{"id":482,"date":"2017-06-16T14:57:37","date_gmt":"2017-06-16T17:57:37","guid":{"rendered":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/?p=482"},"modified":"2017-06-17T02:44:53","modified_gmt":"2017-06-17T05:44:53","slug":"a-dream-6","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/2017\/06\/16\/a-dream-6\/","title":{"rendered":"a dream #6"},"content":{"rendered":"<p>Ando tendo um sonho recorrente bem estranho, h\u00e1 meses &#8211; talvez at\u00e9 mesmo um ano.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 dito anteriormente, costumo sonhar que a casa onde moro n\u00e3o corresponde exatamente \u00e0 casa em que de fato vivo quando n\u00e3o estou sonhando. Por\u00e9m este sonho recorrente se d\u00e1 sempre da mesma forma: estou em algum aposento da minha casa on\u00edrica, sei que estou sozinho, ou\u00e7o barulhos em alguma outra pe\u00e7a, vou conferir e encontro pessoas l\u00e1. N\u00e3o s\u00e3o bandidos, nem qualquer tipo de pessoa amea\u00e7adora: pelo contr\u00e1rio. Em geral s\u00e3o mulheres de meia idade, ou ainda mais velhas, eventualmente uma crian\u00e7a ou pr\u00e9-adolescente. Pergunto o que est\u00e3o fazendo ali, sempre me respondem com evasivas. Pe\u00e7o para que me entreguem as chaves da casa, ningu\u00e9m nunca tem. Pe\u00e7o para que saiam, ningu\u00e9m quer sair.<\/p>\n<p>Pensando melhor, agora, enquanto escrevo, percebo que talvez n\u00e3o tenha tido esse sonho muitas vezes. Talvez apenas no sonho em si tenha tido a sensa\u00e7\u00e3o de que aquela situa\u00e7\u00e3o se repetia &#8211; mas talvez n\u00e3o seja verdade. De todo modo, ela parecia bastante familiar.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o conhecia as pessoas que estavam na minha sala se recusando a sair, mas a insist\u00eancia delas em permanecer ali foi me enchendo de raiva &#8211; um sentimento que n\u00e3o costumo experimentar com muita frequ\u00eancia. Ali\u00e1s, ataques de raiva, ou a mera sensa\u00e7\u00e3o de ira s\u00e3o, pra mim, t\u00e3o raros, que n\u00e3o consigo lembrar qual foi a \u00faltima vez que tive um destes rompantes.<\/p>\n<p>A campainha tocava, eu ia atender e eram dois skatistas &#8211; uma menina e um cara, ambos brancos de dread, com mochilas e trazendo alguma coisa nas m\u00e3os que n\u00e3o entendi bem o que era. Perguntei o que eles estavam fazendo ali e eles me disseram que o porteiro disse que eu era um cara t\u00e3o legal que ele tava deixando todo mundo subir. Com isso, a minha raiva aumentou.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, apareceu algu\u00e9m. Uma amiga recente &#8211; nem t\u00e3o recente assim, levando em conta que faz v\u00e1rios anos que nos frequentamos, nutrindo sentimentos m\u00fatuos de carinho e admira\u00e7\u00e3o (e, talvez, em alguns momentos, at\u00e9 mesmo desejo e paix\u00e3o). Neste sonho ela era minha vizinha de andar, e parava na minha porta para saber o que se passava. S\u00f3 a presen\u00e7a dela j\u00e1 foi mais que suficiente para me acalmar, me deixando num estado mental pr\u00f3ximo do gozo. N\u00e3o sei bem o que falamos, mas tenho a impress\u00e3o de que nos tocamos. Um abra\u00e7o, talvez. Um beijo sei que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Subitamente, um barulho na sala. Um guriz\u00e3o de uns quinze anos, ou algo assim, de \u00f3culos, suspens\u00f3rios, o nerd arquet\u00edpico, estava agachado arrancando o rodap\u00e9 de uma parede. Corri at\u00e9 ele e perguntei que raios ele estava fazendo. Ele n\u00e3o disse nada e se deitou de costas no ch\u00e3o. O peguei pelas pernas e bati com for\u00e7a contra a parede, demonstrando eu mesmo uma for\u00e7a e viol\u00eancia descomunais. O ameacei, dizendo que se ele n\u00e3o me respondesse o que estava fazendo naquele exato momento, teria que dar essa reposta s\u00f3 quando acordasse no hospital. Ele seguiu em sil\u00eancio. Novamente o peguei pelos p\u00e9s, o suspendi no ar, peguei um impulso cavalar e o acertei com toda for\u00e7a contra a parede. Ele caiu no ch\u00e3o desacordado. Uma po\u00e7a de sangue se formou embaixo de sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Na sala, as duas tiazinhas que haviam invadido minha casa seguiam se justificando por estar ali &#8211; uma para a outra, sem parar, do mesmo jeito que faziam desde o come\u00e7o do sonho. Minha amiga\/vizinha ocupava a cozinha, lavando alguma coisa na pia, com um sorriso lindo no rosto, falando sobre qualquer outra coisa da forma doce como ela sempre fala comigo.<\/p>\n<p>Eu fui tomado por sentimentos ruins. O primeiro deles: matei um cara. Em seguida: eu s\u00f3 queria poder voltar no tempo e n\u00e3o ter batido com tanta for\u00e7a. Isso n\u00e3o sou eu, n\u00e3o precisava ter feito aquilo. Depois: serei preso, serei morto, algo terr\u00edvel acontecer\u00e1. E pra terminar: ser\u00e1 que consigo sumir com esse corpo? Dar um jeito de fazer parecer com que isso jamais tivesse acontecido?<\/p>\n<p>E ent\u00e3o: acordei.<\/p>\n<p>Me sentindo muito, muito mal. Levei uns dez ou quinze segundos para entender que eu n\u00e3o havia feito nada daquilo, para s\u00f3 ent\u00e3o come\u00e7ar o dia em paz comigo mesmo. Que neg\u00f3cio extremo, o inconsciente. Talvez o subconsciente. Um deles. Os dois. N\u00e3o sei.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ando tendo um sonho recorrente bem estranho, h\u00e1 meses &#8211; talvez at\u00e9 mesmo um ano. Como j\u00e1 dito anteriormente, costumo sonhar que a casa onde moro n\u00e3o corresponde exatamente \u00e0 casa em que de fato vivo quando n\u00e3o estou sonhando. Por\u00e9m este sonho recorrente se d\u00e1 sempre da mesma forma: estou em algum aposento da &hellip; <a href=\"http:\/\/qualquer.org\/dids\/2017\/06\/16\/a-dream-6\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;a dream #6&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-482","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-a-dream"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=482"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/482\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":485,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/482\/revisions\/485"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}