Tropecei hoje no Twitter com o artigo Acostume-se: a internet não é mais das elites, escrito pelo Vice-Presidente de Criação da Wunderman, Eco Moliterno.
Ao fim da leitura me senti DESCONTROLADAMENTE impelido a TERGIVERSAR eu também sobre o assunto, portanto FI-LO - e de forma um tanto quanto AMBICIOSA - ali mesmo, na caixa de comentários.
Logo após publicar minha primeira manifestação (que termina com a citação do Calypso) li a METADE dos COMENTOSOS de outros leitores, mas tive de parar porque quase SOFRI de um AVC. Erros de pontuação, grafia e (principalmente) LÓGICA tão assombrosos que não pude ficar ALHEIO. Em resposta, perdi 1/234.878 de vida, mas acabei trazendo alguns dados REAIS pra rapeizo pensar em cima.
Lendo o resto dos comentários, entretanto, me pareceu totalmente inútil esperar que pudesse brotar daquele solo INFÉRTIL qualquer discussão minimamente cerebrada - especialmente quando me dei conta de que a data de publicação do artigo já havia superado os DOIS MESES DE IDADE.
Temendo VIOLENTAMENTE que aquele LIBELO de rara lucidez pudesse terminar perdido no ÉTER digital, resolvi CONDENSAR o pensamento e reproduzir por aqui os dois comentários montados num só TEXTO, na esperança TANTO de reacender a discussão QUANTO de apenas REVERBERAR a reflexão.
Sem mais delongas, lá vai:
Bons pontos e críticas muito certeiras (a julgar pelo número de comentários negativos), ainda que o texto peque pela falta de desenvoltura em alguns momentos.
Quer dizer: muito embora haja alguma verdade na suposição de que a migração do Orkut para o Facebook tenha se dado como uma espécie de reação da “elite” (má escolha) a uma suposta invasão dos “emergentes” (não tão má assim), diversos outros fatores operam nesse ÊXODO digital de forma muito mais importante.
Só pra citar o mais evidente deles: a formação de uma rede de contatos internacional. A presença de australianos, europeus e norte-americanos (só pra citar três destinos bastante óbvios) no Orkut é praticamente nula, enquanto o Facebook (desde que foi aberto para o público em geral) não enfrenta rejeição significativa de praticamente nenhuma nacionalidade - ao contrário da rede social do Google, execrada por YANKEES e habitantes do velho mundo em geral.
No mais, tenho diversas restrições a essa aparente OBRIGAÇÃO de se usar toda e qualquer mídia como instrumento de marketing.
Particularmente, prefiro PAGAR para ter o direito de navegar numa internet livre de publicidade, e quase sempre acabo desenvolvendo antipatia por uma marca que procura se posicionar na rede só do ponto de vista estratégico, sem um bom motivo por trás - e acho que não estou só.
Pra encerrar, acho que antes das empresas e dos publicitários começarem a pensar em como EXPLORAR (outra má escolha) as ferramentas digitais para atingir as classes C,D e E seria MUITO mais produtivo que elas se preocupassem em não apenas REPLICAR e ADAPTAR as estratégias já utilizadas em outras mídias e gastassem um pouco mais de tempo (e dinheiro) desenvolvendo ações realmente inovadoras, interessantes e relevantes para uma audiência que TRANSCENDE os conceitos de classe de uma forma que não seria possível em nenhuma outra época, em nenhuma outra mídia.
Em outras palavras, é primordial ENTENDER A INTERNET antes de querer fazer qualquer coisa que a use como plataforma.
Como dica final, sugiro a todo ser pensante uma viagem a Belém (já estive lá duas vezes e amo muito) para entender como REALMENTE funciona o mercado do tecnobrega, simplesmente a coisa mais genial que esse país já foi capaz de produzir.
Calypso é apenas a ponta do iceberg.
Outro dado interessante é DIFERENCIAR as classes C, D e E.
Um bom auxílio pode ser esse documento produzido em 2008 pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa:
http://www.abep.org/codigosguias/Criterio_Brasil_2008.pdf
Notem que os critérios consideram que um indivíduo pertence à classe D quando a renda média de sua FAMÍLIA está na faixa dos R$ 485. Para ser considerado da classe E, o patamar cai para os R$ 277.
Sejamos sensatos: alguém que tem uma renda FAMILIAR (ou seja, o somatório das rendas de todos os membros da família) de pouco menos de 300 reais estaria realmente gastando dinheiro acessando a internet?
“Sejamos sensatos: alguém que tem uma renda FAMILIAR (ou seja, o somatório das rendas de todos os membros da família) de pouco menos de 300 reais estaria realmente gastando dinheiro acessando a internet?”
lan house cara, vai por mim. é pouco, mas tem sim.
Eu tenho lá minhas dúvidas. Classe C, com certeza acessa a web. Classe D em menor número, mas acessa também.
Agora, Classe E eu acho que é meio forçar a barra.
Quer dizer, não é o cara que ganha 277 reais, é a FAMÍLIA INTEIRA do cara. Me parece meio esquisito que um cara que tenha uma renda tão baixa entre na internet, mas OK. Até pode acontecer.
Mas meu problema é justamente com o texto, que diz que os publicitários e as marcas tem que focar suas estratégias de venda para as Classes C, D e E como se fosse tudo uma coisa só.
E, sei lá, a matemática ELEMENTAR ensina que 1,5 mil é diferente de 300.
ARESUM++ o texto, mestre. Forte abraço.
Espero que você não tenha lido:
http://andreforastieri.uol.com.br/?p=584
André Forastieri abordando tema levemente semelhante, igualmente interessante, no blog.
A relação da elite com a internet é a mesma que com todas as outras coisas - optar pelas classes é uma estratégia, mas a “elite segue elitizada” - sempre dá seu jeito. E quanto à classe E me parece um erro mesmo. Já que não existe classe F, da classe E eu subentendo que não consumam nada, apenas sobrevivam. Algo assim.
Pois. Tem classe E na lan house, e tem lugares de acesso grátis à internet. Eu tenho um certo contato com alguns desses projetos, e tem histórias malucas lá. Aqui em sampa, um frequentador desses lugares é o (ex)eremita do cassino, seliga:
http://rede.acessasp.sp.gov.br/?q=node/2405
Mundo grande, véi…
Por partes:
1) Valeu, Gili!
2) Não tinha lido o texto do Forasta, mas achei meio ingênuo. Quer dizer, não é porque o MySpace vai fechar no Brasil que a rede vai desaparecer. Até onde eu sei, o site vai continuar no ar. Muda alguma coisa para o usuário, na prática? Eu realmente não sei, mas me PARECE que não.
3) Também vejo dessa forma, João: “da classe E eu subentendo que não consumam nada, apenas sobrevivam”.
4) Ou seja, mesmo que acessem mesmo a web, como diz o FF, são muito poucos e com um baixíssimo poder de compra. Não me entenda mal: não é porque não têm poder de compra que não são importantes. Só não são importantes para uma estratégia de marketing.
Em tempo: o acesso à internet nesses pontos é de graça? Por que isso muda totalmente a questão.
E outra: só quis evidenciar essa diferenciação porque principalmente em publicidade vem se falando muito da entrada das classes C, D e E na internet como se fosse tudo uma coisa só - e na real são coisas TOTALMENTE diferentes.
sim, em sp tem vários pontos de acesso gratuito à internet. não sei em outros grandes centros… mas eu moro numa cidade de 75000 habitantes e rola acesso gratuito pra quem é membro da biblioteca municipal. 30 minutos por dia.