{"id":273,"date":"2017-02-02T12:16:59","date_gmt":"2017-02-02T15:16:59","guid":{"rendered":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/?p=273"},"modified":"2017-02-08T22:37:23","modified_gmt":"2017-02-09T01:37:23","slug":"a-dream-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/2017\/02\/02\/a-dream-3\/","title":{"rendered":"a dream #3"},"content":{"rendered":"<p>O mais curioso e estranho nesse caso \u00e9 que esse \u00e9 o terceiro sonho que relato, e o segundo que tem como protagonista a mesma menina, que eu jamais vi ao vivo, com quem eu nunca conversei e com quem todas as intera\u00e7\u00f5es (extremamente breves e pontuais) que tive at\u00e9 hoje se deram por meio das redes sociais.<\/p>\n<p>No epis\u00f3dio de hoje, eu despertava e percebia que ela estava ao meu lado na cama. Ela n\u00e3o estava deitada junto comigo, mas sim sentada sobre as cobertas fazendo alguma coisa que n\u00e3o lembro bem (talvez estivesse pintando as unhas, talvez lendo um livro, talvez estivesse apenas me observando). Fato \u00e9 que, assim como no sonho anterior, assim que acordei e a avistei ali, n\u00e3o estranhei a sua presen\u00e7a, mesmo levando em considera\u00e7\u00e3o o fato de que eu possuo uma namorada &#8211; que era algo que eu tamb\u00e9m sabia quando acordei debaixo das cobertas dentro deste sonho.<\/p>\n<p>Trocamos algumas palavras, uma conversa curta e neutra, e eu virei para o outro lado e fechei os olhos. Nisso, algo inesperado aconteceu. Ela deitou ao meu lado e me abra\u00e7ou por tr\u00e1s. Lembro da sensa\u00e7\u00e3o gostosa de sofrer mochila sensual de gata. Como \u00e9 bom. Fiz a garganta zunir de l\u00e1bios fechados para demonstrar satisfa\u00e7\u00e3o e prazer (o popular &#8216;hmm&#8217;) e falei algo como &#8220;Se eu fosse inventar uma mochila seria exatamente assim&#8221;, e ela encaixou melhor o abra\u00e7o e encostou o nariz no meu pesco\u00e7o. Senti a respira\u00e7\u00e3o quente e percebi quando as ma\u00e7\u00e3s do rosto se incharam, indicando que ela estava sorrindo. Ap\u00f3s alguns segundos de deleite comecei a raciocinar melhor e finalmente passei a estranhar aquilo tudo. Quer dizer, porque ela estava deitada na minha cama, me abra\u00e7ando de forma \u00edntima, se n\u00e3o era minha namorada e nem sequer hav\u00edamos feito amor?<\/p>\n<p>Nesse instante notei que estava nu, e senti uma vigorosa ere\u00e7\u00e3o brotar. Ela falou algo na linha do &#8220;n\u00e3o seja por isso&#8221; e eu fiquei contemplando minhas op\u00e7\u00f5es. A linha que meu pensamento adotou foi a seguinte: a vida \u00e9 curta, o tempo passa r\u00e1pido, vinte anos atr\u00e1s eu estava aprendendo a dirigir e usar o p\u00eanis e vinte anos para frente estarei \u00e0 beira dos sessenta. Talvez a coisa mais sensata a se fazer seja efetivamente\u00a0&#8220;viver um pouco&#8221;, &#8220;correr uns riscos&#8221;, &#8220;aceitar o que a vida me traz de bandeja&#8221;.<\/p>\n<p>Enquanto isso ela j\u00e1 tinha tirado a blusa, deixando os mamilos rosados de fora, e trabalhava na remo\u00e7\u00e3o da calcinha. Em instantes estava debaixo das cobertas, esfregando seu corpo no meu corpo. O sexo foi meio estranho. Lembro de ver no rosto dela que alguma coisa n\u00e3o estava fruindo muito bem enquanto a penetrava. Os beijos, todavia, eram bons, e o toque em sua pele, lisa e quente, tamb\u00e9m era muito agrad\u00e1vel. Mas alguma coisa ali n\u00e3o estava encaixando. N\u00e3o era nenhum tipo de culpa crist\u00e3 se manifestando, disso tenho certeza. Era uma coisa muito mais simples, mais f\u00edsica. Basicamente, eu n\u00e3o estava sentindo nada, prazer nenhum. Eu via meu pau entrando e saindo dela, mas n\u00e3o era bom.<\/p>\n<p>Resolvi desistir. Ela me perguntou <em>por qu\u00ea? <\/em>e vi a decep\u00e7\u00e3o e a tristeza em seu rosto, o que me deixou ainda mais at\u00f4nito, posto que a mensagem que essa express\u00e3o passava era a de que ela sim estava aproveitando muito aquela transa. Fui at\u00e9 a porta do quarto, abri e espiei levemente. N\u00e3o vi absolutamente nada. Mesmo assim, retornei \u00e0 cama esbaforido e disse a ela &#8220;Minha namorada est\u00e1 vindo a\u00ed&#8221;. Ela arregalou os olhos &#8220;mentira&#8221; e ambos come\u00e7amos a revirar os len\u00e7\u00f3is atr\u00e1s das nossas pe\u00e7as de roupa de forma fren\u00e9tica, quando ouvimos a porta ranger e pessoas come\u00e7aram a entrar por ela.<\/p>\n<p>Nenhuma delas era minha namorada. Em vez disso, amigos da faculdade e do col\u00e9gio, suas mulheres, seus filhos. Nesse instante notei que meu quarto n\u00e3o era o meu quarto. Mais parecia uma garagem, um galp\u00e3o com o piso frio de lajota, gigante, escuro e impessoal. Meus amigos ignoraram totalmente a minha presen\u00e7a e da minha amiga virtual. Ela, por sinal, desapareceu neste ponto do sonho e nunca mais foi vista. N\u00e3o pensei mais nela tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s me vestir, comecei a explorar a casa e percebi tratar-se de uma enorme mans\u00e3o. N\u00e3o havia nada de suntuoso nos aposentos, m\u00f3veis ou objetos de decora\u00e7\u00e3o, entretanto. Era uma casa de praia padr\u00e3o, com muito tijolo, penumbra e ventilador de teto. Estava abarrotada de pessoas, e se estendia de forma grotesca at\u00e9 se transformar numa esp\u00e9cie de condom\u00ednio infinito, com milhares de pessoas praticando o churrasco com pagode nas \u00e1reas externas. Ningu\u00e9m parecia me ver, ningu\u00e9m falava comigo. Reconheci, al\u00e9m de v\u00e1rios amigos de v\u00e1rias fases da vida, algumas celebridades improv\u00e1veis, como o sambista Arlindo Cruz. Todos me ignoravam solenemente.<\/p>\n<p>Segui andando e quando vi estava em algo muito maior, similar a uma feira de tecnologia, cheia de estandes e pessoas demonstrando produtos. Percebi que tinha me afastado demais da minha casa e tive vontade de retornar. Nesse ponto entrou em cena uma caracter\u00edstica pouco comentada dos sonhos, que eu mesmo s\u00f3 descobri recentemente. \u00c9 imposs\u00edvel, num sonho, retornar para o mesmo lugar de onde voc\u00ea partiu. Se voc\u00ea abrir uma porta e passar\u00a0por ela, quando voc\u00ea virar as costas e voltar pela\u00a0mesma porta, estar\u00e1 em um lugar diferente de onde voc\u00ea saiu. Se poss\u00edvel, fa\u00e7a o teste. Aprendi isso na \u00e9poca em que explorava os sonhos l\u00facidos e, inclusive, era uma das maneiras de\u00a0testar a realidade &#8211; junto com olhar duas vezes para um rel\u00f3gio (eles nunca marcam o mesmo hor\u00e1rio num sonho) ou tentar acender ou apagar a luz (n\u00e3o d\u00e1 pra mudar a ilumina\u00e7\u00e3o de um ambiente num sonho).<\/p>\n<p>Todavia, \u00e0quela altura eu n\u00e3o sabia que estava sonhando, ent\u00e3o me aproximei de\u00a0um maluco que tinha um crach\u00e1 pendurado no peito e segurava os bra\u00e7os para tr\u00e1s e perguntei pra ele como eu voltava para a &#8220;\u00e1rea das casas&#8221;. Ele me disse &#8220;S\u00f3 pegar esse elevador aqui.&#8221; Olhei para o espa\u00e7o vazio para onde ele apontou, mas n\u00e3o havia nada. Fui at\u00e9 a borda e vi um trilho de trem. Me desequilibrei e ca\u00ed nos trilhos. Um trem vinha \u00e0 toda velocidade em minha dire\u00e7\u00e3o, mas eu consegui subir de volta antes dele me atingir &#8211; e o pr\u00f3prio trem caiu numa vala segundos antes de me alcan\u00e7ar. Ent\u00e3o o maluco se aproximou para me explicar melhor. Eu deveria pisar num quadrado de grama bem na borda do v\u00e3o que n\u00e3o estava ali quando despenquei nos trilhos. Ao pisar nesse\u00a0tro\u00e7o, o quadrado se iluminou a apareceu na minha frente um objeto ovalado, negro, meio parecido com um disco voador. Ele ficou flutuando sobre o v\u00e3o e se abriu, como uma concha, revelando um interior similar ao cockpit de uma nave, com controles e luzinhas.<\/p>\n<p>&#8220;Como \u00e9 que eu vou entrar a\u00ed?&#8221; eu perguntei, posto que o &#8220;elevador&#8221; n\u00e3o estava muito pr\u00f3ximo da beirada, e quando olhei pra baixo s\u00f3 enxerguei\u00a0escurid\u00e3o e vazio. O maluco disse &#8220;ele vem mais perto&#8221;, e o elevador se aproximou para que eu entrasse. Subir nele foi parecido com subir num colch\u00e3o de ar dentro de uma piscina: dif\u00edcil. O tro\u00e7o n\u00e3o ficava est\u00e1vel, e inclinava perigosamente quando eu tentava jogar o peso do corpo em cima de uma das pernas. Quando finalmente consegui embarcar, percebi que estava sentado sobre o pr\u00f3prio painel de controle &#8211; n\u00e3o havia um assento. Comecei a mexer nos controles e rapidamente consegui manobrar o b\u00f3lido, de modo que n\u00e3o ouvi as explica\u00e7\u00f5es que o amig\u00e3o estava tentando me dar, fechei a concha e sai a milh\u00e3o pelos corredores, que n\u00e3o tinham a menor semelhan\u00e7a com nada por onde eu tivesse passado at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s alguns segundos de grande estranhamento por n\u00e3o ter a menor ideia de onde eu estava ou o que estava fazendo &#8211; e ainda por cima todo encurvado dentro de uma saboneteira tecnol\u00f3gica voando a centenas de quil\u00f4metros por hora por dentro de cozinhas, banheiros e corredores de hot\u00e9is, algo que lembrava muito, agora percebo,\u00a0a sequ\u00eancia de abertura de &#8220;Corra que a pol\u00edcia vem a\u00ed&#8221; &#8211; me veio o estalo: &#8220;Puta merda, estou sonhando.&#8221;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o puf: acordei.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mais curioso e estranho nesse caso \u00e9 que esse \u00e9 o terceiro sonho que relato, e o segundo que tem como protagonista a mesma menina, que eu jamais vi ao vivo, com quem eu nunca conversei e com quem todas as intera\u00e7\u00f5es (extremamente breves e pontuais) que tive at\u00e9 hoje se deram por meio &hellip; <a href=\"http:\/\/qualquer.org\/dids\/2017\/02\/02\/a-dream-3\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;a dream #3&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-273","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-a-dream"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=273"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":286,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273\/revisions\/286"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}