{"id":231,"date":"2017-01-03T21:38:34","date_gmt":"2017-01-04T00:38:34","guid":{"rendered":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/?p=231"},"modified":"2017-01-03T21:45:43","modified_gmt":"2017-01-04T00:45:43","slug":"d-o-m","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/qualquer.org\/dids\/2017\/01\/03\/d-o-m\/","title":{"rendered":"D.O.M."},"content":{"rendered":"<p>Para inaugurar a se\u00e7\u00e3o &#8220;rango&#8221;, eis uma resenha que fiz para meus amigos e familiares do car\u00edssimo (todavia ao mesmo tempo just\u00edssimo) <a href=\"http:\/\/domrestaurante.com.br\/pt-br\/home.html\">D.O.M<\/a>., em abril de 2013:<\/p>\n<p>Acabo de chegar em casa ap\u00f3s jantar de TR\u00caS HORAS no D.O.M.<br \/>\nResumindo muito: merece mesmo ser um dos melhores restaurantes do mundo, n\u00e3o sei exatamente em que posi\u00e7\u00e3o. Acho que seria exagero coloc\u00e1-lo em primeiro, muito embora as especula\u00e7\u00f5es sejam essas. A nova lista sai agora dia 30, e o NOMA certamente perder\u00e1 o primeiro lugar depois do epis\u00f3dio de intoxica\u00e7\u00e3o alimentar envolvendo centenas de clientes. Atala foi eleito uma das 100 personalidades mais influentes do planeta pela revista Time, de modo que est\u00e1 muito bem cotado para ocupar o trono. N\u00e3o conhe\u00e7o os demais e seria burrice e demagogia falar qualquer coisa a esse respeito, mesmo sendo Dids, de modo que me calarei a este respeito e me limitarei a falar brevemente sobre minha experi\u00eancia pessoal sobre o lugar.<\/p>\n<p>Achei o ambiente ok, mas n\u00e3o gostei do fato das mesas para duas pessoas serem todas extremamente pr\u00f3ximas umas das outras, de modo que \u00e9 poss\u00edvel ouvir claramente toda a conversa dos coxinhas que sentam ao lado. Tamb\u00e9m \u00e9 lugar muito escuro, com ar condicionado MUITO frio e que toca Adriana Calcanhoto, o que s\u00e3o dem\u00e9ritos. O atendimento \u00e9 afetado sem ser verme, e a clientela em geral \u00e9 extremamente jeca, o que me deixou bastante surpreso.<\/p>\n<p>Quanto aos alimentos em si:<\/p>\n<p>O couvert \u00e9 uma fraude. R$ 38 para comer p\u00e3o italiano (\u00f3timo, todavia, R$ 38), p\u00e3es de queijo e manteiga avia\u00e7\u00e3o + coalhada fresca + pasta de alho e batata maravilhosa e extrema. S\u00f3 pedi porque imaginei que talvez pudesse ter algo diferente ou surpreendente (at\u00e9 tinha a pasta de alho, mas meio demais cobrar R$ 38 por pessoa por isso). Pelo menos tinha reposi\u00e7\u00e3o infinita, coisa que um amigo chamado Hermano aprovaria. Ali\u00e1s, o mais maravilhoso da noite foi ficar imaginando a rea\u00e7\u00e3o de duas pessoas aos pratos e quantidades do DOM: Hermano e Flavito.<\/p>\n<p>Pedimos o menu com 8 pratos. Havia menu children de 4 pratos por algo como 350 reais e menu de 8 pratos por algo como 490 reais, mas imaginei que como dificilmente voltaria l\u00e1, o melhor seria viver a experi\u00eancia completa. Petite QUASE pediu o de 4 pratos alegando estar sem fome, mas acabou convencida rapidamente quando o casal na mesa ao lado recebeu o primeiro prato.<\/p>\n<p>Antes dos pratos chegarem, recebemos um mil folhas de mandioca com creme de catupiri e redu\u00e7\u00e3o de vinho do porto com um coquetel de licor de jabuticaba e espumante para harmonizar. Estava fant\u00e1stico.<\/p>\n<p>O primeiro prato do menu eram dois camar\u00f5es grandes servidos com carpaccio de chuchu e tamarindo em cima de um molhinho chamado caju\u00edna (quem j\u00e1 foi a Fortaleza sabe o que \u00e9: uma esp\u00e9cie de n\u00e9ctar de caju). Bem bom, mas nada espetacular. Todavia, bom come\u00e7o, sobretudo por conta do COENTRO fresco e maravilhoso que explodia ligeiramente na boca dando aquela sensa\u00e7\u00e3o de HMMMM QUE GOSTOSO.<\/p>\n<p>Em seguida, carpaccio de palmito pupunha com vieiras cruas, molho de coral e azeite negro. Isso era EXTREMO. Tudo era muito maravilhoso demais, esse tal molho de coral quase me fez LAMBER o prato (que n\u00e3o era um prato, era uma LASCA DE PEDRA).<\/p>\n<p>Depois, ostras empanas com farinha de mandioca com ovas de salm\u00e3o e sagu de tapioca. Pra mim, o ponto alto da noite. Eu poderia comer uns 10 desses tro\u00e7os e n\u00e3o enjoaria. Tudo era bom demais &#8211; e ainda tinham uma pimenta maravilhosa temperando tudo que explodia na boca mas sumia rapidamente, n\u00e3o arruinando o sabor de nada.<\/p>\n<p>Depois: arroz negro levemente tostado com legumes verdes e leite de castanha do Par\u00e1. Entre os legumes havia o aspargo, o br\u00f3colis, o piment\u00e3o, o aipo, o alho por\u00f3 e um tro\u00e7o meio m\u00e1gico, que n\u00e3o identificamos, mas era branco transl\u00facido e havia sido dolorosamente cortado de modo a parecer uma espinha de peixe. Tinha gosto meio de hortel\u00e3 meio de ma\u00e7a, refrescante e picante e dif\u00edcil de identificar. At\u00e9 aqui, s\u00f3 sucessos.<\/p>\n<p>Pintou ent\u00e3o um peixe chamado cavalinha servido com saut\u00e9e de palmito pupunha e cogumelos frescos, com molho de lim\u00e3o e mel de abelha. Era de chorar.<\/p>\n<p>Da\u00ed meio que rolou um STILL, com prato de bacalhau confitado e maionese de leite, acompanhado de cebola em conserva e a pele do pr\u00f3prio peixe tostadinha que era OK. Duas ou tr\u00eas semanas comi bacalhau confitado muito superior no Bravin.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o veio algo surpreendente: um fettuccine feito de palmito pupunha \u00e0 carbonara. O carbonara em si era apenas muito bom, mas o fettuccine feito de palmito era de outro mundo (e parece ter dado um trabalho fudido).<\/p>\n<p>Pra finalizar, stinco de cordeiro, um corte bem popular aqui em S\u00e3o Paulo, que \u00e9 a batata da perna do bicho (que praticamente se esfolheava ao toque do garfo) com pur\u00ea de car\u00e1, um molho doce de algo que n\u00e3o consegui identificar e castanha do par\u00e1 ralada por cima. MUITO fatal.<\/p>\n<p>Da\u00ed veio a grande decep\u00e7\u00e3o da noite, o aligot. Um amigo havia recomendado o alimento com furor, e na mesa ao lado vimos quando o gar\u00e7om serviu, usando duas colheres, de forma quase acrob\u00e1tica, o pur\u00ea de batata com queijo minas frescal e gruy\u00e8re. Quando chegou a nossa vez achamos sem gosto de nada e pesad\u00e3o. Fez as vezes de &#8220;prato de queijo&#8221; num menu franc\u00eas tradicional, mas na opini\u00e3o de Um Dids e Uma Petite, fez muito feio. Se tivessem servido s\u00f3 uma fatia de queijo minas e outra de gruy\u00e8re teria sido melhor.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o vieram as DUAS sobremesas para redimir tudo:<\/p>\n<p>Primeiro, cubos de ab\u00f3bora levemente grelhados com sorvete de tapioca, espuma de sei l\u00e1 o que molinha e deliciosa, um cristal de a\u00e7\u00facar levemente explosivo e uma trilha de ervas carbonizadas que, a princ\u00edpio, s\u00f3 de olhar, pareciam alto migu\u00e9, mas na boca, meu amigo, que coisa mais fant\u00e1stica.<\/p>\n<p>Pra fechar com chave de ouro: bolo de castanha do Par\u00e1 (apenas ok) coberto com sorvete extraordin\u00e1rio de Jack Daniels, calda de chocolate amargo manchando o prato, folhas de r\u00facula selvagem, sal, curry e pimenta. Esse foi pra matar o Dids.<\/p>\n<p>Acompanhando tudo isso, pedimos um espumante que conhecemos e gostamos, o 130, da Casa Valduga. Custou R$ 200, o que \u00e9 extremamente honesto, levando-se em conta que comprado na pr\u00f3pria vin\u00edcola sa\u00eda por R$ 80 em 2009 e era comum achar por pre\u00e7os entre R$ 120 e R$ 150 no com\u00e9rcio local em Porto Alegre.<\/p>\n<p>Tomamos, tamb\u00e9m, tr\u00eas garrafas de \u00e1gua S\u00e3o Pellegrino (ou foi o que nos cobraram), sendo que cada uma por R$ 15.<br \/>\nTotal da conta (morte total e irrestrita): R$ 1436 e uns quebrados.<\/p>\n<p>\u00d3tima refei\u00e7\u00e3o e valeu cada centavo.<\/p>\n<p>Levando-se em conta que comemor\u00e1vamos seis anos de namoro, achei que foi at\u00e9 barato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para inaugurar a se\u00e7\u00e3o &#8220;rango&#8221;, eis uma resenha que fiz para meus amigos e familiares do car\u00edssimo (todavia ao mesmo tempo just\u00edssimo) D.O.M., em abril de 2013: Acabo de chegar em casa ap\u00f3s jantar de TR\u00caS HORAS no D.O.M. 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