Pra quem não conseguiu encontrar um exemplar em nenhuma banca da cidade (eu), eis o texto que publiquei na edição deste último sábado do jornal Brasil Econômico.
Só o título não é meu:

“Uns dias atrás, quando me foi CONFIADA a informação de que o Brasil seria o ORGULHOSO comprador de generosas TRÊS DÚZIAS de CAÇAS franceses Rafale (que disputaram a preferência com o sueco Gripen NG e o yankee F-18 Flying Hornet), lembrei-me automaticamente de um ADIPOSO camarada com quem dividi a PENOSA tarefa de completar a sétima série (isso nos anos 90, não sei como a JUVENTUDE chama hoje em dia).
Seu nome era Leonardo.
Além de fazer bastante SOMBRA, possuir TOPETE CATACLÍSMICO e praticar Tae Kwon Do (ele dizia ‘TECONDO’) com AFINCO, Leonardo era conhecido pelo ENTUSIASMO que tinha para com a Aeronáutica.
Sempre que o clima permitia, Leonardo usava uma JAPONA preta NERVOSA, cheia de bolsos e FIVELAS, com um COLARINHO forrado de PÊLO para proteger o pescoço e diversos emblemas militares FINAMENTE bordados nos ombros.
Segundo ele, a JAPONA era parte integrante do uniforme dos PILOTOS do AMX.
Alguém aí lembra do AMX?
Eu, sinceramente, só lembro por causa dessa JAPONA.
Pois o AMX foi um projeto de aviação de guerra desenvolvido pelo Brasil em parceria com a Itália no começo dos anos 80. Para tristeza de Leonardo, seu TECONDO e seu TOPETE, a função não LOGROU lá muito ÊXITO: em pouco mais de uma década, pouco menos de 200 aviões foram fabricados – o último deles no longíquo ano de 1999.
Não sei se – TECNICAMENTE – o AMX era um CAÇA.
Certamente era um avião de guerra.
Mas TERGIVERSO.
(…)
Em 1992, ano em que cursava a sétima série em rigoroso COLÉGIO DE FREIRAS (que outrora já FORA um INTERNATO para meninas), eu costumava passar MUITAS das minhas MUITAS horas livres ESMERILHANDO um jogo chamado F-15 CITY WAR no meu videogame da vez: um HI TOP GAME.
Apesar do jogo ser simplesmente HEDIONDO, lembro-me de adorá-lo MUITO por culpa do personagem principal. À época, havia todo um FRISSON provocado pelo desenho ARROJADO e revolucionário do JATO, que ostentava aquela CAUDA DUPLA característica, parte HEAVY METAL, parte cabeleira do WOLVERINE.
O CONSOLE, por sua vez, era um projeto brasileiro. Muito embora não haja notícia de investidores italianos envolvidos, também não foi muito LONGEVO: ficou pouco mais de UM ANO no mercado.
Não sei se – TECNICAMENTE – o Hi Top Game foi um FRACASSO.
Certamente não foi um SUCESSO.
Mas perdão: novamente me DISPERSO.
(…)
Quase duas décadas depois, enquanto ASSO mansamente os PICOVÁ numa noite qualquer do verão SÓLIDO do Uruguai do Norte, descubro que é mesmo FATO que o governo brasileiro pretende fechar negócio de MUITOS BILHÕES DE DÓLARES com os FRANCESES para a aquisição de uma ROBUSTA esquadra de aeronaves-de-caça.
Perante GESTO dessa magnitude, não me resta alternativa que não exaltar o GÊNIO que é o cara que pensou nisso.
Um verdadeiro VISIONÁRIO, eu diria.
Depois dos Rafale, imagine só as maravilhas que vem por aí: vídeo-cassetes de quatro cabeças, biquíni ASA-DELTA (com sutiã CORTININHA), vacina contra a hepatite-B, leitores de CD-ROM, lentes de contato descartáveis, ônibus espaciais… Já não há mais limites: podemos sonhar até mesmo com um aparelho de FAX na casa de cada brasileiro.
Que época para se viver!
(…)
Em 1999, ano em que o AMX teve sua produção DESCONTINUADA, eu conheci na faculdade um alemão magrelo que cursava, ao mesmo tempo, filosofia e direito. Anos mais tarde formou-se em JORNALISMO. Já faz algum tempo que não se pode chamar de MAGRELO.
Nunca falamos muito sobre o assunto, mas sei lá. Tem alguma coisa que me diz que ele também NUTRE APREÇO pela aeronáutica.
Talvez tanto quanto Leonardo.
Talvez tanto quanto eu.
Hermano, você está bem?”
até onde eu sei, hermano está de férias
hi top game + adaptador = 1ª vez que vi a calcinha de Chun-li. jamais esquecerei
Como bem disse o Malvadinho, “tecnologia do século XXI, ideologia do século XIX”.