - R$ 23)
- Harviestoun Old Engine Oil (6% - 330ml - R$ 17,50)
- Fullers London Porter (5,4% - 500ml - R$ 23)

Convidada de honra:

- Boon Oude Geuze Mariage Parfait (8% - 375ml - R$ 33,50)

Rodada de Fogo:

- Saidera Lata (350ml - R$ 3,10)

petiscos de março

posted on May 13, 2009 in petiscos

petiscosmarco

Novidades petisqueiras no terceiro encontro da confraria. Depois do MEDONHO dia seguinte que os confrades enfrentaram com UNANIMIDADE como conseqüência da primeira parte da degustação de cervejas fortes, resolvemos ZELAR pela nossa própria SAÚDE introduzindo PÃO e ÁGUA como salvo-condutos para esta segunda metade.

Bisnaguinhas cortadas em 3 ou 4 pedaços criavam uma espécie de FORRO e serviam para limpar o paladar entre uma cerveja e outra, POTENCIALIZANDO nossas deduções gustativas. Já a água tinha a função sagrada de nos manter hidratados enquanto combatia silenciosamente a mais-que-certa RESSACA que se abateria sob nossas cabeças caso a deixássemos de fora.

Por fim, apesar de protestos e xingamentos, vale mencionar que optamos pela manutenção vitalícia do AMENDOIM MALDITO como petisco-mascote.

Suspeita-se que nossos encontros não seriam os mesmos sem a sua PICÂNCIA marota.

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