{"id":426,"date":"2017-05-21T19:04:14","date_gmt":"2017-05-21T22:04:14","guid":{"rendered":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/?p=426"},"modified":"2017-05-21T19:04:14","modified_gmt":"2017-05-21T22:04:14","slug":"discografia-afetiva-i","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/2017\/05\/21\/discografia-afetiva-i\/","title":{"rendered":"discografia afetiva I"},"content":{"rendered":"<p>Disclaimer <a href=\"http:\/\/qualquer.org\/dids\/2017\/05\/05\/a-discoteca-do-flavito\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Caetano Veloso &#8211; Caetano Veloso (1971).<\/strong> Achei curioso n\u00e3o ter tantos discos do come\u00e7o da carreira da Ca\u00ea na discoteca de Flavito, o que, pensando bem, at\u00e9 que faz sentido, posto que s\u00f3 fui ouvir <em>Transa<\/em>, por exemplo, na altura dos vinte e v\u00e1rios anos (e s\u00f3 bateu mesmo depois dos trinta). O polaco gostava mesmo era da fase <em>Circulad\u00f4<\/em> e <em>Vel\u00f4<\/em>\u00a0e coisa e tal. Esse \u00e9 um dos raros exemplos: o disco que o Caetano comp\u00f4s no ex\u00edlio na Inglaterra nos anos 70. Fortemente melanc\u00f3lico, levemente chatuba, n\u00e3o me comoveu. N\u00e3o lembro tamb\u00e9m do Flavito ter ouvido muitas vezes, exceto por <em>London, London<\/em>. Essa rolava l\u00e1 na baia. Eu lembro at\u00e9 de ter decorado\u00a0o refr\u00e3o, uma das primeiras frases que aprendi em ingl\u00eas. Talvez ele s\u00f3 tivesse comprado o disco por <em>London, London<\/em>, talvez s\u00f3 tocasse essa m\u00fasica. Por que n\u00e3o? Isso nunca tinha me ocorrido, mas agora ocorreu. Talvez. N\u00e3o lembro mesmo de nenhuma das outras m\u00fasicas, da tristeza extrema contida neste \u00e1lbum (um m\u00e9rito), da m\u00fasica meio mon\u00f3tona (dem\u00e9rito), da pron\u00fancia macarr\u00f4nica (tra\u00e7o quirk que pode pender pra qualquer um dos lados, dependendo dos seus gostos).<\/p>\n<p><strong>Realce &#8211; Gilberto Gil (1979)<\/strong>. Que disca\u00e7o. Flavito ouviu demais esse \u00e1lbum, a ponto de ter um arranh\u00e3o que mais parece um talho de faca no lado B (que, todavia, n\u00e3o fez o disco pular, apenas acrescentou estalos quase impercept\u00edveis a uma ou duas faixas). Muita m\u00fasica linda &#8211; a faixa-t\u00edtulo\u00a0<em>Realce, Sarar\u00e1 Miolo, Superhomem, a can\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0e <em>Marina<\/em> entre as minhas preferidas -, uma crowdrocker com rising action invej\u00e1vel (<em>Toda menina baiana<\/em>) e o sensacional cover de Bob Marley, <em>N\u00e3o chores mais<\/em>. N\u00e3o lembrava que essa m\u00fasica estava nesse disco, mas ouvi-la me fez lembrar que Flavito achava um toque absolutamente genial de Gil a parte da letra que diz &#8220;ob-observando&#8221;. De repente me dei conta que talvez ele tenha morrido sem saber que o toque de genialidade era, na verdade, de Bob, que j\u00e1 tinha cunhado &#8220;ob-observing&#8221; na sua original.<\/p>\n<p><strong>A Arte\u00a0de Chico Buarque &#8211; Chico Buarque (1976).<\/strong>\u00a0Embora n\u00e3o seja grande f\u00e3 de Chico Buarque e, at\u00e9 algumas horas atr\u00e1s, possuir grande birra para com sua obra (sobretudo por conta de sua voz), trouxe 3 discos dele (<em>Meus Caros Amigos<\/em>, o \u00e1lbum de capa vermelha de 1984 e a colet\u00e2nea <em>A Arte de Chico Buarque<\/em>) para o deleite de Petite, que admira o bardo.\u00a0Este \u00e1lbum duplo traz os principais sucessos do amig\u00e3o at\u00e9 1976 &#8211; que j\u00e1 era coisa pra caralho. Fui obrigado a remover meu chap\u00e9u. Que bonitas as melodias do Chico. E tudo\u00a0casa bem com a voz dele, pelo menos at\u00e9 essa \u00e9poca. A audi\u00e7\u00e3o de <em>Joana Francesa<\/em> me transportou de volta \u00e0s tardes de domingo de inverno quando, ap\u00f3s o almo\u00e7o, Flavito sentava em sil\u00eancio numa poltrona e ouvia discos fumando, de olhos fechados, eventualmente cantarolando algum peda\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Mahavishnu &#8211; Maha Vishnu Orchestra (1984).<\/strong> Esse eu olhava a letra branca fininha na capa preta, lia o nome e j\u00e1 pensava numas\u00a0c\u00edtaras arrega\u00e7ando, posto que confundia com Ravi Shankar &#8211; que Flavito tamb\u00e9m admirava e possu\u00eda. N\u00e3o sabia nada sobre essa banda e n\u00e3o lembro de Flavito ter ouvido sequer uma vez na minha presen\u00e7a, mas \u00e9 aquele jazz fusion dos anos 80 que ele, por algum motivo, curtia demais: tamb\u00e9m tem altos Jean Michael Jarre, Stanley Jordan e Fausto Papetti na discoteca dele, mas estes n\u00e3o trouxe (embora tenha vindo um <em>Amandla<\/em>, do Miles Davis, que surfa del\u00edcia nessa onda).<\/p>\n<p><strong>Gala 79 apresenta o melhor de Isaac Hayes &#8211; Isaac Hayes (1979*).<\/strong> N\u00e3o sei absolutamente nada sobre Gala 79 e a internet n\u00e3o colaborou\u00a0muito em prover resposta, apenas sugerindo tratar-se de selo respons\u00e1vel pelo lan\u00e7amento de colet\u00e2neas diversas de m\u00fasica setentista, incluindo Secos &amp; Molhados, Creedence Clearwater Revival e Chico Anysio, al\u00e9m de seletas de sambas e de trilhas sonoras de novelas. Independentemente de qualquer coisa, lembro demais do Flavito ouvindo esta pepita e PELA M\u00c3E DO GUARDA, que neg\u00f3cio espetacular. Botar esse disco pra ouvir o tema de <em>Shaft<\/em> e <em>Walk On By<\/em> explicou muita coisa sobre o clique inicial dos meus gostos musicais mais persistentes. Que sonzeira demolidora. Onde quer que esteja, Flavito (nem que apenas em minhas lembran\u00e7as): thank you for that, my soulman. <em>Cafe to Regio&#8217;s<\/em>. Agora eu lembro. Agora eu sei. Que coisa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disclaimer aqui. Caetano Veloso &#8211; Caetano Veloso (1971). Achei curioso n\u00e3o ter tantos discos do come\u00e7o da carreira da Ca\u00ea na discoteca de Flavito, o que, pensando bem, at\u00e9 que faz sentido, posto que s\u00f3 fui ouvir Transa, por exemplo, na altura dos vinte e v\u00e1rios anos (e s\u00f3 bateu mesmo depois dos trinta). 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