{"id":590,"date":"2017-11-20T02:43:16","date_gmt":"2017-11-20T05:43:16","guid":{"rendered":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/?p=590"},"modified":"2017-11-20T02:43:16","modified_gmt":"2017-11-20T05:43:16","slug":"we-be-vaping","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/2017\/11\/20\/we-be-vaping\/","title":{"rendered":"we be vaping"},"content":{"rendered":"<p>No Natal de 2015, ap\u00f3s alguns anos de d\u00favida e muitos meses de pesquisa, comprei de presente pra mim mesmo um vaporizador port\u00e1til chamado Arizer Solo. N\u00e3o era o mais bonito (provavelmente \u00e9 o Pax), o mais renomado (talvez seja o Crafty) nem o mais barato (certamente alguma &#8216;caneta&#8217; chinesa), mas, segundo centenas de depoimentos que li em blogs e f\u00f3runs em ingl\u00eas, espanhol e portugu\u00eas, era o mais confi\u00e1vel, resistente e eficiente &#8211; e estava dispon\u00edvel para pronta entrega.<\/p>\n<p>Mas vamos dar um passo para tr\u00e1s aqui.<\/p>\n<p>Minha primeira experi\u00eancia com vaporizadores foi ali por 2013, quando um amigo retornou dos Estados Unidos com um Pax na bagagem. O aparelho tinha acabado de ser lan\u00e7ado, causando grande furor por conta do seu design (muito z\u00e9 bronha por a\u00ed se emocionou e saiu comparando com produto Apple): um cilindro fosco, ou todo preto ou todo prata, com uma discreta e agrad\u00e1vel luzinha em forma de X com o miolinho cortado brilhando na frente. O cara abria uma portinha l\u00e1 embaixo, recheava de fumo, fechava a portinha, virava o tro\u00e7o pro outro lado, tirava o bocal, apertava um bot\u00e3o um certo n\u00famero de vezes para obter uma determinada temperatura (eram apenas 3, pr\u00e9-definidas), botava o bocal de volta, esperava at\u00e9 que o X cortado ficasse verde e mandava brasa. Era um objeto extremamente sedutor, n\u00e3o apenas pelo visual SLICK AS FUCK, mas tamb\u00e9m pela sua funcionalidade &#8211; que se prometia excepcional.<\/p>\n<p>Tristemente, na hora de usar, o bagulho n\u00e3o se mostrou \u00e0 altura das expectativas. O cara puxava aquela merda um temp\u00e3o, tinha que fazer uma for\u00e7a do caralho, n\u00e3o vinha nada de fuma\u00e7a, n\u00e3o dava nada de efeito, e a bateria ainda por cima n\u00e3o durava porra nenhuma. Que decep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Corta para 2015. Estou em Amsterdam. Por interm\u00e9dio de uma amiga que \u00e9 a madrinha da Alice (a menina fantabulosa de quem sou padrinho) e que hoje aparentemente est\u00e1 morando na Tail\u00e2ndia (faz um tempo que n\u00e3o nos falamos direito), estou na casa de um nativo que vive num curioso apartamento de uns 15 metros quadrados bem no meio do Red Light District, experimentando do mais profundo ceticismo enquanto observo um dos famosos bal\u00f5es do Volcano se enchendo com o vapor que emana de uma pipoquita generosa de um fumo chamado Lemon Skunk. O Volcano talvez seja o vaporizador mais conhecido do mundo. Parece a base de um liquidificador, s\u00f3 que em vez de ter uma h\u00e9lice girat\u00f3ria altamente afiada na ponta tem uma pe\u00e7a de cer\u00e2mica coberta de a\u00e7o que esquenta; e em vez de acoplar um copo em cima, o cara coloca uns bal\u00f5es de algum tipo de pl\u00e1stico supostamente seguro, que v\u00e3o se enchendo lentamente com o vapor produzido pelo material que estiver suando grosso no forno ali embaixo (em quase 100% dos casos, maconha).<\/p>\n<p>Ali a coisa mudou definitivamente pra mim, porque aquele vapor do Lemon Skunk que recheava o bal\u00e3oz\u00e3o do Volcano me deixou completamente plastificado. Que sabor, que odor, e que paulada no mel\u00e3o que trouxe. Sa\u00ed dali reconsiderando, pensando &#8220;opa&#8221;. No fim das contas d\u00e1 pra ficar bem doida\u00e7o inalando vapor.<\/p>\n<p>Vamos dar um novo um passo para tr\u00e1s nesse ponto para falar um pouquinho sobre o processo de vaporiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vaporizar, naturalmente, \u00e9 converter algo em vapor. Os vaporizadores de ganja fazem isso usando c\u00e2maras aquecidas por um elemento (geralmente de cer\u00e2mica ou alum\u00ednio) para &#8220;assar&#8221; a erva at\u00e9 que ela libere seus terpenos (agentes de cheiro e sabor) e alcaloides (subst\u00e2ncias psicoativas) por meio da evapora\u00e7\u00e3o, sem jamais provocar a combust\u00e3o do material.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio \u00e9 o seguinte: combust\u00e3o produz fuma\u00e7a. Fuma\u00e7a faz mal para os pulm\u00f5es. Uma vez que os principais canabinoides da planta est\u00e3o dissolutos em \u00e1gua e evaporam muito antes do seu ponto de combust\u00e3o, \u00e9 totalmente poss\u00edvel extra\u00ed-los da planta sem precisar incendi\u00e1-la, um processo que n\u00e3o apenas \u00e9 mais saud\u00e1vel como muito mais saboroso e eficiente.<\/p>\n<p>Fumar um baseado, na verdade, \u00e9 basicamente a mesma coisa: h\u00e1 uma fonte de calor esquentando um material vegetal e algu\u00e9m inalando atrav\u00e9s da outra ponta de um canudo. O primeiro problema com isso \u00e9 a fuma\u00e7a, que cont\u00e9m benzeno, g\u00e1s carb\u00f4nico e diversas outras subst\u00e2ncias cancer\u00edgenas. O segundo \u00e9 que a fonte de calor \u00e9 parte do pr\u00f3prio material em brasa, o que gera um desperd\u00edcio muito grande. O cara fumando um beck consegue absorver, com muita sorte, algo perto de 25% de todas as suas subst\u00e2ncias. J\u00e1 usando um vaporizador pode extrair at\u00e9 70% (embora na m\u00e9dia fique mais perto da faixa dos 50%).<\/p>\n<p>Prestes a completar dois anos de uso do Solo, posso assinar embaixo de todas essas alega\u00e7\u00f5es. O tro\u00e7o \u00e9 realmente potente. Com aproximadamente 1\/3 do fumo necess\u00e1rio pra fechar um beckzinho m\u00e9dio (nem perna de grilo nem dedo de gorila) d\u00e1 pra ficar BEM CHAPADO, e de 2 a 3 vezes &#8211; o que ainda se traduz em mais uma faceta do sucesso da vaporiza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a economia brutal que ela representa para o bolso surrado do maconheiro.<\/p>\n<p>Mas na real eu escrevi TUDO ISSO s\u00f3 pra dizer o seguinte: essa semana eu desenvolvi um m\u00e9todo muito bom para limpar o tubo curvo do Arizer Solo.<\/p>\n<p>O Solo vem com dois tubos de vidro pra acoplar diretamente em cima do seu forno (com cinco temperaturas pr\u00e9-programadas): um reto e um curvo. Nunca usei o reto. Gosto demais do curvo. Mas enfim.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o aqui \u00e9 que alguns meses de uso produzem um ac\u00famulo consider\u00e1vel de resina neste tubo, e \u00e9 um verdadeiro inferno limpar dentro do cotovelo dele.<\/p>\n<p>A qu\u00edmica b\u00e1sica diz o seguinte: mergulha o tubo em \u00e1lcool, deixa descansar um dia e, no dia seguinte, ferve uma \u00e1gua e toca por cima que deve sair tudo. Na pr\u00e1tica, n\u00e3o funciona bem assim. Ao longo do tempo, pequenos e m\u00e9dios peda\u00e7os de ganja acabam sugados tubo adentro e se grudam em suas paredes. Cobertos com novas camadas de resina endurecida, muitos se recusam a sair de barbada. Ent\u00e3o o cara tem que dar uma esfregada.<\/p>\n<p>Tentei v\u00e1rias coisas: aqueles ferrinhos cobertos com barbante pra limpar cachimbo (bons por serem flex\u00edveis, ruins por serem muito finos), algod\u00e3o (tem a tend\u00eancia a se fragmentar, e a\u00ed \u00e9 outro inferno remover nacos presos em cantos remotos), papel higi\u00eanico (problema similar ao do algod\u00e3o) e papel toalha (um pouco mais robusto que os anteriores, n\u00e3o \u00e9 perfeito, mas costuma causar menos problemas). Tamb\u00e9m usei o truque de misturar sal grosso ao \u00e1lcool e chacoalhar o tubo para que o atrito ajude a soltar os detritos &#8211; o que funcionou em algumas situa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o em todas.<\/p>\n<p>Mas a\u00ed outro dia, enfrentando as mesmas dificuldades de sempre para limpar ali aquela desgra\u00e7ada daquela voltinha do tubo, me deu um estalo. Al\u00e9m do \u00e1lcool, em que outra subst\u00e2ncia os canabinoides se dissolvem? Gordura. Mas \u00e9 claro. Eu j\u00e1 tinha lido sobre a famosa t\u00e9cnica de ferver o tubo sujo no leite &#8211; e, posteriormente, acrescentar chocolate a este leite e beber na esperan\u00e7a de atingir um efeito que eu, particularmente, n\u00e3o sou muito f\u00e3.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tinha leite. Considerei usar azeite, mas me pareceu que precisaria usar muito &#8211; e azeite \u00e9 muito caro. Acabei apelando para a manteiga. Cortei um naquinho e fui empurrando para dentro do bocal, modelando com o dedo at\u00e9 que o preenchesse por inteiro. Deixei uma meia hora quieto, at\u00e9 que a manteiga come\u00e7asse a amolecer, ent\u00e3o chupei o ar pela outra ponta, fazendo com que ela atravessasse os buracos e adentrasse o tubo. Deixei quieto mais uns 5 minutos enquanto fervia uma \u00e1gua, derramei tudo pelo lado amanteigado e: voil\u00e1. Soltou TUDO.<\/p>\n<p>Pra finalizar, um toque de mestre: em vez de usar algod\u00e3o ou papel para dar aquela esfregada final, cortei um peda\u00e7o de um cord\u00e3o de tecido usado para prender um avental que eu tenho h\u00e1 8 anos e nunca usei. Caso eu mude de ideia agora e queira us\u00e1-lo, o avental ainda poder\u00e1 ser fechado (era um cord\u00e3o ridiculamente grande, tirei apenas um peda\u00e7o). Enquanto n\u00e3o me decido, o tubo curvo do meu Solo fica formidavelmente limpo. That&#8217;s what I call a win-win situation, my dammies.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Natal de 2015, ap\u00f3s alguns anos de d\u00favida e muitos meses de pesquisa, comprei de presente pra mim mesmo um vaporizador port\u00e1til chamado Arizer Solo. N\u00e3o era o mais bonito (provavelmente \u00e9 o Pax), o mais renomado (talvez seja o Crafty) nem o mais barato (certamente alguma &#8216;caneta&#8217; chinesa), mas, segundo centenas de depoimentos &hellip; <a href=\"http:\/\/qualquer.org\/dids\/2017\/11\/20\/we-be-vaping\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;we be vaping&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-590","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ganja"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=590"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/590\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":592,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/590\/revisions\/592"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}