GONZO EM DISCUSSÃO
por Cardoso
Descobri hoje que no Orkut andam rolando umas discussões afu sobre gonzo jornalismo. Trimassa. Em algumas delas, a IRD chega a merecer citação. Trimmmassa. No meio dos debates, entretanto, me saltou aos olhos a preocupação com determinado questionamento: Czarnobai é ou não gonzo?
Buenas.
Eu mesmo nunca disse que era.
Bem de vez em quando eu faço gonzo jornalismo.
Bem de vez em quando.
Fora isso, escrevi minha monografia de conclusão de curso sobre o tema, onde tentei provar que é possível identificar uma série de características na obra de Thompson que podem nos ajudar a compreender a essência do gonzo jornalismo.
Me parece consenso afirmar que gonzo, in full time e no sentido completo da palavra, apenas Hunter Thompson é. Foi o véio quem criou toda essa história e, principalmente, quem recebeu a carta de Bill Cardoso classificando os seus escritos com essa palavra que até hoje ninguém tem muita certeza do que significa. Por isso, nos resta ter interpretações particulares.
Minha mais recente interpretação particular: não importa o que gonzo significava quando foi utilizado para rotular o que Thompson vinha fazendo, mas sim o que a palavra passou a significar ao longo de sua carreira. Quer dizer: não foi a palavra que qualificou Thompson, mas Thompson quem qualificou a palavra.
Esta afirmação, portanto, é definitiva.
Uma vez que o termo está diretamente associado à obra de um escritor, que, por sua vez, tem caráter extremamente pessoal, é complicado estabelecer limitações à palavra gonzo sem estar sugerindo com isso uma previsibilidade cartesiana na conduta de um ser humano.
Trocando em miúdos, Hunter Thompson é gonzo. Todos nós outros somos apenas emuladores de um estilo, seguidores de uma prática: imitadores descarados de uma alma.
E mais nada.
Até podemos, dentro das nossas próprias interpretações, praticar gonzo.
Mas não somos, nunca fomos e jamais seremos.
Capicci?






