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06.11.09

REVELATIONS

Hoje eu DESEMBESTEI Medianeira acima pra almoçar um ESPAGUETINHO malandro com FRANGÃO desfiado no tradicional MOLHÃO de tomate característico do Flavito.

Enquanto fazia a digestão lendo o que escreveram hoje sobre o TRICOLOR IMORTAL diversos titulares do caderno de ESPORTES da Zero Hora, minha tia NI apareceu a ESTIBORDO e perguntou:

- Tu viu o nome daquele jogador?

- Não. Que jogador?

- Tu me dá licença?

Mal terminou de FORMULAR a frase e, movimento CONTÍGUO, deu um LAMBIDÃO GROSSE no dedão de uma das mãos fechada em MURRO para só então começar a FOLHEAR o jornal. Uma página depois, apontou a foto de um jogador comemorando um gol com um SALTINHO ou algo assim, e me instruiu que lesse em voz alta seu nome.

- Evaeverson.

Diz ela:

- Isso aí eles pegaram um pedaço do nome da mãe, outro pedaço do nome do pai, botaram tudo junto e saiu assim.

- É, mas pelo menos é melhor do que o que fizeram com uma amiga de uma paciente da mãe da Marcela. O nome do pai era Paulo; o da mãe, Terezinha. Eles escreveram os nomes num papel e depois cortaram por SÍLABA. Aí botaram tudo numa CUMBUCA e misturaram bem. Os dois primeiros pedacinhos que saíssem iam formar o nome da criança. Saiu ULONHA.

Sônia, eterna empregada da CZARNOBAIA, deu um GUINCHO e respingou sabão pra tudo que foi lado. Parecia que tinha tido uma SÍNCOPE. Em seguida emendou uma GAITADA, e aí deu pra ter certeza de que estava tudo bem. Prossegui:

- É sério. Saiu ULO, de Paulo e NHA, de Teresinha. E eles foram lá e registraram a criança com esse nome. ULONHA.

Foi então que TIA NI relembrou de uma passagem MUITO CLÁSSICA de sua vida, que não só ela como também minha vó FRIDA sempre nos contavam quando éramos mais novos. Uma ANEDOTA improvável que ficava ainda melhor por possuir sua veracidade atestada pelo meu vô e minha mãe (o lado mais RACIONAL da célula-mater).

É a história de ATRACAIANA.

(…)

Existiu, mesmo, em Santiago, no Rio Grande do Sul (que fica ali, naquela região de Bossoroca, Capão do Cipó, Tupanciretã, Jari, Jaguari, Nova Esperança do Sul, São Francisco de Assis, Unistalda e Itacurubi) uma mulher chamada ATRACAIANA.

Dizia ATRACAIANA que havia sido BRINDADA com a curiosa nomenclatura da seguinte forma:

Teria seu pai ido às pressas ao cartório que ficava na CIDADE VIZINHA (em termos de 1940 = LONGE PRA CARALHO) para registrar a pequena. Quando finalmente chegou, depois de muito PERCALÇO e CONTRATEMPO, simplesmente ESQUECEU o nome que ia dar a filha.

ESQUECEU.

Estou tomando a liberdade poética de acreditar que ficou NERVOSO com a responsabilidade e/ou encheu de forma PROFISSIONAL a caveira de cachaça no caminho esse pai para cometer a BALBÚRDIA que estava prestes a cometer.

SOLÍCITO, o funcionário do cartório decidiu ajudar o DESMEMORIADO, e começou a citar, aleatoriamente, nomes de mulher. O pai transtornado, só respondendo não. Lá pelas tantas o funcionário mandou ANA e o olhinho do pai brilhou. Num misto de empolgação, euforia e BAGO TORRADO, eis que ele falou:

- ATRACA AÍ ANA então!

E o camarada registrou a menina como ATRACAIANA.

Isso é o que a LENDA diz e, até onde eu sei, é a mais pura verdade.

Mas acontece que a história não para por aí.

(…)

Após sobreviver a sabe Deus que tipo de tortura no jardim de infância e no CURSO DE NORMALISTA que possivelmente TIROU à época, ATRACAIANA chegou à mocidade deslumbrante e, como muitas de sua geração, encontrou o amor.

Tudo que sei sobre ele é que trabalhava como ELETRICISTA e atendia por (prepare seu coração):

FRESCURA NECESSÁRIA.

Infelizmente, não tenho a MENOR idéia da origem desse nome.

Se alguém tiver algum (qualquer) palpite, é favor manifestar-se.

(…)

Na família rolava ainda um boato sobre a existência de uma mulher chamada PUTÁCIA, mas sobre essa nem minha TIA NI tem certeza. Dela, só ouviu pessoas falarem.

Agora, a ATRACAIANA não.

A ATRACAIANA ela conheceu.

Não só ela como TODA a minha família - por parte de mãe.

Que também conviveu com o FRESCURA NECESSÁRIA.

(…)

É, rapaz.

Brasil rural dos anos 40/60: melhor vida.

(33) comentários em “REVELATIONS”

  1. Matheus Vanzella:

    eu tenho um amigo que chama marleandryson.

    sempre que perguntam ele diz que o pai estava bebado quando foi registrar.

  2. muzell:

    engasguei.

  3. Paulinha:

    ó… reza a lenda que lá em Guarapari, tem uma moça chamada
    “Restos mortais de catarina”
    Acho trágico.
    Mas quis colaborar.
    Beijos

  4. Thiago:

    Na 7ª série fui apaixonado por Erasiliane Belkise.

  5. tiagón:

    acho sensacional essas histórias de nomenclaturas do INTERIOR-RS. (ou ainda, quase quaisquer histórias que poderiam figurar num volume de RAPA DE TACHO)

    minha avó, nascida em Bagé e morando mais tarde pelos arredores, sempre gostava de contar da senhora que se chamava BRANDA.

    e como se sabe, nome determina destino, e a casa da Branda era conhecida como abrigo. chegou alguém na cidade e precisa de pouso? Manda pra Branda que ela acolhe, não tem problema. Um piazinho apareceu abandonado? Deixa que a Branda cuida até que achem a mãe nalgum canto da campanha. cachorro sarnento perdido? MAS BAH.

    e quem incentivava a operação era nada menos que o MARIDO da Branda, que, conta a história, parecia viver FIXO na varanda da frente de casa, copo de canha embaixo da cadeira. e cujo chavão era repetido pela dona Anita, enchendo as bochechas, sempre que a situação era de abraçar o HOSCO:

    “Manda pra Branda!”

    <3

  6. Francisco Luz:

    Morri muito com ATRACAIANA e FRESCURA NECESSÁRIA. Quase inacreditável.

    No segundo grau, tive um colega chamado CHALAKON.

  7. marcus:

    Conheço um Paulomar, filho de um Paulo e uma Maria, irmão do Wandersol, assim mesmo, com L em vez de N no final.

  8. Arruda:

    E jogando Ulonha no google, você descobre que, anos atrás, ela comemorou bodas de prata com o Elifas.

    Parabéns a todos os envolvidos.

  9. Mojids:

    Elifas é nome hebraico (origem de “Afonso”, se não me engano).

    Meu predileto nesse campo da ONOMÁSTICA COMPOSTA ainda é TOSPERICAGERJA, nome que causou certo furor nas grotas inzoneiras logo após a copa de 70. Conheci um deles.

    TOSPERICAGERJA e copa de 70? Qual a relação?

    Ó:

    TOStão
    PElé
    RIvelino
    CArlos Alberto
    GERson
    JAirzinho

    Ápice da civilização brasileira.

  10. Beatriz Couto:

    tem a história da Madeinusa - filha de uma empregada que ficava encantada com as coisas “made in usa” da patroa.

  11. Adriana Karnal:

    E acho que esse todo mundo já sabe a origem né?
    Valdisnei= Walt Disney

  12. xerxenesky:

    Preciso parar de chorar de rir. Fui contar para minha mãe e não conseguia de tanto rir. Do Ulonha, que é mais cômico que o Atracaína, porque parece bem mais crível, hheeh.

  13. gi_Giovani:

    hilárias essas histórias…
    podem parecer meio surreais e tal, mas conhece o inteior do estado e as figuras lendárias que habitavam essas cidadezinhas, sabe que quase tudo era possível de acontecer…

  14. Rita Mônica:

    Aconteceu comigo. Meu pai foi ao cartório e esqueceu meu segundo nome…pensa dali, pensa daqui…disse “Rita Simone”. O cara já tinha escrito Rita Sim, e o pai lembrou que era pra ser Mônica.O máximo esforço que o escrivão fez pra corrigir o lapso de memória do meu pai foi colocar o Sim entre parênteses, errôneamente julgando que era assim que se faz quando se erra alguma coisa e quer descartar do texto(sim, algumas pessoas fazem isso!) Aff! Fiquei até casar sendo Rita (Sim) Mônica Mayer! Não vale rir!

  15. Sergio:

    “Asteroide” - cheque recebido na FIRMA dos meus pais.

  16. Roger:

    Bueno,
    todos que leem esse post sentem-se tentados a compartilhar informações né…
    Minha ‘ex’ cursava Odonto na PUC, e fazia parte de um projeto que dava assist~encia em bairros carentes de Poa.
    Foi quando, atendendo em um posto de saúde da Bom Jesus, apareceu um moleque de seis ou sete anos que atendia pelo singelo nome de: PENDRAIVE.

  17. Marcelo:

    Conheci uma JUPITERLINA.

    O mais trash que já vi foi WEIBSON DAYBSON CAPITULINO DA SILVA. Esse cara gostava muito do nome, dizia que o pai queria homenagear um astro de Hollywood, boiei.

  18. Camilo:

    Rita, como assim?

    PARÊNTESES no nome? Em documentos, TUDO?

    Impressionante.

    Sério. Ganha de qualquer combinação de letras.

  19. Fazzio:

    Conheci um cara chamado Jolêno.

  20. Carlos:

    tenho um amigo casado com uma moça canelense cuja prima chama-se naiquiér.

    é. os pais trabalhavam na fábrica da NIKE e, apaixonados pelo dito tênis, “homenagearam” a filhinha.

    Depois uma guria dessas mata os pais e ainda a culpam.

    SENSACIONAL ESSE POST…

  21. Guisba:

    Conheço um cara chamado Próclo. A gente chamava ele de PLOC.

  22. Gabriel himself:

    Um amigo meu teve aula numa escola donde trabalhava uma BUCETILDES.
    Reza a lenda que ela, chamada de TILDE apenas, ao ter o nome descoberto pediu demissão ao receber a avalanche de CHACOTAS administrada sobre ela.

    Aparentemente BUCETILDES são comuns em Minas Gerais.

  23. Otto:

    Ouvi falar sobre o inverso, “NECESSÁRIO FRESCURA” e também sobre “123 DE OLIVEIRA 4″. Se são reais, não sei precisar.

    Mas conheço uma pessoa que tem um tio chamado SOUVENIR, numa justa homenagem as lembrançinhas de viagem :-)

    Post de respeito, que com certeza merece pesquisas na rede.

  24. Cardoso:

    Necessário Frescura parece fazer mais sentido, mesmo.

    Sobre o 123 DE OLIVEIRA 4 meu vô também rezava lenda.

    Acho que deve ter existido.

  25. Wagner:

    Eu estudei com um REIDAVI. Não por acaso o irmão chamava-se BEN-HUR.

  26. xerxenesky:

    Ainda em tempo: tem que ser muito #fail para separar Paulo em Pa-ULO e não PAU-lo. Perdeu a aula de separação de sílabas na 4a série.

  27. dante:

    sei lá, XXX.

    um cara [casal] que se propõe a escolher o nome de um filho dessa forma tem toda a LIBERDADE POÉTICA pra separar as sílabas como quiser.

    ***

    ontem recebi um e-mail sobre uma promoção do theatro são pedro [algo a ver com uma peça sendo montada com ATORES MIRINS] e lá no meio tinha uma atriz chamada MEL ABELHA DA SILVA [ok, o “da silva” na verdade é outro sobrenome, mas isso não está em questão].

  28. Gabriel himself:

    xerxenesky,
    Entendo que essa foi uma licença do pai para evitar possível infortuno de sua prole num futuro donde seu nome poderia contar PAU.
    Hipoteticamente, se fosse eu administrando o caso eu tomaria esse cuidado.

  29. luiz:

    “movimento contínuo”, não “movimento contíguo”. quer dizer na sequência. contíguo quer dizer ao lado.

  30. Elsinha:

    UNIVERSO TRINCADO, primo de mamãe. Italianos doidos com mania de grandeza, habitantes da grande metrópole de São Sebastião da Grama.

  31. Cesar:

    Ulonha e Elifas Gurgel do Amaral festejarão suas bodas de prata, dia 19, com missa gratulatória, às 19h30min., na Igreja Nossa Senhora das Graças e, em seguida, recepção no Lulla’s Buffet. Assinam o convite, os filhos: Roseli, Paulo Elifas, Jéssica e Ingrid.

  32. Fernando:

    Já viram o Charlingtonglaevionbeecheknavare?

    Ele existe!

  33. Cardoso:

    Sim, um dos meus primeiros posts no Bugio foi sobre ele:

    http://qualquer.org/bugio/?p=90

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