{"id":468,"date":"2017-06-12T01:21:00","date_gmt":"2017-06-12T04:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/?p=468"},"modified":"2017-06-12T01:26:41","modified_gmt":"2017-06-12T04:26:41","slug":"pull-up","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/2017\/06\/12\/pull-up\/","title":{"rendered":"pull up"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o voto desde 2002 e, mesmo naquela ocasi\u00e3o, votei bastante receoso ap\u00f3s ter visto o Lula subindo no palanque abra\u00e7ado a v\u00e1rios inimigos cl\u00e1ssicos. Mesmo reconhecendo que os seus dois governos tenham, de fato, promovido avan\u00e7os louv\u00e1veis em diversas \u00e1reas, nunca mais consegui assinar embaixo de nenhum projeto pol\u00edtico. Nunca me desceu bem esse papo de que as alian\u00e7as eram &#8220;pela governabilidade&#8221;, e tudo ficou ainda mais terr\u00edvel a partir do epis\u00f3dio do Mensal\u00e3o e todos os demais esc\u00e2ndalos que foram piorando em grau exponencial desde ent\u00e3o, chegando a esse estado de caos absoluto, em que nada faz mais o menor sentido desde, pelo menos, outubro de 2014.<\/p>\n<p>V\u00e1rios amigos me repreendem ferozmente quando encho a boca pra dizer que n\u00e3o voto. Acham que estou abrindo m\u00e3o de algum direito sagrado conquistado com muita luta, pensam que estou me alienando de processos que me afetam independentemente da minha participa\u00e7\u00e3o. Respeito a opini\u00e3o de todos, mas ainda n\u00e3o consegui encontrar um bom argumento a favor de exercer minha cidadania desta forma &#8211; pelo menos n\u00e3o do jeito que o sistema \u00e9 estruturado. Atualmente, eleger uma pessoa \u00e9 basicamente passar um cheque em branco, uma procura\u00e7\u00e3o total. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma contrapartida. Tu me pede o voto, eu te dou o meu voto, tu te elege e fim: tu n\u00e3o precisa fazer mais nada. \u00c9 como se algu\u00e9m me contratasse pra traduzir um livro, me desse um prazo, no final desse prazo eu n\u00e3o entregasse nada, ou s\u00f3 uns dois ou tr\u00eas cap\u00edtulos e, mesmo assim, eu n\u00e3o apenas n\u00e3o perdesse o meu trabalho como ainda ganhasse o dinheiro combinado no in\u00edcio &#8211; e com chances de, num futuro pr\u00f3ximo, ser comissionado para uma nova tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Semana passada descobri uma ferramenta que a Folha de S\u00e3o Paulo criou para monitorar as promessas de campanha de Jo\u00e3o D\u00f3ria, disparado o pior prefeito de S\u00e3o Paulo de todos os tempos &#8211; e ele mal tem seis meses de mandato. O jornal contou 118 promessas das quais, at\u00e9 agora, Jo\u00e3o Trabalhador honrou apenas DUAS &#8211; o aumento da velocidade nas marginais (que aumentou grotescamente o n\u00famero de acidentes, inclusive com mortes) e a libera\u00e7\u00e3o para tr\u00e1fego de ve\u00edculos num trecho de uma via anteriormente fechado (e que ele s\u00f3 reabriu porque leva da sua casa at\u00e9 a sede da prefeitura).<\/p>\n<p>Buenas.<\/p>\n<p>Meu ponto \u00e9: n\u00e3o existe absolutamente nada que obrigue nosso gestor (ou qualquer outro ocupante de cargo eletivo, diga-se de passagem) a cumprir as 118 promessas de sua campanha. H\u00e1 casos abundantes de deputados que est\u00e3o no quinto ou sexto mandato e que, nesses vinte ou trinta anos no congresso, jamais aprovaram um projeto relevante sequer. O mesmo certamente se aplica a senadores, prefeitos, vereadores, governadores e afins.<\/p>\n<p>Da\u00ed eu penso o seguinte: \u00e9 pra isso que serve meu voto? \u00c9 por isso que ele \u00e9 t\u00e3o importante?<\/p>\n<p>Minha posi\u00e7\u00e3o nesses \u00faltimos anos tem sido: s\u00f3 volto a participar da festa da democracia no dia em que o sistema obrigar o querid\u00e3o que se prop\u00f5e a ocupar um cargo p\u00fablico a protocolar um n\u00famero m\u00ednimo de promessas que ter\u00e1 um prazo determinado para cumprir. O n\u00e3o cumprimento das promessas dentro dos prazos levaria, naturalmente, \u00e0 perda do cargo. A\u00ed a coisa come\u00e7a a ficar mais equilibrada. Tu vota no cara com a garantia de que ele vai se esfor\u00e7ar para fazer o que prometeu e, se n\u00e3o fizer, vai ter que desocupar a moita para que algum outro fa\u00e7a.<\/p>\n<p>Todavia, ningu\u00e9m parece perceber isso.<\/p>\n<p>No meio de toda essa grita por DIRETAS J\u00c1 que anda rolando, as pessoas est\u00e3o muito preocupadas em votar novamente nos mesmos caras, que v\u00e3o seguir (quase) as mesmas regras, nos contando (quase) as mesmas mentiras (a mais pesada de todas, e que quase ningu\u00e9m questiona: o seu voto \u00e9 importante). Ningu\u00e9m fala em mudar as regras, em mudar o sistema, a estrutura. Loucura, j\u00e1 disse algu\u00e9m, \u00e9 fazer sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes. Do modo que eu vejo a realidade, tem muita gente muito louca por a\u00ed.<\/p>\n<p>Sei muito bem que nem o meu voto nem a minha opini\u00e3o (1 entre milh\u00f5es) importa. Nem pra mim e nem pra ningu\u00e9m. Ent\u00e3o prefiro continuar viajando nos dias de pleito e justificando aus\u00eancia enquanto conhe\u00e7o algum col\u00e9gio obscuro num bairro remoto qualquer, ou simplesmente me dirigindo \u00e0 minha zona eleitoral original pra meter um nulo ou branco malandro pra me eximir da sensa\u00e7\u00e3o de gado feliz entrando no corredorzinho pra levar marreta\u00e7o na cuca.<\/p>\n<p>Infelizmente vai seguir assim, at\u00e9 o dia em que algu\u00e9m entrar numas de criar regras para que as pessoas que mais deveriam trabalhar neste (e em qualquer outro) pa\u00eds efetivamente trabalhem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o voto desde 2002 e, mesmo naquela ocasi\u00e3o, votei bastante receoso ap\u00f3s ter visto o Lula subindo no palanque abra\u00e7ado a v\u00e1rios inimigos cl\u00e1ssicos. 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