
Ok: confesso: ODEIO acordar cedo. Muito mesmo. Mesmo assim, quando o despertador SONOU hoje, um ensolarado SÁBADO, às 9h da manhã, procurei não me EXALTAR. Afinal de contas, estou mesmo acostumado a viver do AVESSO: enquanto TODOS passam seus dias levantando CEDO e reservam os fins-de-semana para deixar que o SONO ultrapasse a fronteira do meio-dia eu faço o CONTRÁRIO: durmo até quinze pra uma de segunda-a-sexta e reservo sexta-e-sábado prum mais PRECOCE despertar. O motivo, ao menos neste comecinho de outono em Porto Alegre, é NOBRE: tem Pixel Show no Gasômetro - e é pra lá que eu vou.
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É pra CÁ, aliás, que eu vim: a Usina do Gasômetro, outrora centro ENERGÉTICO fundamental para o Porto dos Casais, OPERA agora como ABRIGO cultural, sem limites. Um espaço democrático às margens do rio para curtir e RELAXAR enquanto se alimenta o INTELECTO da brisa mais SALUTAR. Dois andares INTEIROS abraçam o Pixel Show como uma criança FOFA faria com um cachorro MANSO, um ursinho PARDO recém lavado, rescendendo à LAVANDA e PINHO. No primeiro, algumas atividades INTERATIVAS: telas e paredes implorando por CORES (digitais e orgânicas). No segundo, ESTANDES, biriri e o salão de conferências, palco da GLÓRIA e do TERROR dos nossos protagonistas.
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Na minha lógica TORPE, os segundos serão os primeiros. Assim, dedico meus primeiros comentários ao SEGUNDO andar da Usina, centro NERVOSO de todo o Pixel Show. Surpreendentemente POPULADO para uma manhã de sábado relativamente FRIO (apesar de ensolarado) em Porto Alegre, o espaço oferece algumas sinceras CÓCEGAS ao cérebro do visitante. Uma delas é a galeria de arte em POST-IT organizada pela rapeizo da PERESTROIKA, a notória escola de criatividade do BURGO. O funcionamento é simples: retira-se um POST-IT com um dos representantes; ILUSTRA-SE o POST-IT; e PREGA-se o POST-IT em uma parede. O melhor (parece) ganha um CURSO na instituição de ensino.
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Quando eu era pequeno e sabia inglês, CUSTOM era sinônimo de FANTASIA. Décadas depois não apenas APORTUGUESARAM como transformaram o CUSTOM em VERBO, que se disseminou de forma quase EPIDÊMICA pelo universo essencialmente PUBLICITÁRIO em que todos (co)existimos. Dito isto: CUSTOMIZAÇÃO é a palavra-forte no Pixel Show. Quase tudo que se ENXERGA pode ser ADAPTADO, atropelado, modificado e moldado de acordo com os gostos do VIVENTE. Exemplo disso é a coleção de garrafas que a própria Keep Cooler está expondo bem no meio do evento. Por sinal, LITERALMENTE bem no meio: se for feito um estudo GEOMÉTRICO, aposto 30% dos meus GANHOS que fica PRECISAMENTE no MEIO do segundo andar o ESTANDE da Keep Cooler, que DEMONSTRA uma pequena série de garrafas (adivinhe) CUSTOMIZADAS por uma PENCA de artistas renomados. Minha preferida: TRIDENTE. Menção honrosa praquela com as sereias negras suspensas numa solução CREMOSA.
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Se os ARREDORES do auditório onde rolariam as palestras já me parecia LOCUPLETADO de boas-almas à procura de nutrição MENTAL, seu interior revelaria um retrato ainda mais feliz: RECHEIO TOTAL. A lotação era MÁXIMA para a primeira palestra do dia, conduzida por um cabeludo MARCELO BALDIN, que no decorrer de uma hora inteira dividiria com a platéia suas aventuras de SOUND DESIGNER INTERNACIONAL, mostraria foto provocante de namorada (brinks) e renderia LOAS fatais ao mestre maior da barulheira insandecida APHEX TWIN (e com esse movimentio ganharia milhares de pontos com esse que vos fala). Baldin só foi um pouco prejudicado pelo CALOR acachopante que insistia em fazer no local, problema, aliás, que viria a se repetir com TODOS os palestrantes ao longo do dia.
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Nossas PANCINHAS já começavam a RONCAR quando subiu ao palco uma das grandes atrações do primeiro dia de Pixel Show, por volta do MEIO DIA. Miguelito Pulpo (mentira: o nome do cara é FERNANDO) é DIBUJADOR de mão cheia. Conhecia o seu trabalho de vinhetas de canais da rede Fox e do acervo da minha galeria online, baixocalão, mas IGNORAVA frontalmente o seu VIÉS de GAME DESIGNER. Simplesmente FANTÁSTICO cada um das DÚZIAS de games que nos mostrou nessa manhã de sábado o CASTELHANO. Trabalha mesmo muito bem essa MPGames, empresa na qual ATUA na ARGENTINA. Fiquei ainda mais fã. Sobre este debate, um ADENDO: não precisava da tradução. Em Porto Alegre, espanhol todo mundo entende: ainda mais um tão bem DITO quanto o deste PORTEÑO. Rolou momento constrangedor quando tradutor deixou o palco sob APLAUSOS da multidão. Minutos antes, dezenas de participantes abandonaram a sala, em
DESGOSTO. Not very nice.
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No intervalo reservado para o almoço, acompanhei Rafael Grampá - palestrante DOMINICAL, talvez o nome mais esperado desse Pixel Show -, sua bela Cacá, o amigo René Goya e o casal Cássia Zanon & Márcio Pinheiro em INCURSÃO à tradicional galeteria DON NICOLA, endereço portoalegrense famoso pela foto da cabeça do proprietário aplicada ao corpo de um galináceo exibida logo na entrada, a menos de meio metro do balcão do caixa. Outra particularidade digna de nota do local é o FRANGO PRENSADO, que pedimos e consumimos com VIGOR juvenil. Durante a CEIA, debatemos assuntos ligados ao design (mentira), arte (mentira) e cultura (mentira). Garçom com a barba mais ALTERNATIVA da casa foi quem nos atendeu: seu desenho nos lembrava as PRESAS de uma boa FORMIGA. No carro, na volta, Rafael Grampá dormia; não lembro se roncava. Cacá sorria. Prevejo que domingo será um grande dia.
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De volta à Usina, dispondo de algum tempo em minhas mãos, optei por ESQUADRINHAR maciamente o perímetro. Sentei num PUFE de frente pruma enorme parede, TAPADA de cartazes de cima a baixo. À minha esquerda, alguns estudantes ARRUINAVAM completamente uma tela, cobrindo com um SPRAY de tinta preta uma camada ANTERIOR de tinta preta. O perfume SOLVENTE me amortecia. Às minhas costas, uma gordinha alternativa botava som. Não era mau. Depois de apreciar a MOSTRA em um nível puramente PICTOGRÁFICO, dei aquele BIZU esperto num cartaz de EXPLICAÇÃO. Basicamente, a exposição organizada pelo Estúdio Cores é uma BATALHA entre o PRINT e o INK, ou seja: originais feitos à mão versus SERIGRAFIAS. Várias boas telas, aqui. Gosto muito dos PRINTS de Diego Medina e Bicicleta sem Freio (de Goiânia); e da mesma forma NUTRO apreço pelos INKS de Rafael Chaves e do mestre Pax.
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No auditório, o lendário GRIPE fala sobre a SANTA, seu estúdio de MOTION DESIGN que resistiu às pressões do pós-modernismo e segue ATUANDO fortemente a partir de Porto Alegre para todo o mundo. GRIPE, reza a lenda, tornou-se CÉLEBRE na cidade ao espalhar um STENCIL de CADEIRA nos muros do Bom Fim, Cidade Baixa e arredores, no final dos anos 90. Hoje em dia ANIMA pra SONY, Close-Up, Fox e ADIDAS, além da MTV. Nada mau, eu diria. Nada mau MESMO. Faz ainda MAIS calor agora, mas a platéia segue IMENSA, a exemplo dos SOLILÓQUIOS precursores matutinos. Enquanto isso, do lado de fora, no stand da Sony, um magrão de boné e RABINHO está prestes a terminar GOD OF WAR III, um dos lançamentos mais esperados do ano para o PS3. Pequena platéia de TIAS comemora seus avanços. Ele sorri, se REGOZIJA, celebra. É um momento único.
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Encontrei muita gente conhecida nesse Pixel Show, mas (graças ao bom Jah) também conheci muita gente nova por aqui. Destaque total para o Camarada do Pixo descrito como “ele já serviu ao exército” por amigo em comum. Camarada do Pixo conhecia vários amigos meus que militam no PIXO, mas mesmo tendo conversado com ele por quase uma hora, não conheci seu NOME. Sei que desenhou lindo CRÂNIO DOURADO antes que os CAPS de suas TRÊS latinhas entupissem, usava cápsula de PROJÉTIL de fuzil DEFLAGRADO como PINGENTE de corrente, possuia quantidade CAVALAR de balas de Coca-Cola para distribuição amistosa e veio a Pixel Show para ver a palestra de Diego Maia, CONCEPT ARTIST e MODELADOR 3D. Uma das melhores do dia, a palestra muito técnica e detalhada de Marcelo FASCINOU a platéia. Aplausos mais intensos que ouvi - o que é sempre um bom sinal.
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Quando a palestra do Diego Maia chegou ao seu fim, algo de MÁGICO havia acontecido: aquela tela que havia sido previamente ANIQUILADA por alguns estudantes de design FORA fabulosamente RESGATADA por um (ou mais?) grafiteiro(s?) de fé. No lugar do BREU perturbador brilhava agora LUSTROSA e verdejante TAG no melhor estilo OLD SCHOOL de NEW YORK. Parece que alguém andou fazendo a lição de casa, aqui. Well done.
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A noite já engolia a cidade há MUITO quando os últimos ENTUSIASTAS deixaram a mesa redonda que Marcelo Ferla comandou com todos os palestrantes do dia para se juntar à TURBA que agitava um GRAFFITI À LASER na majestosa TORRE DA USINA DO GASÔMETRO. Embalados pelo ALTO da hora, ilustradores, designers, grafiteiros, pixadores e CIDADÃOS COMUNS manobravam o FAIXO de luz que EMANAVA da caneta fantástica elaborada pelo departamento de Comunicação Digital da Unisinos na parte externa da Usina. Fazia frio, já, mas ninguém se importava: o final CATÁRTICO do primeiro dia era apenas um PRENÚNCIO do que estaria por vir. Amanhã é logo ali. E amanhã tem MUITO mais.
[Uma cortesia de Keep Cooler]
realmente, a incursão ao don nicola foi um prazer
Fico lisonjeado pela menção honrosa ;] hueheheu